Adrian Teijido, ABC fala sobre a fotografia de Sergio

Por Danielle de Noronha

No dia 17 de abril estreia na Netflix o filme Sergio, dirigida por Greg Barker e fotografado por Adrian Teijido, ABC. O filme retrata a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e relata os últimos dias de vida do diplomata brasileiro, funcionário da ONU que morreu aos 55 anos em Bagdá, vítima de um ataque terrorista na sede local da instituição.

Confira a entrevista que realizamos com o diretor de fotografia sobre o trabalho no filme.

Como foi o convite para você participar do Sergio?

Durante a pré de Marighella o Wagner Moura me comentou sobre o “Sergio” e me apresentou o Greg Barker, fizemos um Skype e combinamos de nos encontrar em Los Angeles, assim que eu acabasse de filmar Mariguella, pois ele estaria entrevistando Diretores de Fotografia, Diretores de Arte entre outros.

Li o roteiro, vi o documentário que Greg dirigiu sobre Sergio Vieira de Mello em 2008 e estudei uma vasta pesquisa de arquivo que recebi da produção. Fiquei fascinado com a vida do Sérgio, e me preparei para a entrevista com referências, e com uma ideia muita avançada de como eu acreditava que Sergio deveria ser filmado. Ir para LA foi um investimento pessoal, pois queria muito filmar esse projeto. Conversamos sobre o Sergio durante horas, nossa afinidade foi muito boa e natural, porém ele me disse que bateria o martelo só após acabar de fazer todas as entrevistas, a resposta demorou três semanas, eu já estava quase desistindo…

Você tem experiência em fotografar cinebiografias. Quais foram as principais particularidades deste filme? Onde buscou inspiração e referências?

Filmar Cinebiografias não é fácil, pois você tem que resumir uma vida inteira em aproximadamente duas horas, o roteirista e o diretor têm que escolher o que você quer contar, pois muita coisa importante será deixada de lado. Um truque que sempre funciona é o do flashback, no caso do Sergio, após a explosão e ele ficar semi-inconsciente nos escombros, este estado nos levava às suas memórias. As principais referências foram o material de arquivo, e na conversa com Greg entendemos que deveríamos filmar como se fosse um documentário, queríamos que as cenas fossem o mais reais possíveis.

Como comentou, o diretor Greg Barker já havia dirigido um documentário sobre o Sergio Vieira de Mello e tem bastante proximidade com a história do diplomata. Como foi trabalhar com ele?

Greg é uma pessoa extremamente generosa, especialista no oriente médio, pois trabalhou muitos anos como jornalista na região e também como um dos diretores do programa Frontline, ele sempre se dirigiu aos Jordanianos, Palestinos e Tailandeses com muito respeito e humildade. Ele tem uma admiração pessoal muito grande por essas culturas. É impressionante o seu conhecimento sobre elas, aprendi muito com ele.

Quais câmeras e objetivas foram utilizadas e por que você as escolheu? Foram realizados testes prévios?

Por se tratar de um Original Netflix tínhamos que rodar no mínimo em 4K, eu também queria configurar a câmera leve para poder filmar com muita câmera na mão. Optei em filmar com Red Helium em 8K com objetivas Leicas Summicron. Fiz testes filmados no Rio, em Amã, pois queria entender bem os limites do Sensor Helium e também gosto de simular situações que vou filmar para aprender a condição da luz local, assim como a paleta de cor existente.

Em quais locais Sergio foi rodado e como foi a experiência em cada um desses lugares?

Filmamos em Amã, capital da Jordânia e na Tailândia. Trabalhei com equipe de câmera Tailandesa pois em Amã ainda existe uma escassez de equipe. Foi fascinante trabalhar como os Jordanianos, que são muçulmanos, e também com os Tailandeses, que são Budistas. Em Amã trabalhamos com pessoas das duas nacionalidades e foi ótimo, além disso na ordem do dia vinha escrito os horários das rezas, pois nessas horas tínhamos que parar por causa do som direto.

Quais são as características e diferenças de participar de um projeto internacional para a Netflix?

É o primeiro longa que faço para a Netflix, tudo rolou muito bem, tínhamos bastante independência, mas a Netflix sempre esteve próxima acompanhando as decisões em relação a tudo e a produção tinha que dar updates semanais de como as coisas estavam andando.

Você e o Wagner Moura já trabalharam juntos em muitos projetos. Como foi repetir essa parceria em Sergio?

Fiquei muito próximo ao Wagner, é um grande parceiro e amigo, é sempre um prazer estar com ele no set, pois ele imprime uma paixão pelo que faz que contagia a todos. É um cara que mergulha fundo em tudo que se propõe a fazer. Com o Wagner no set tudo melhora, e a atenção fica naturalmente redobrada, o que é muito bom.

Poderia nos falar um pouco sobre a relação da equipe de foto com as equipes de arte e som?

Johny Breedt, sul-africano, foi o Production Designer, ele tem uma enorne experiência em projetos políticos, filmou Hotel Ruanda e Mandella. O cenário que ele construiu nos estúdios em Bangkok do lado interno dos escombros foi incrível, foi um cenário que foi desenvolvido passo a passo, com esboços, maquetes e simulações para que fossemos aprendendo.

Erick Meiselman fez som direto, muito experiente em documentários, o que ajudou muito pelas condições que tínhamos.

Tínhamos sempre duas câmeras no set. Como disse, tive uma equipe de câmera tailandesa, extremamente boa, Ning foi minha foquista principal, Aye foi o outro foquista, Richie Moore é um câmera americano, que mora em Bangkok, que me ajudou a organizar a equipe e Ariel Schvartman foi câmera e operador de Steadicam.

Como foi o workflow de pós e qual sua participação nele?

Voltei a Los Angeles para colorir o Sergio. Jan Yarbrough foi o colorista na Warner Bros, fez um excelente trabalho. Me lembro que depois de explicar o conceito ele me disse: ‘sim entendi, você quer um “Cinematic Look”’, perfeito é isso!

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Sim, gostaria de destacar o trabalho do assistente de direção Charlie Edean, que fez Game of Thrones, extremamente experiente, e foi fundamental para absolutamente tudo!Martin Trujillo, Maquiagem e Cabelo, experiência e gentileza em pessoa.

Teijido também foi entrevistado na Live ABC, em que conta mais sobre o trabalho no Sergio e em outros filmes. Em breve, a entrevista estará disponível no YouTube da ABC: https://bit.ly/playlist_liveabc

Ficha Técnica

Diretor: Greg Barker
Ass. de Direção: Charlie Edean
Produtores: Wagner Moura, Brent Travis, Daniel Dreifus
Coordenador de Produção: Stephen Marinaccio
Production Designer: Jonhy Breedt
Diretor de Fotografia: Adrian Teijido, ABC
Maquiagem: Martin Trujillo
Figurino: Jo Katsaras
Som Direto: Eric Meiselman
Câmera/Steadicam; Ariel Schvartzman
Câmera: Richie Moore
Gaffers: Wirot (Tailandia), Ezz Isleen (Jordania)
Grips: P’Jo (Tailandia) , Harb Qusai (Jordania)
Ass. de Câmera: Ning e Aye

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