ABC 20 anos!

Por Danielle de Noronha

A Associação Brasileira de Cinematografia foi fundada no dia 1 de janeiro de 2000 com o objetivo de incentivar a troca de ideias e informações para democratizar e multiplicar o aperfeiçoamento técnico e artístico do audiovisual brasileiro. Hoje, 20 anos depois, a ABC conta com mais de 300 associados/as, que trabalham em diferentes áreas da cinematografia, além de uma larga trajetória de atuação em distintas áreas do setor.

Semana ABC 2019.

Entre 2000 e 2019 muita coisa aconteceu! Atualmente, a ABC é associada à IMAGO (Internacional Federation of Cinematographers) e à FELAFC (Federação Latino-americana de Fotografia Cinematográfica), que aproximam a associação do mercado internacional, e realiza uma série de atividades, como oficinas e master classes. Através do fórum exclusivo para sócios/as, do site, redes sociais (Facebook, Instagram e YouTube) e do Informe ABC – boletim eletrônico enviado a cerca de 2 mil pessoas –, além de eventos como a Sessão ABC, Prêmio ABC e Semana ABC e da recém-inaugurada ABC Cursos de Cinema, a associação busca atuar tanto para divulgar como para desenvolver o audiovisual brasileiro.

Em comemoração a essas duas décadas de existência, ouvimos alguns sócios/as para traçar um panorama da atuação da ABC nesses 20 anos e também apresentar algumas perspectivas e desafios para o futuro.

 

Os primeiros 20 anos…

As primeiras tentativas de fundar a associação aconteceram na década de 1970, conforme narramos nas reportagens “Memórias da ABC”, publicadas em 2013. Naquela ocasião, através das memórias de diretores de fotografia que estiveram envolvidos nessas primeiras iniciativas, contamos um pouco sobre a (pré)história da ABC e seus primeiros anos de existência.

Reunião da primeira tentativa de criar a ABC, em 1977, no escritório de Cydno Silveira. Na fotografia: Fernando Duarte, Gilberto Otero, Lauro Escorel, Edson Santos e o técnico de som Mario Silva. Foto: Walter Carvalho.

Como nos lembra o diretor de fotografia Lauro Escorel, ABC, um dos fundadores da associação, a ABC é resultado de todas essas tentativas anteriores que visavam consolidar uma associação que unisse profissionais da cinematografia. Para ele, o desejo de reunir os diretores/as de fotografia para compartilhar experiências e conhecimentos está na raiz do projeto da ABC. “Persistimos pela certeza de que isso ajudaria a melhorarmos a prática e o ensino da cinematografia no nosso país”, comenta.

Affonso Beato, ASC, ABC, que também participou da criação da associação, enumera duas características principais que possibilitaram o desenvolvimento da ABC: ser uma associação virtual – que facilita e possibilita uma comunicação mais rápida e sem fronteiras – e atuar numa área que precisa de constante “socialização tecnológica”. Conforme explica Beato, a cinematografia, em especial a direção de fotografia, passa por diversas e rápidas mudanças tecnológicas, o que requer que os/as profissionais da área estejam sempre em contato compartilhando experiências e informações, um dos principais pilares da ABC.

Prêmio ABC 2018: Snehal Patel, Walter Carvalho e Affonso Beato. Foto: Ricardo Alcará

Diferente da maioria das associações voltada à cinematografia no mundo, a ABC tem a característica de não reunir apenas diretores/as de fotografia, mas também profissionais de todas as áreas técnicas, como arte, som, pós-produção, além de professores/as e estudantes. Para o diretor de fotografia Azul Serra, sócio desde 2015, essa característica traz vantagens e desvantagens: “Acho que todo movimento que reúne técnicos que comungam a mesma paixão é importantíssimo e deve ser valorizado. Quando olhamos para outras associações como ASC, BSC, AMC por exemplo, elas têm um foco único para cinematografia. Talvez a vantagem seja um fortalecimento no olhar e nas ações voltadas para aquele nicho. Porém, por outro lado, se perde a oportunidade de interagir e somar interdisciplinaridades que no fim estão lá pelo mesmo motivo, fazer cinema e contar histórias”. E foi considerando esse objetivo comum – fazer cinema e contar histórias – que a ABC foi pensada para agregar as diferentes áreas.

