“Das Unheil”: filme alemão fotografado por Dib Lutfi será exibido no Brasil pela primeira vez

Lauro Escorel, Dib Lutfi e Peter Fleischmann

No dia 8 de dezembro, às 18h30, a Cinemateca do MAM-Rio fará uma homenagem ao diretor de fotografia Dib Lutfi com a exibição de “A Catástrofe” (Das Unheil), filme em que o fotógrafo trabalhou em 1970, na Alemanha.

Esta obra, dirigida por Peter Fleischmann, narra uma fase da vida de Hille (Vitus Zeplichal), jovem estudante que mora numa pequena cidade em preparação para a chegada dos sinos da igreja. Lançado apenas na Europa – no Festival de Cannes de 1972, onde ganhou o prêmio Luis Buñuel – o filme ficou esquecido até 2015, quando começou a ser restaurado no Deutsche Filminstitut, em Frankfurt. Após a sessão haverá conversa com o diretor de fotografia Lauro Escorel, ABC (assistente de Dib Lutfi na época) e o diretor de fotografia Jacques Cheuiche, ABC.

Como celebração aos 50 anos do filme, uma cópia digital vem pela primeira vez ao Brasil e, além da sessão no Rio, será exibida em São Paulo, no dia 27 de novembro, às 20h, na Cinemateca Brasileira, e em Belém, no dia 22 de dezembro, às 19h, no Cine Líbero Luxardo.

O projeto de cooperação internacional foi coordenado pelo cineasta e pesquisador Michel Schettert, com apoio da Casa de Estudos Germânicos de Belém e do Goethe-Institut.

Sobre o filme:

Alemanha, anos 1970. Uma pequena cidade se prepara para celebrar a volta dos sinos que haviam sido confiscados da igreja à época da guerra. Quem consegue repatriá-los é o pastor Leonard Wawra, chefe de uma família protestante composta por uma mulher dona de casa e dois filhos jovens, Dimuth e Hille. A primeira, mais velha, terminou a escola e resolveu desviar da faculdade através da fama. Posou nua em umas fotos e foi à Roma tentar a carreira de modelo, porém voltou para casa dos pais depois de ter sido enganada pelo agente italiano. Já o caçula, o jovem Hille, passa pela crise do vestibular pela segunda vez. A narrativa do filme se dá através da voz deste, que comenta a maré de azar antes da entrada na vida adulta. Há diversos flashbacks. Ele olha para a irmã como um horizonte, já que ela teve sucesso em afrontar a família conservadora; Arma uma mentira para fugir do exame de Latim, fingindo-se doente; Envolve-se com colegas subversivos que querem explodir instituições. As paixões de Hille saltam entre uma senhora infiel e uma mocinha da Igreja. Desmotivado, ele ainda esquece de cuidar da loja de animais que lhe fora confiada. Todos os bichos morrem de um dia para o outro. Fica a pergunta: a culpa é de Hille, um garoto irresponsável, ou isso seria um sinal da catástrofe porvir?

A cidade está agitada. A festa dos sinos será patrocinada pela indústria local, a qual é criticada por poluir o meio ambiente e desprezar seus funcionários. Os lixeiros estão em greve. Hille diz que a luta deles está mais bem organizada do que os seus colegas subversivos – entre eles um desertor do exército e dois alunos banidos da escola. Eles brigam entre si por não haver um plano de ataque eficiente. Eles guardam também uma arma biológica. Hille se acha um potencial criminoso. Enquanto isso, sua irmã corre atrás de dinheiro. Dimuth pede a um velho amigo e rouba da própria mãe. Faz visita a um biólogo que investiga o tumor de um cisne contaminado por cianeto. Há sérios problemas com o rio da cidade e tudo indica que a fábrica não trata seus resíduos como deveria. O pastor, pai desses jovens e figura política da região, mantém a festa dos sinos apesar do caos.

Curiosidades:

“A Catástrofe” (Das Unheil) é um filme a cores que ultrapassou os 55.000 metros de celuloide rodados (com dinheiro da United Artists), em 11 semanas, repleto de planos-sequência magistrais realizados pela dupla Dib Lutfi e Lauro Escorel. Trata-se de uma obra inédita do currículo dos dois fotógrafos, uma oportunidade única para críticos, cinéfilos e fãs de dois dos maiores diretores de fotografia do cinema brasileiro.

O filme foi rodado após o polêmico Festival de Berlim de 1970, em que não houve vencedores. O diretor Peter Fleischmann – então expoente do Novo Cinema Alemão – assistiu ao filme “Os Deuses e Os Mortos” e interessou-se pelo trabalho de Dib Lutfi, que estava na comitiva brasileira junto ao diretor Ruy Guerra e ao ator Ruy Polanah. Fleischmann então convidou Dib para trabalhar e os dois Ruys incentivaram o fotógrafo a ficar na Alemanha. Dib aceitou o convite e acabou rodando uma ficção – “Das Unheil” – e um documentário – “Mein Freund der Mörder” – filme que dá voz a um assassino político, Bernhard Kimmel, o qual também atua em “Das Unheil” no papel de desertor.

Ficha Técnica:

Título: Das Unheil
(A Catástrofe; Havoc; Les Cloches de Silésie)
Ano: 1972
Duração: 104’
País: Alemanha
Classificação: 12 anos
Direção: Peter Fleischmann
Roteiro: Peter Fleischmann, Martin Walser
Produção: Hallelujah Film, München / Artemis Film, Berlin
Les Production Artistes Associées, Paris
Fotografia: Dib Lutfi
Montagem: Odile Faillot
Designer de Produção: Heinz Eickmeyer
Assistente de Direção: Jean-Francois Stevenin
Roteiro: Ina Fritsche
Som: Karl Heinz Frank
Assistentes de Câmera: Lauro Escorel, Ricardo Souzet
Música: Xhol, Unter Verwendung der Passacaglia in D-Moll von Max Reger,
Organist und Chorleitung Karl Wolfgang Schäfer
Distribuição: United Artists (35 mm), Atlas (16 mm)

Elenco:

Hille – Vitus Zeplichal
Dimuth – Silke Kulik
Pai – Reinhard Kolldehoff
Mãe – Helga Riedel-Hassenstein
Industrial, Dr. Hauchesein – Werner Hess
Esposa do Industrial, Sibylle – Ingmar Zeisberg
Roswitha – Frédérique Jeantet
Gabi – Gabi Will
Farmacêutico – Christoph Geraths
Desertor – Bernhard Kimmel
Biólogo, Uli Walter – Ulrich Greiwe
Professor de Biologia – Erich Filipek
Professor de Latim – Werner Meinel
Velho trompista – Ludwig Beyer

Apoio:

Topo