Cineasta Hector Babenco é homenageado em mostra no IMS Paulista

Nome fundamental do cinema nacional, falecido em 2016, o diretor Hector Babenco tem sua obra celebrada em uma nova mostra no IMS Paulista. Intitulada “Babenco em cartaz”, a programação acontece de 22 de setembro a 9 de outubro e inclui seis longas-metragens, além de uma exposição no hall do cinema. Em novembro, segue para o IMS Rio.

Realizada em parceria com o projeto Memória de Hector Babenco, da HB Filmes, a mostra marca a estreia da cópia restaurada em 4K de “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia” (de 1977, na foto), filme estrelado por Reginaldo Faria, que foi recordista de bilheteria no ano de seu lançamento, com sucesso de crítica e público. Depois da exibição no IMS, a nova cópia será vista pela primeira vez no exterior em outubro, no Festival Lumière, em Lyon, França.

No dia da abertura da mostra haverá um debate em torno da restauração do longa-metragem com participação dos sócios Lauro Escorel, ABC, diretor de fotografia do filme, Patrícia de Filippi, ABC, restauradora, além de Myra Babenco, diretora da HB Filmes e filha do cineasta. Também será abordada a atualidade do longa, que, em 1977, impactou a sociedade brasileira ao retratar atrajetória de Lúcio Flávio, conhecido por seus roubos a banco e fugas espetaculares, e sua perseguição pela polícia. Ao expor a brutalidade de um grupo criminoso da polícia brasileira conhecido como Esquadrão da Morte, o filme passou por censura e se tornou uma peça da história do cinema brasileiro.

Além de “Lúcio Flávio”, a mostra exibirá versões restauradas dos longas-metragens “O rei da noite” (1975), primeiro filme de ficção do diretor, que mostra a vida do jovem boêmio Tezinho, e “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), outro título consagrado do cineasta, que denuncia as más condições de vida de crianças em reformatórios. O restauro dos três longas foi fruto da iniciativa do projeto Memória de Hector Babenco, da HB Filmes.

Segundo o curador de cinema do IMS,Kleber Mendonça Filho, são títulos fundamentais tanto para a conservação da história do cinema nacional quanto para a compreensão da sociedade brasileira. “Os retratos do Brasil filmados por Babenco nas últimas quatro décadas mostram que o país continua com as mesmas áreas inflamadas, e agora com sinais de retrocesso”, afirma o curador.

A programação incluirá ainda os filmes “Brincando nos campos do Senhor” (1990), já do período internacional do diretor; “Meu amigo hindu” (2015), seu último filme, inspirado no seu processo de luta contra o câncer; e o documentário “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” (2019), homenagem ao cineasta feita pela diretora e atriz Bárbara Paz.

Durante o período da mostra, o hall do cinema apresentará uma exposição, com materiais históricos relacionados à produção e circulação dos filmes “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”, “O rei da noite” e “Pixote, a lei do mais fraco”. Serão exibidos roteiros, fotos, cadernos e cartazes, entre outros itens.

O valor dos ingressos é de R$10 a inteira e R$5 a meia.

Fonte: Tela Viva

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