A técnica de som Tide Borges, ABC, que também esteve presente na fundação da associação e é a atual vice-presidente, conta que, ao lado de Beato, foi uma das principais incentivadoras para esse formato transdisciplinar da ABC. “Hoje em dia o trânsito de informação entre os departamentos que realizam uma obra audiovisual é supervalorizado. Uma decisão depende de outras. A ABC é uma comunidade na qual estas informações circulam com maior velocidade e isto é uma forma de organização muito avançada. Acho que demos um passo à frente em relação às outras associações”, avalia.  A diretora de arte Marghe Pennachi, sócia há três anos, complementa: “O cinema é uma expressão de arte coletiva, portanto acho natural termos uma associação que conjugue nós todos, o potencial desta reunião de todas as áreas é enorme, nos desenvolve como indivíduos e como sociedade produtiva de audiovisual”.

Marghe Pennachi media a mesa sobre direção de arte na Semana ABC 2018.

 

Tide Borges participa de mesa sobre som na Semana ABC 2017

Além disso, para Tide, outra grande conquista da ABC foi que ao se tornar sócio/a, o/a profissional não enxerga mais o/a colega como concorrente. “Criou-se um espírito de respeito e colaboração entre os associados, pois as edições da Semana ABC demonstraram que os mais experientes estavam dispostos a dividir seus conhecimentos com os mais jovens. Além disso, somos reconhecidos por entidades internacionais, pelos fabricantes e pelas locadoras de equipamentos e pelo governo. Todos estes benefícios que tivemos com a criação da associação foram reconhecidos pela comunidade cinematográfica brasileira e foi o audiovisual brasileiro que ganhou com isto, fazendo com que nossa cinematografia evoluísse”, pondera.

Os eventos ABC

Nas palavras de Kika Cunha, todos os anos, o ponto alto da ABC é a Semana ABC: “A cada ano tem mais gente participando, mais colaboradores, mais empresas mostrando seus produtos e mais grandes nomes dando palestras. Acho que a ABC conseguiu se firmar como um órgão formador de fotógrafos e de pessoas do audiovisual”. Para a diretora de fotografia, e para grande parte dos/as demais associados/as entrevistados/as, a Semana ABC, evento anual que acontece desde 2002, é uma das principais conquistas da associação ao longo desses 20 anos, pois amplia sua força de atuação no mercado e ensino do audiovisual brasileiro.

A diretora de fotografia Kika Cunha é sócia desde o início da ABC

 

O diretor de fotografia Marcelo Trotta na exposição de equipamentos da Semana ABC 2019. Foto: Danielle de Noronha

O atual presidente, Marcelo Trotta, ABC, entende que “quando começamos a fazer a Semana ABC houve um salto para um lugar de reconhecimento de excelência no debate das tendências e questões da indústria audiovisual brasileira. Fomos ganhando uma vocação educacional e hoje fazemos um evento super profissional e de alto nível, que é oferecido para toda a sociedade e conta com apoio de patrocinadores e entidades importantes. Para a gente isso mostra que há um grande reconhecimento dos nossos quadros e das nossas atividades”.

A diretora de fotografia Fernanda Tanaka conta que as edições da Semana ABC foram parte importante de seu aprendizado. “E avaliando a comunidade cinematográfica como um todo, acredito que, além de fomentar discussões técnicas, trazer as novas tecnologias para mais perto e mais rápido, a Semana ABC é um aglutinador, onde diferentes profissionais e estudantes se encontram e trocam experiências, fortalecendo a área. Dando, inclusive, visibilidade e inserção mundial”, diz.

Fernanda Tanaka é socia da ABC há 17 anos

Para outras áreas da cinematografia, a Semana ABC também é apontada como um importante momento de formação e troca de experiências. Sócio há dez anos, o diretor de arte Marcos Carvalheiro, ABC acredita que foi fundamental, para a consolidação do ofício da direção de arte, o espaço que os/as profissionais construíram e conquistaram dentro da ABC. “Vejo como marcos importantes para nossa profissão, aqui no Brasil, as mesas de Direção de Arte com importantes profissionais de reconhecida atuação internacional que realizamos nos últimos 10 anos na Semana ABC. Esses encontros nos ‘formaram e estão a nos formar’, pois muito do que avançamos e temos consolidado dentro do departamento de arte hoje são frutos dessas discussões que foram nos amadurecendo e nos mostrando caminhos”, analisa.

