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A Nova Panasonic Varicam Pure

Um olhar de perto na tecnologia sem compressão

Por Dennis Zanatta

Produzida em 6 meses, a Panasonic VariCam Pure é uma coprodução entre a Panasonic e a Codex. A ideia de criar esse novo modelo saiu durante uma conversa entre o CEO da Codex, Marc Dando, e o diretor da Panasonic, Kunihiko Miyagi, na NAB 2016. O nome do modelo Pure, assim descreve Kunihiko Miyagi para a revista “Film and Digital Times” neste mês de setembro, foi dado à câmera por gravar no que ele diz “a maior pureza” do formato RAW sem compressão de imagem.

Meu encontro íntimo com a Panasonic VariCam Pure foi depois da estreia da Pure na casa da American Society of Cinematographers em setembro. Infelizmente, não pude comparecer nesse primeiro encontro porque estava filmando um novo projeto. Logo que cheguei em Los Angeles, liguei para o Doug Leighton, que é gerente de contas e especialista da Panasonic, para marcar uma visita ao escritório de Los Angeles. Dois dias depois, estava lá eu entrando no escritório da Panasonic na Califórnia. O Doug e alguns outros especialistas me levaram para a sala de testes de câmera que esta na parte de trás do escritório, onde são realizados toda a manutenção e testes das câmeras da companhia.

Em uma sala separada, estava o novo modelo VariCam montada no tripé e já conectada ao monitor. De cara, dei uma olhada 360º no corpo da câmera. O modelo Pure estruturalmente é um pouco maior em tamanho que o modelo LT e menor que o modelo 35. Pesando somente 5Kg, a Varicam Pure é leve quanto o modelo LT que facilita uma grande mobilidade entre operar tanto no ombro quanto até mesmo voar com o Steadicam. Uma câmera bastante versátil.

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O corpo da câmera é divido em duas partes, a cabeça da VariCam 35 e o novo Codex V-RAW 2.0 integrado, que é o gravador que somente grava 4k RAW sem compressão 12bit ou 10bit no cartão do CODEX, com a capacidade de gravação 120 quadros por segundo em 10bit. Em 12 bit, os quadros de gravação são bem limitados. Porém, dizem os engenheiros da Panasonic, que a qualidade de 10bit já é muito satisfatória, que em muitas situações é imperceptível. Detalhe, toda vez que a configuração é mudada, o sistema pede para ser reiniciado. São 27 segundos depois que ligamos a câmera para estar pronta para gravar, porém é possível pelo menos visualizar a imagem aos cinco segundos.

Para quem gosta de ter o material em Apple ProRes ou Avid DNxHR, infelizmente essa câmera não vai gerar este formato, porém existe uma flexibilidade de clonar os arquivos RAW em qualquer formato usando o “workflow” Codex Production Suite, que é uma plataforma que pode ser utilizada para a visualização do material ou até mesmo a coloração do seu projeto e criação de um formato específico.

Apesar do corpo ser bem similar com os outros modelos VariCam, algumas funções estão localizadas em diferentes lugares, como por exemplo o botão para ligar o modelo LT, fica ao lado esquerdo inferior do corpo, abaixo do viewfinder e perto do botão de REC. Já na Pure, encontra-se em um lugar um tanto pouco distinto e não muito comum, exatamente no topo do gravador Codex e possui um formato circular que lembra o botão inicial de um computador. Ao lado do botão de iniciar, há um outro botão circular maior que serve para abrir o drive para encaixar o cartão Codex. O mesmo indica quando a câmera está gravando com uma luz vermelha ou quando está pronta para gravar com uma luz verde.

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Assim que pressionei o botão de ligar, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o ventilador interno que mantém a câmera na temperatura ideal. O barulho, um pouco alto ao meu ver, me lembrou alguns modelos da RED. Mas quando pressionamos o REC, o ruído diminui bastante, porém ainda consegui ouvir, já que estávamos numa sala fechada. Acredito que dentro de um estúdio, o operador de áudio não vai ficar muito feliz. É possível desligar esse ventilador, mas em externas durante um dia muito quente, não é aconselhável.

