25a Mostra Tiradentes – Mostra Aurora exibe sete filmes inéditos que transitam entre imaginários e realidades

Mostra Aurora – Filme A Colônia

Na sua edição de debutante, a Mostra Aurora celebra 15 anos com mais um recorte totalmente inédito do cinema brasileiro contemporâneo de invenção. Os sete longas-metragens dentro desta seção na programação da 25a Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece entre os dias 21 e 29 de janeiro de 2022, foram selecionados pela dupla de curadoria Francis Vogner dos Reis e Lila Foster.

Os filmes na Mostra Aurora 2022 são: “Seguindo todos os Protocolos” (PE), de Fábio Leal; “A Colônia” (CE), de Virgínia Pinho e Mozart Freire; “Sessão Bruta” (MG), de As Talavistas e ela.ltda; “Panorama” (SP), de Alexandre Wahrhaftig; “Maputo Nakurandza” (RJ-SP), de Ariadine Zampaulo; “Bem-vindos de Novo” (SP), de Marcos Yoshi; e “Grade” (MG), de Lucas Andrade. Todos eles serão avaliados pelo Júri da Crítica e concorrem ao Troféu Barroco e a prêmios de parceiros da Mostra.

A curadoria chama atenção para o fato de que quatro dos títulos da Aurora são de realizadores que tiveram curtas-metragens exibidos na competição da Mostra Foco, em anos anteriores do evento. “Isso indica que a Aurora de 2022 vai incluir uma continuidade muito interessante do trabalho desses realizadores, até porque os filmes que eles apresentam dialogam com os curtas que já foram vistos em Tiradentes”, destaca Lila Foster.

Os “veteranos” são Marcos Yoshi, de “Bem-vindos de Novo”, que esteve na Foco com “Aos Cuidados Dela” (2020); ela.ltda, que participou com “Drama Queen” (2020) e retorna com “Sessão Bruta”; Mozart Freire exibiu na Foco “Cinemão” (2015) e vem para a Aurora com “A Colônia”; e Alexandre Wahrstein foi vencedor de melhor filme com “E” (2014, codireção de Elena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos) e exibe em janeiro o longa “Panorama”.

A curadoria identifica nos sete filmes da Aurora 2022 uma predominância fortíssima do documentário, não necessariamente como o gênero, mas principalmente em formas de aproximar daquilo que filmam, em muitos casos buscando na materialidade do mundo os elementos de suas expressividades. “Essa aproximação do concreto e da realidade das coisas é uma tônica dos filmes, o que torna o conjunto muito potente nesse aspecto e constrói diálogos e pontes entre eles, ainda que claramente sejam longas muito distintos entre si”, destaca Francis Vogner. Lila completa: “Sinto que há modulações entre ficção e documentário e entre fabulação e registro. “Maputo Nakurandza”, por exemplo, vai mapeando a cidade de forma poética e cria vínculos com os personagens, que vão atravessando o filme por pequenas narrativas e num gesto de conhecer um lugar e suas pessoas”.

Todos, então, sob vários aspectos, vão se costurando dentro dessas possibilidades da câmera diante da matéria do real. “Seguindo Todos os Protocolos” coloca o diretor no centro de uma trama de sobrevivência física e amorosa da pandemia, com um gesto que flerta com a autobiografia, sem deixar de também compor um registro do estado das coisas – do flerte, das relações, das paranoias pandêmicas. “Tem performance, tem dramaturgia e tem autorretrato”, diz Lila.

“Sessão Bruta” radicaliza ainda mais na performance e é cortado por falas e depoimentos que surgem em meio aos arranjos cênicos, mostrando também o imaginário e a vida de um grupo de artistas. Por sua vez, “Grade” insere a fabulação num documentário observacional sobre uma determinada estrutura prisional alternativa, agregando essa ficção àquilo que a realização encontra pelo caminho. “A Colônia” segue caminho similar, ao se apresentar como um documentário entremeado pela ficção na abordagem do bairro Colônia, em Maracanaú (CE), fundado na década de 1940 como uma zona de confinamento compulsório para portadores de hanseníase.

Se há o escape rumo ao registro mais direto e menos devedor de imaginários externos, isso aparece em “Panorama”, que constrói seu imaginário numa comunidade de São Paulo a partir dos sonhos, memórias e cotidiano de seus moradores; e “Bem-vindos de Novo”, no qual se acompanha o processo de reconstrução afetiva de uma família de descendentes de japoneses afetada pelo fluxo de imigração entre Japão e Brasil.

Em 2022, o Júri Oficial convocado a avaliar os filmes da Mostra Aurora é formado por Alessandra Soares Brandão, professora e coordenadora do Curso de Cinema da UFSC; Ivana Bentes, crítica, pesquisadora e professora na UFRJ; Marcelo Ribeiro, crítico, programador, curador e professor na Faculdade de Comunicação da UFBA; Ricardo Aleixo, artista, pesquisador intermídia, ensaísta e editor; e Yuri Firmeza, artista e professor da Universidade Federal do Ceará.

Confira abaixo os filmes da Mostra Aurora em 2022:

A COLÔNIA, de Virgínia Pinho e Mozart Freire (CE)

BEM-VINDOS DE NOVO, de Marcos Yoshi (SP)

GRADE, de Lucas Andrade (MG)

MAPUTO NAKUZANDZA, de Ariadine Zampaulo (RJ/SP)

PANORAMA, de Alexandre Wahrhaftig (SP)

SEGUINDO TODOS OS PROTOCOLOS, de Fábio Leal (PE)

SESSÃO BRUTA, de As Talavistas e ela.ltda (MG)

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Maior evento do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país, chega a sua 25a edição de 21 a 29 de janeiro de 2022, em formato online e presencial. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

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