Outro evento também muito lembrado pelos/as associados/as é a Sessão ABC, que acontece mensalmente na Cinemateca Brasileira em São Paulo, e já contou com algumas edições no Rio de Janeiro. O professor Rogério Luiz, sócio desde 2014, por exemplo, acredita que o evento traz em sua essência uma dupla contribuição: “ao tempo em que ajuda na divulgação do cinema brasileiro, por meio da participação ativa dos profissionais que fazem os filmes, também cria um espaço qualificado de formação. O segundo aspecto é de natureza didática. A exibição dos filmes, seguida do comentário de profissionais que os criaram, tem um destacável alcance formador”.

Marcos Carvalheiro na mesa de direção de arte na Semana ABC 2016.  Foto: Mujica Saldanha

 

O sócio Rogério Luiz é professor de cinematografia do Curso de Cinema e Audiovisual, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Além disso, o professor também apresenta uma questão importante para a ABC e associados/as construírem num futuro próximo: “Nós que estamos em outros estados que não sejam São Paulo e Rio de Janeiro, acompanhamos a iniciativa ávidos por encontrar uma forma de realizar ações como essa em nossos estados”, além de outras iniciativas, como maior aproximação com pesquisadores/as e lançamentos de livros, por exemplo.

Por último, mas não menos importante, também foi lembrado o Prêmio ABC, que acontece desde 2001. Como acredita a diretora de fotografia Silvia Gamgemi, sócia desde o primeiro ano da ABC, a premiação também é um grande estímulo para a área por ser um prêmio avaliado por profissionais do setor, já que os trabalhos vencedores são escolhidos através de votação dos/as sócios/as da ABC. Vale ainda ressaltar que a premiação deste ano é especial em comemoração aos 20 anos da ABC e traz algumas novidades, como a premiação para direção de arte e som para séries de TV e a volta das categorias de melhor direção de fotografia para videoclipe e filme publicitário.

A diretora de fotografia Silvia Gangemi

Além de diversas oficinas, master classes e workshops que foram realizados ao longo desses 20 anos, ainda vale destacar o evento que aconteceu no Rio de Janeiro, organizado pelo GT-Rio, com o diretor de fotografia italiano Vittorio Storaro, ASC, AIC que contou com uma exposição de obras do fotógrafo no MAM-Rio, visita guiada e uma master class especial para sócios/as e convidados/as.

Em resumo, ao olhar para a trajetória da ABC, Escorel acredita que nesses 20 anos foi possível assistir à consolidação da ABC tanto no cenário nacional como internacional. “Nossa atividade contribuiu de forma significativa para aproximar os associados e aproximar as diferentes categorias profissionais através do compartilhamento das suas experiências. A livre troca de informações e experiências, através das nossas listas e da Semana ABC, contribuiu também para entendermos melhor a realidade da nossa cinematografia e permitiu seu aprimoramento. Estamos em dia com os caminhos da cinematografia internacional e ao compartilhar esta experiência estamos contribuindo para formar melhores profissionais”.

Materclass Vittorio Storaro, MAM. Foto: Selmy Yassuda

 

Pós-2020: desafios e possibilidades

O diretor de fotografia Kauê Zilli foi sócio estudante em 2004 e depois, já como diretor de fotografia, se associou novamente na categoria profissional em 2014. Para ele, um dos grandes méritos da ABC é o potencial de gerar união e trocas na área do cinema, tanto sobre questões técnicas quanto artísticas, elevando o patamar da criação cinematográfica. “Nesses últimos anos tivemos uma modernização na estrutura do site e grandes melhorias na comunicação gerada pela associação, com artigos e conteúdos nas redes sociais. A ABC atingiu a sua maioridade e com isto vem uma certa maturidade. As duas últimas gestões começaram uma busca de maior inclusão e diversidade também”, analisa.

Porém, sabemos que ainda há muitos desafios a serem superados e novos caminhos e parcerias a serem trilhados, como por exemplo gerar maior união e participação dos sócios/as, ampliar a diversidade e melhorar a comunicação interna e externa, conforme pontua Zilli. Como um caminho possível, Azul Serra sugere pensarmos qual é a ABC que queremos para o futuro: “Acredito que deva ser um reflexo do que queremos para o mundo. Uma associação que seja mais representativa de gênero, raça, cor e geração. Estamos precisando diversificar, trazer pontos de vista diferentes e tornar a ABC um grande centro de cultura cinematográfica. Acho muito importante a ABC assumir um papel fundamental na formação dessas novas gerações. Incentivar programas de inclusão a longo prazo. Sair do eixo Rio-SP. Ser um expoente de união de profissionais de diferentes regiões e nichos”.

