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Entrevista Valdy Lopes Jn

Por Danielle de Noronha

O filme “Jonas” é a estreia na direção de longa-metragem da diretora de cinema publicitário Lô Politi. No filme, Jonas, que sempre foi apaixonado pela filha da patroa de sua mãe, a reencontra depois de muitos anos e durante o carnaval a sequestra e a mantem refém em um carro alegórico no formato de uma baleia.

O diretor de arte Valdy Lopes Jn conta um pouco sobre o trabalho no filme.


Quais foram as suas impressões ao ler o roteiro de “Jonas”?

Ele foi filmado em 2013, mas eu ainda me lembro. O filme da Lô Politi teve uma preparação grande. A gente ficou conversando sobre o roteiro bastante tempo antes, fez uma imersão em uma fazenda em Salvador, na Bahia, e a gente ficou uns dias concentrados lendo o roteiro e pensando como seria feito o filme, mas assim que eu recebi o roteiro eu achei muito interessante porque a relação entre Jonas e a baleia tem o mito, não só pela bíblia, mas pela música também, então fiquei muito interessado em como seria isso.

Quando você diz assim: um menino que sequestra uma menina que ele é apaixonado e a coloca numa baleia, que é um carro alegórico, vem uma imagem na sua cabeça que é muito grande. E a Lô já tinha feito uma pesquisa antes, preparando o filme, sobre o estacionamento do sambódromo, sobre carros alegóricos, então já tinha alguma coisa para pensar o filme visualmente, que já era interessante.

Quando eu li, eu achei estimulante e ao mesmo tempo achei difícil, pensando como é que você iria apresentar toda essa história, dessa menina presa e já envolvida pelo cara que a sequestrou, ao ponto dela não querer sair da baleia.

A coisa que eu mais gosto é de ler o roteiro e pensar primeiro na história, antes de pensar na arte que eu vou fazer. Eu torço para que seja uma história bacana, que eu me envolva, que eu queira contar. Porque eu acho que tem uma distorção de entendimento sobre a profissão de direção de arte no Brasil que é não entender a direção de arte como narrativa, de entender a direção de arte só como uma coisa ilustrativa, de gosto, decoração ou só de dressing. Mas não, é pensar como é que eu vou contar essa história. No caso do “Jonas”, eu achei um ótimo desafio, gostei muito do roteiro.

Onde buscou inspiração e quais foram as suas referências para pensar o conceito artístico do filme?

Uma das questões é que o filme se passa na Vila Madalena. Teve uma época que eu até tive um escritório de arquitetura, quando eu trabalhava mais com isto, na Vila Madalena, e também é o bairro que a Lô cresceu. Mas o que a gente queria era mostrar uma vila, que talvez não seja tão conhecida, que é aquela vila no final da Fradique Coutinho, aquelas ruas que são menos habituais. Então, eu sempre tenho uma pegada de filmes muito documentais, como “Linha de Passe”, um super exemplo disso, mas a gente pensou em fazer uma coisa que fosse bonita, com muitas cores, e que tivesse quase que um conceito do carnaval e das cores da Pérola Negra o filme inteiro. Tinha um contraste do azul e vermelho que permeou o filme. A gente queria fazer um olhar bonito, elegante, sobre a vila.

A inspiração maior foi observar o cotidiano da vila, mas sem ser essa Vila Madalena das lojas e dos bares, que é a mais comum. Foi também observar e mergulhar nesse universo do carnaval, que é muito interessante, com todas essas formas, texturas, e que era uma coisa nova, eu sempre gostei, mas eu nunca fui de fazer carnaval, foi a primeira vez que fiz isso, e teve algumas parcerias, como o André da Pérola Negra, que ajudou a fazer a baleia. A ideia principal era essa, fazer um filme visualmente bonito.

E como foi o trabalho com os figurinos da escola de samba?

Os figurinos foi o seguinte: o figurino do carnaval a gente não fez para o filme, mas a gente pegou o da escola, então o que aparece no desfile é documental, porque é o desfile da Pérola do ano. A gente só se preocupou em fazer uma edição dos blocos que eram mais interessantes para o filme. Na escola a gente aparecia no ensaio, tinha mestre-sala e porta-bandeira, mas com uma roupa azul e branca, que era o que a gente queria, que era uma roupa que eles já tinham. Mas as roupas de carnaval não chegam a aparecer tanto. Aparece mais as dos personagens principais, que neste caso a gente desenvolveu, como uma camisa que o Cassio, que fez o figurino, criou.

Como os cenários e figurinos foram pensados para retratar os diferentes mundos apresentados em “Jonas”?

Tem a casa principal da Branca, que é a casa de um arquiteto, que a gente pesquisou e restaurou quase a casa inteira, o design de móveis, etc. A outra casa, é uma casinha que ainda é remanescente na Vila Madalena, que é pequeninha, bonitinha.

O que dizer da interação entre os departamentos de arte deste filme? E com a fotografia e direção?

A relação com o departamento de arte foi boa porque a gente trabalhou com o mesmo conceito. Com o Ale Ermel, fotógrafo, foi ótimo também. A gente já tinha trabalhado juntos, então é uma parceria muito banaca, super tranquila e sintonizada. E com Lô a gente se deu muito bem desde o começo, precisa existir uma afinidade com o diretor que você trabalha, pensávamos juntos, construímos juntos.

Ficha Técnica

Roteiro e direção: Lô Politi
Produção: Murray  Lipnik e Deborah Amodio
Produção executiva: Marcelo Torres
Direção de fotografia: Alexandre Ermel
Direção de arte: Valdy Lopes Jn
Montagem: Gustavo Giani
Trilha sonora: Zezinho Mutarelli
Coroteirista: Elcio Verçosa Filho
Figurino: Cassio Brasil
Maquiagem: Rosemary Paiva
Edição de som: Pedro Lima
Som direto: Leandro Lima
Supervisão de pós-produção: Hugo Gurgel
Supervisão de efeitos visuais: Guilherme Ramalho

 

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