CineSesc realiza retrospectiva de Milos Forman

A retrospectiva do cineasta tcheco naturalizado americano Milos Forman exibirá, no CineSesc, em São Paulo, todos os longas-metragens do diretor feitos para o cinema. Cópias em 35mm, do início de sua carreira, virão do Arquivo Nacional do Filme, em Praga, República Tcheca, e de outras cinematecas européias, como o Deutsche Kinemathek, em Berlim. Outras cópias em digital também serão exibidas, algumas em 4K. As exibições ocorrerão de 2 a 15 de maio.

Além dos longas, haverá a exibição do curta-metrgem Saudades de Sonia Henie e o documentário Visions of Eight, feitos em parceria com outros cineastas. Esse ultimo é um filme em episódios sob encomenda do Comitê Olímpico Internacional, que conta com a participação de Claude Lelouch, Arthur Penn, Kon Ichikawa, entre outros diretores. O making of do curta Sonia Henie, também exibido, é inédito no Brasil.

Todos os títulos serão exibidos duas vezes. Um catálogo ilustrando os filmes, com as fichas técnicas, fotos, textos sobre sua obra e informação crítica acompanha a mostra. As exibições também serão acompanhados de um curso ministrado pelo critico Sérgio Alpendre, que dará um panorama da influência do cineasta desde a Nouvelle Vaghe Tcheca até a Hollywood dos anos 80.

Milos Forman é considerado um dos grandes cineastas estrangeiros que escolheram Hollywood nos anos 70 e 80, fugidos da repressão comunista de sua terra natal. Formado na academia de Filmes de Praga, se destacou no começo da carreira com outros cineastas como Ivan Passer, formando o que se convencionou chamar a Nouvelle Vague Tcheca.

Desse início em Praga, há filmes como Pedro, o Negro e O Baile dos Bombeiros, onde satirizava o regime comunista. Com Os Amores de uma Loira, entretanto, despertou a atenção internacional para sua obra. Esses filmes foram banidos de exibição por um longo período durante a ocupação soviética.

Já nos EUA, a partir de 1968, seus primeiro longa não obteve sucesso de público: Procura Insaciável, mergulhando o diretor em uma crise depressiva que apenas se livraria com o sucesso de Um Estranho no Ninho, que o catapultou para o primeiro time de Hollywood, embora sempre se manteve subversivo dentro do esquema hollywoodiano.

Um Estranho no Ninho levou alguns Oscars para casa e possibilitou escolher levar ao cinema o musical Hair, adaptação da Broadway.

Após Hair, produziu a obra-prima Amadeus (na mostra, será exibida a cópia da versão do diretor), a história de inveja e da admiração que Antonio Salieri sentia por Mozart. O filme ganhou oito Oscars e tornou-se um dos mais importantes filmes dos anos 80.

Em O Povo contra Larry Flint ganhou o Urso de Ouro em Berlim. O filme, uma biografia do controverso magnata da pornografia Larry Flint, abriu debates sobre a liberdade de expressão e da censura nos EUA.

Mios Forman obsessivamente fez uma escolha muito consciente de reportar em seus filmes a opressão que sujeitos considerados párias sociasi, desajustados, fora da ordem, sofriam perante a sociedade de suas épocas. A luta inglória do indivíduo contras as instituições.

A mostra é uma realização do Sesc São Paulo, com produção da distribuidora FJ Cines, curadoria de Giscard Luccas e apoio institucional do Consulado da República Tcheca em São Paulo.

Fonte: Revista de Cinema

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