Daniel Rezende, Miriam Biderman e Azul Serra na Sessão ABC do filme Laços – Turma da Mônica. Foto: Ninho Moraes, ABC

Um primeiro grande desafio para a ABC é ampliar mais a participação de todos/as os/as associados/as no dia a dia da associação, tanto no que diz respeito a questões burocráticas como também àquelas relacionadas à produção de conteúdos para o site (como testes de equipamentos, notas de filmagens, textos sobre eventos, entre outros, que podem ser publicados por todos/as os/as sócios/as) e desenvolvimento de eventos nas mais diversas regiões brasileiras. E, por mais que a participação muitas vezes seja dificultada pela própria característica do trabalho, como reforça Marcos Carvalheiro, que no geral conta com muitas horas de dedicação dentro e fora do set, mudanças constantes de datas, etc., Serra acredita que “isso tudo só será possível com a participação real dos associados. Quando falamos em representatividade não podemos esquecer que para ela existir temos que atuar ativamente, ocupar os espaços, discussões e projetos. Não é a ABC que tem que fazer algo por nós, mas nós sermos a ABC”.

Lauro Escorel lembra que a associação é aberta e democrática. “Ela nasceu fruto da experiência e das necessidades da minha geração e agora ela tem de lidar com os novos tempos e suas demandas. Temos um estatuto e um regimento interno que buscam refletir o sentimento coletivo e que foram sendo ajustados à medida em que se fazia necessário. O desafio não é só da associação, mas é também dos associados. Nosso aprimoramento será fruto da participação de todos e da sua capacidade de apresentar novas perspectivas e necessidades. O associado precisa pensar no que pode contribuir para nossa melhoria. Novas vozes precisam ser ouvidas e as ideias serão certamente incorporadas de forma gradual. Acredito na nossa capacidade de transformação e aqui vale lembrar o lema criado há alguns anos, “A ABC É VOCÊ”. Uma mudança efetiva da associação só vai acontecer se os associados assumirem isso”, considera o diretor de fotografia.

Bárbara Lopes é sócia da ABC como assistente de elétrica

Outro grande desafio é contar com ainda mais pluralidade em termos de região (como já comentou Rogério mais acima), gênero, raça e presença de profissionais de todas as áreas da cinematografia. Como exemplo, a assistente de elétrica Bárbara Lopes, que se associou em 2018 ainda quando era estudante, acredita que a associação é um meio de crescimento profissional pela possibilidade de aproximação tanto com profissionais quanto com informações sobre o mercado. Por outro lado, ela também conta que “sentia falta da presença de mulheres na direção de fotografia e suas funções relacionadas, tanto no mercado quanto na associação. Hoje, sou a única eletricista associada, fato que chama a atenção e mostra a importância de atrairmos para a ABC mais pessoas dessa área, assim como de outras funções essenciais na construção da cinematografia”.

E esse é mais um desafio: por mais que a ABC tenha em seu quadro associados/as que atuam em diversas funções do audiovisual, ainda falta representatividade em muitas dessas categorias profissionais, como acredita também o diretor de fotografia Adolpho Veloso, sócio há seis anos. Entretanto, a editora de som Maria Muricy, por exemplo, considera que essa adesão de mais profissionais de outras áreas tem crescido. “Vários profissionais de som vêm se agregando à ABC, pois estão percebendo a importância de trabalharmos juntos pela visibilidade do nosso setor e também têm visto o excelente trabalho da ABC. Por outro lado, não temos tantas outras opções e se associar à ABC permite que fiquemos mais fortes politicamente”, reflete.

O sócio Adolpho Veloso

Para Trotta, no caso da busca por maior igualdade de gênero, a ABC já tem realizado algumas iniciativas, como as mesas na Semana ABC (em 2017 e 2019) e a série de quatro matérias extensas sobre o tema que foram publicadas no site. “Na Semana ABC do ano passado tivemos duas mulheres como convidadas internacionais foram mulheres e na composição da atual Diretoria e Conselho temos a presença de 1/3 de mulheres. Já para ações fora do eixo Rio-SP, nós temos que contar que os nossos sócios locais se juntem para promover atividades. Temos também conversações com entidades de ensino fora do eixo e estamos estudando possibilidades de master classes nestas regiões”.