O painel remoto para acessar o menu da câmera é o mesmo formato dos outros modelos, que de fato é muito prático, ágil e fácil para mudar os formatos, configurar os botões da câmera, etc. O painel remoto também funciona como um monitor, mas a imagem não é tão nítida como a do viewfinder.

A Panasonic VariCam Pure também possibilita gravar internamente no modo HDR, importa seu próprio “Look Up Table” e até muda as cores internamente. Além de gravar a Metadata diretamente no cartão. Acho que a única função que, na minha opinião, eles deveriam ter copiado dos outros modelos, seria a gravação ao mesmo tempo do arquivo PROXY tanto no cartão Codez quanto separado em um cartão SD. No modelo LT que usei para o filme “Baba de Quiabo”, gravar os Proxies junto do material original facilitou bastante a vida de pós-produção. No arquivo proxy é possível ter informações na tela como por exemplo o TimeCode, ISO, Color Temperture, quadros por segundos, etc.

Além de ter mais de 14 pontos de latitude de exposição, a Panasonic traz a tecnologia de duplo ISO (800 e 5000) em todos os modelos mais da VariCam, tornando a câmera super sensível às luzes baixas. Eu tive a oportunidade de usar essa tecnologia durante as filmagens do curta “Baba de Quiabo”, filmado na Panasonic VariCam LT.  Ao mudar o ISO nativo de 800 para 5000, teoricamente, a câmera ganha três pontos acima do ISO 800. Durante o teste de câmera que fiz antes de filmar o curta, descobri que a imagem mais limpa de ruídos ao usar ISO nativo 5000 era baixar para 3200, ou seja, ainda são dois pontos acima do que seria se eu tivesse a ISO 800. O único problema da câmera ser tão sensível às luzes baixas é convencer os produtores que ainda precisamos de luzes para criar nossas imagens, digo isto porque quando mudamos o ISO para 5000, fica realmente muito claro e praticamente consegue ver todas as informações nas sombras.

foto03varicamUm dos maiores fatores pela criação desse novo modelo, assim explica os engenheiros da Panasonic, é devido a demanda de produção 4k RAW que segue crescendo com a exigência dos produtores de cinema e também dos estúdios, como a NETFLIX, que atualmente só filma 4k RAW em suas produções de séries de televisão e filmes.

· Latitude de exposição 14+ stops
· Formato de gravação 4K RAW sem compressão
· Formatos Offload RAW, ProRes 4444 HQ, ProRes 4444, ProRes 422 HQ, DNxHR HQ, DNxHR HQX, DNxHR 444 (através do sistema de arquivos Codex)
· Maximo quadros por Segundo 120 fps
· Color Control CDL Server
· Lens Data Capture ARRI LDS, Cooke /i
· Metadata Capture User-Defined Shot Metadata
· Peso 5 kg
· Dimensões 165.0 x 144.0 x 261.2 mm
· ND INTERNO:  Clear, 0.6, 1.2 e 1.8

 

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Sobre o autor

Nascido em São Paulo, Dennis Zanatta é Diretor de Fotografia baseado em Los Angeles Califórnia. É membro da Associação Brasileira de Cinematografia, além de ser Operador de Câmera Certificado pelo SENAC e Operador de Steadicam certificado pela Steadicam Operator Association. Dennis possui um mestrado em Cinematografia na American Film Institute em Los Angeles, CA. Já trabalhou em projetos da TV Globo, Discovery Channel, National Geographic, UFC e colaborou com diretores de cinema de várias partes do mundo. Em agosto deste ano, Dennis teve a oportunidade de filmar com a Panasonic Varicam LT o curta metragem “Baba de Quiabo”, protagonizado por Carol Castro e dirigido por Richard Goldgewicht.

Fonte: Revista Film and Digital Times

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