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Festival de Brasília do Cinema Brasileiro lança programação oficial da 50ª edição

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anunciou a programação oficial para 2017, ano em que comemora 50 edições. Criado em 1965 e desde então empenhado na divulgação, debate e reflexão sobre o cinema feito no Brasil, o Festival será realizado ao longo de 10 dias, de 15 a 24 de setembro, com uma programação plural e extensa formada por mostras, oficinas, debates e outras atividades que passam pelo tradicional Cine Brasília, se estendem por outros locais no Plano Piloto e alcançam diversas Regiões Administrativas do Distrito Federal.

Abertura e encerramento

Em 15 de setembro, a 50ª edição se inicia com a primeira exibição no Brasil do longa “Não devore meu coração!”, de Felipe Bragança, filme brasileiro que foi destaque das programações de festivais internacionais importantes como Sundance e Berlim. A noite também será marcada pela homenagem a Nelson Pereira dos Santos. Realizador fundamental do cinema brasileiro, autor de obras primas da cinematografia nacional, como “Rio 40 Graus” (1955), “Vidas secas” (1963) e “Memórias do cárcere” (1984), Nelson é um dos precursores do Cinema Novo, membro da Academia Brasileira de Letras e figura presente ao longo da história do Festival de Brasília.

Na ocasião, será outorgada a ele a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, criada em 2016 para homenagear grandes nomes do cinema brasileiro, relembrando o principal responsável pela instituição do Festival. Para celebrar essa homenagem será exibido o curta “Festejo muito pessoal”, de Carlos Adriano, realizado no contexto do centenário de nascimento de Paulo Emilio, em 2016.

Para fechar a 50ª edição, em 24 de setembro, será exibido o novo longa do cineasta baiano Edgard Navarro, “Abaixo a gravidade”. Ele foi o grande vencedor do Festival em 2005, com seu primeiro longa, “Eu me lembro”. Na mesma noite serão entregues os prêmios das mostras competitivas de longas e curtas-metragens e da Mostra Brasília.

Mostras competitivas e comissões de seleção

Com nove longas e 12 curtas-metragens, a Mostra Competitiva é composta por representantes de 10 estados e, em 2017, teve recorde de inscrições com 778 filmes – 25% a mais do que na 49ª edição. Todos os filmes em competição recebem cachê de seleção: R$ 15 mil para longas e R$ 5 mil para curtas-metragens.

O cineasta, crítico e programador de festivais Eduardo Valente é o diretor artístico do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Junto a ele, integraram a comissão de seleção de longas a professora, curadora e pesquisadora Beatriz Furtado; o crítico, professor e jornalista Heitor Augusto; o crítico e pesquisador Marcus Mello e o professor e pesquisador Pablo Gonçalo. Fazem parte da Mostra Competitiva os filmes “Arábia”, de Affonso Uchoa e João Dumans (MG); “Café com canela”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA); “Construindo pontes”, de Heloisa Passos (PR); “Era uma vez Brasília”, de Adirley Queirós (DF); “Música para quando as luzes se apagam”, de Ismael Caneppele (RS); “O nó do Diabo”, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi (PB); “Pendular”, de Julia Murat (RJ); “Por trás da linha de escudos”, de Marcelo Pedroso (PE); e Vazante, de Daniela Thomas (SP).

Os curtas-metragens selecionados para Mostra Competitiva são: “A passagem do cometa”, de Juliana Rojas (SP); “As melhores noites de Veroni”, de Ulisses Arthur (AL); “Baunilha”, de Leo Tabosa (PE); “Carneiro de ouro”, de Dácia Ibiapina (DF); “Chico”, dirigido por Irmãos Carvalho (RJ); “Inocentes”, de Douglas Soares (RJ); “Mamata”, de Marcus Curvelo (BA); “Nada”, de Gabriel Martins (MG); “O peixe”, de Jonathas de Andrade (PE); “Peripatético”, de Jessica Queiroz (SP); “Tentei”, de Laís Melo (PR); e “Torre”, dirigido por Nadia Mangolini (SP).