Além disso, o diretor de fotografia conta que a diretoria da ABC está estabelecendo um planejamento para melhorar a comunicação entre ela e os/as sócios/as. “Detectamos que ainda podemos transmitir mais informações a respeito dos procedimentos da associação, relatar nossas atividades de inclusão em cooperação com a Spcine, e outras entidades. Outras iniciativas incluem a criação de Grupos de Trabalho, como o GT de diversidade e inclusão, por exemplo, que está em formação e tem uma importante presença de sócios que se aproximaram da diretoria com este tipo de proposta. Por fim, o mais importante é continuarmos no esforço para que mais sócios trabalhem pela associação, o que a tornará mais plural, mais representativa e mais interessante”, observa.

Nelson Kao é sócio da ABC há 10 anos

Para o operador de câmera Nelson Kao, assim como para outros/as sócios/as, a criação de comissões setoriais é um caminho interessante para ampliar a participação e pluralidade da ABC: “O envolvimento nasce naturalmente à medida que novos espaços são dados para os sócios. A criação de comissões abertas, ou subcomissões para deliberar sobre cada assunto naturalmente envolveria novos talentos e engajariam sócios dispostos a participar em prol de alguma atividade prática”. Por fim, Fernanda Tanaka acredita que o caminho para aumentar a pluralidade da associação já está sendo seguido. “A noção dessa necessidade é clara para os sócios e diretoria, e atividades vêm sendo praticadas neste sentido. Deve ser por aí, democratizando mais e mais a ABC!”.

 

Semana ABC 2020

Os profissionais e estudantes do audiovisual poderão conhecer as novidades do setor na Semana ABC 2020, que contará com um dia a mais de programação e acontecerá entre  5 e 8 de maio na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – São Paulo). O evento deste ano, especial em comemoração aos 20 anos da ABC, irá apresentar mesas sobre diversos temas, como as tradicionais voltadas à direção de fotografia, educação, som, direção de arte e montagem, além da exposição de equipamentos e serviços e outras atividades.

Rogério Luiz sugere que nessa data comemorativa a ABC assuma a pluralidade enquanto tônica. “Pode ser a melhor forma de afirmação do esforço da associação para promover uma integração entre diferentes profissionais que atuam em cinematografia no país. A participação de mulheres, de profissionais de outros estados e de estudantes é um exemplo disso. Num momento em que o cinema brasileiro sofre com imprecisões quanto à gestão pública da área e ao mesmo tempo colhe frutos em premiações internacionais como reconhecimento pelo desempenho criativo, há que se abrir espaço para as pessoas que assinam a direção das áreas de interesse da associação”, exemplifica o professor.

O diretor de fotografia Kauê Zilli

Kauê Zilli acredita que será uma Semana ABC bem importante. “Devemos usar isso para nos motivar a criar uma semana que una os valores e metas que queremos para esses próximos dez anos, olhando o que deve ser mudado, o que deve ser amadurecido e o que deve ser comemorado”. Para o diretor de fotografia, “a ABC tem muitos méritos e muita potência para se tornar cada vez melhor, vamos trazer mais diversidade e ação para essa entidade tão importante para o cinema nacional”.

Nesse sentido, Escorel conta que o desejo é realizar um evento à altura do prestígio consolidado até o momento, quando serão também lançadas as bases para a ABC dos próximos 20 anos: “Pela primeira vez a eleição da nova diretoria ocorrerá na sequência da Semana ABC e por isto esperamos que a participação dos associados no evento ajude a pensarmos o futuro da nossa associação. Essa participação pode começar desde agora, propondo temas para nossas mesas, sugerindo convidados nacionais e internacionais que seriam interessantes e durante a semana aproveitar o evento para discutir o futuro. Em suma, desejamos que o evento nos projete para o futuro”.

Cerimônia de entrega do Prêmio ABC 2018. Foto: Ricardo Alcará

Trotta conclui: “Será uma Semana ABC especial e que vai consagrar esses 20 anos de esforços de uma equipe dedicada e celebrar a comunhão que a Semana e o Prêmio ABC representam. Há uma grande turbulência política, mas estamos confiantes que vai dar para contar com os nossos patrocinadores e que vamos conseguir fazer mais uma Semana ABC com a casa cheia, muito variada e interessante”. Vida longa à ABC!

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