A comissão de seleção de curtas foi composta por Eduardo Valente, pela professora e pesquisadora Amaranta Cesar; pelo professor, curador e programador de festivais Daniel Queiroz; pela produtora cultural e programadora de festivais Marisa Merlo de Paula e pela produtora e programadora Thay Limeira. Além do Cine Brasília, os longas e curtas em competição serão exibidos em Taguatinga, Sobradinho, Gama e Riacho Fundo I e reprisados no Museu Nacional da República.

Longas e curtas em competição concorrem, entre outras premiações, ao Troféu Candango pelo voto do júri oficial e também pela escolha do público – o longa mais votado pelos espectadores leva o Prêmio Petrobras de Cinema, no valor de R$ 200 mil em contratos de distribuição.

Mostra Brasília, sessões especiais e mostras paralelas

Mostra Brasília – 22º Troféu Câmara Legislativa também acumulou números que reforçam a potência da produção audiovisual do Distrito Federal. A programação soma 600 minutos com a exibição de quatro longas e 13 curtas. No total, foram 86 inscritos – 70% a mais do que em 2016. Os longas-metragens são: “Um domingo de 53 horas”, de Cristiano Vieira; “O fantástico Patinho Feio”, de Denilson Félix; “Jeitosinha”, de Johil Carvalho e Sérgio Lacerda; e “Menina de barro”, de Vinícius Machado.

Compõem a seleção de curtas as produções “1×1”, de Ramon Abreu; “Afronte”, de Marcus Azevedo e Bruno Victor; “Carneiro de ouro”, de Dácia Ibiapina; “O céu dos teus olhos”, de Danilo Borges e Diego Borges; “Damrõze Akwe – Amor e resistência”, de Guilherme Cavalli; “Habilitado para morrer”, de Rafael Stadniki; “A inviolável leveza do ser”, de Júlia Zakarewicz; “A margem do universo”, de Tiago Esmeraldo; “O Menino Leão e a Menina Coruja”, de Renan Montenegro; “Tekoha – Som da Terra”, de Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron; “UrSortudo”, de Januário Jr; “O vídeo de 6 faces”, de Maurício Chades; e “Vilão”, de Webson Dias.

Dois longas serão exibidos no Cine Brasília na condição de Hors Concours: “António um dois três”, estreia em longas do cineasta cearense Leonardo Mouramateus, multipremiado com seus curtas (inclusive em Brasília); e “A moça do calendário”, novo longa da cineasta e atriz Helena Ignez, de trajetória consagrada e presente com seus filmes no Festival desde a primeira edição. Helena Ignez será, inclusive, foco de homenagem pela sua carreira no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2017.

Três Mostras Paralelas completam a programação do Cine Brasília. Com curadoria da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a mostra 50 anos em 5 dias, de 17 a 22 de setembro, é uma retrospectiva de filmes que marcaram a história do Festival. Essa mostra será acompanhada pelas sessões 50 anos em 5 dias – Registro de uma história, com cinco documentários recentes que têm como tema aspectos distintos da história do cinema brasileiro.

Finalmente, nesse ano a direção artística do Festival propõe duas mostras temáticas com filmes da nova safra do cinema nacional que retratam questões relevantes da produção recente e exemplificam o diálogo entre essa produção e a realidade atual do país. A mostra Terra em transe, com exibições nos dias 23 e 24, é composta por cinco longas-metragens que abordam o momento político e social brasileiro marcado por tensões e disputas entre campos distintos. Já a mostra Esses corpos indóceis exibirá, nos dias 16 e 17, seis longas e um curta-metragem que retratam a visão dos cineastas em torno de personagens cujas identidades de alguma maneira representam e afirmam existências que não se conformam às expectativas mais utilitárias ou normatizantes do status quo da sociedade contemporânea.

Dias 18 e 19, o Cine Brasília abriga o 3º Festival de Filmes Curta-Metragem das Escolas Públicas de Brasília, que tem como objetivo dar visibilidade e incentivar a produção audiovisual realizada por estudantes da Rede Pública de Ensino. Já o FestUniBrasília – 1º Festival Universitário de Cinema de Brasília tem na programação curtas-metragens dirigidos por universitários de faculdades brasileiras de cinema e audiovisual. Os filmes concorrem a três troféus Candango.

Programação descentralizada e atividades formativas

Os filmes presentes na Mostra Competitiva e no Festivalzinho, mostra com filmes voltados para crianças, serão exibidos no Cine Brasília e, simultaneamente, em Taguatinga, Sobradinho, Gama e Riacho Fundo I. As RAs receberão uma ampla programação multicultural com ambientação, estrutura, aferição de júri popular e ainda DJs, bandas e praças de alimentação. Visando a democratização do acesso à cultura, o Festival contará pelo 25º ano com o projeto Cinema Voador, que levará sessões gratuitas a São Sebastião, Paranoá, Recanto das Emas, Estrutural e Fercal.

O Museu Nacional da República recebe, durante o Festival, uma exposição com cartazes de filmes e fotos histórias do evento. Também no Museu, dia 23, a sessão especial Poesia Viva presta homenagem ao poeta maranhense Ferreira Gullar, falecido em 2016, com a exibição de “A arte existe porque a vida não basta”, de Zelito Vianna. O filme será acompanhado de “Viva Cassiano”, curta-metragem do brasiliense Bernardo Bernardes que homenageia outro importante poeta brasileiro, Cassiano Nunes. A produção participou do Festival de Brasília de 2004 quando ganhou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular. Antes, no dia 16, será exibido no Museu o longa “A serpente”, dirigido por Jura Capela, baseado na obra do escritor Nelson Rodrigues e estrelado por Matheus Nachtergaele e Lucélia Santos.

As atividades formativas também vão movimentar a programação da 50ª edição. Os interessados poderão participar dos Painéis Setoriais nos quais serão debatidos temas relativos à produção audiovisual brasileira de hoje e os desafios do setor. Além disso, serão oferecidas master classes com a presença de nomes consagrados como as cineastas Laís Bodanzky e Anna Muylaert e a produtora Vania Catani, que falarão sobre seus processos criativos; enquanto as Conversas Livres abordarão a história do Festival de Brasília e as dificuldades de produção do primeiro longa, entre outros temas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do festival. Ainda serão realizadas oficinas sobre interpretação para cinema, LAB intensivo de séries de TV e direção de arte, em Brasília, Ceilândia, Samambaia, Taguatinga e Gama.

Novidades na programação

Para comemorar a 50ª edição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro incluiu três iniciativas inéditas em sua programação: a Mostra Futuro Brasil, o Ambiente de Mercado e um aplicativo de celular para votação.

Futuro Brasil é uma vitrine internacional na qual cineastas com filmes em fase de finalização poderão apresentar suas produções e receber consultoria de profissionais de curadoria e seleção de festivais nacionais e estrangeiros, além de especialistas do setor. Do total de 55 produções inscritas, seis longas-metragens foram selecionados: “A mulher e o rio”, de Bernard Miranda Lessa (ES); “Coiote”, de Sérgio Borges (MG); “Dias vazios”, de Robney Bruno Almeida (GO); “Guerra de algodão”, de Marília Hughes e Claudio Marques (BA); “Inferninho”, de Guto Parente e Pedro Diógenes (CE); e “Triz”, de André Carvalheira (DF). Essas sessões são exclusivas para convidados.

 

Ambiente de Mercado, de 20 a 22 de setembro, promoverá diálogos com produtores, programadores, agentes de vendas, distribuidores e exibidores. A iniciativa terá a participação do CONNE – Centro-Oeste, Norte e Nordeste, consolidando o FBCB como articulador de políticas para o audiovisual. As atividades irão englobar Conversas com Players, Pitchings Abertos e Clínica de Projetos. Além dos Painéis, com temáticas do contexto político e econômico da indústria no Brasil. As inscrições, que são gratuitas, vão 28 de agosto, voltadas para Clínicas de Projetos e Pitchings Abertos.

 

O Festival apresenta neste ano um aplicativo oficial. Com ele, o público poderá realizar o voto de Júri Popular de maneira fácil e segura. O app, inédito, também facilitará o acesso à programação completa do Festival de Brasília.

Serviço
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 50ª edição
Quando: 15 a 24 de setembro de 2017
http://www.festivaldebrasilia.com.br/

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