Enio Berwanger, Bruna Guerin e Gabriel Godoy falam da experiência remota em Fluxo

Por Danielle de Noronha

Com direção e roteiro de André Pellenz e fotografia de Enio Berwanger, Fluxo é o primeiro longa-metragem brasileiro a ser filmado de forma totalmente remota. O filme foi realizado em três semanas, com profissionais de diferentes cidades, e conta a história de um casal em uma grande crise amorosa, que é interpretado por Bruna Guerin e Gabriel Godoy: Carla tem como prioridade seu emprego como advogada, enquanto Rodrigo, um terapeuta motivacional, vê que a relação chegou ao fim mas não pode se mudar por conta das dificuldades atuais.

Confira a entrevista que realizamos com o diretor de fotografia e os atores Bruna e Gabriel sobre a rotina de filmagem e o processo de realização do filme.

 

Antes da pandemia vocês estavam desenvolvendo algum projeto? Se sim, como foi esse processo de pausa e quando o projeto será retomado?

Enio Berwanger: Em abril iriamos rodar um longa-metragem. Foi adiado sem data para voltar. Talvez ainda seja gravado este ano, mas ainda não temos a definição. Não chegamos a começar a pré-produção. O projeto foi parado 15 dias antes de começar. A quarentena está sendo um aprendizado em muitos sentidos. Profissionalmente falando, a quarentena está fazendo com que a gente tenha que pensar “fora da casinha”. Soluções nunca antes imaginadas. Nunca imaginei trabalhar num longa-metragem sentado no meu escritório. Sem o domínio dos equipamentos. Sem sentir o ambiente do set de filmagem. Sem troca de opiniões com a equipe. Enfim, um aprendizado que tira a gente da zona de conforto a que estamos acostumados. Toda a segurança que você tem ao entrar num set de filmagem, não existe em um projeto remoto. Uma experiência interessante, única, mas espero que fique para a história como algo que passou rápido.

Bruna Guerin: Eu estava gravando a novela das 7 “Salve-se Quem Puder” e em cartaz no Rio de Janeiro com o musical de David Bowie “Lazarus”, dirigido pelo Felipe Hirsch. Faltavam mais duas semanas para acabar a temporada e no caminho para o teatro, numa sexta-feira, recebi um telefonema do produtor dizendo que a temporada tinha sido cancelada. Disse para mesmo assim passar no teatro pois precisava retirar os objetos pessoais do camarim. Um choque! A peça não tem data de retorno. Já a novela, voltei a gravar dia 20 de agosto.

Como surgiu o convite para vocês integrarem a equipe do filme Fluxo?

E.B.: O convite veio através dos produtores do longa, Cosimo Valerio e Angelo Salvetti, da produtora Media Bridge do Rio de Janeiro, com quem eu já havia trabalhado em outro longa. Me apresentaram para o diretor, André Pellenz, conversamos e aceitei o desafio.

Gabriel Godoy: Eu trabalhei no filme “Gosto Se Discute” do André Pellenz, já nos conhecíamos. Ele estava atrás de um casal de atores que morasse juntos e foi justamente ai que surgiu o convite.

 

Quais foram os primeiros passos para entender e começar o desenvolvimento do projeto?

E.B.: O primeiro passo foi estudar o roteiro para pensar em como viabilizar as gravações sem equipe. Conversar muito e entender as limitações que teríamos. A regra principal e básica era que nunca a equipe entraria no apartamento do casal de atores, Gabriel Godoy e Bruna Guerin. Eles são um casal na vida real, moram juntos, e, em respeito a pandemia, não teríamos nenhum contato pessoal com eles. Daí para frente, teríamos que pensar em como preparar tudo para a filmagem, que seria feita em três semanas, no esquema 5×2, 5 dias de filmagem e 2 de descanso.

Como preparar o casal para que além de atuarem, fossem nossa equipe de câmera, luz, maquinaria, direção de arte, maquiagem, som, enfim, todas as funções necessárias. Como viabilizar toda a estrutura para que o diretor, que mora e dirigiu do Rio de Janeiro, eu em SP, a diretora de arte em SP, a assistente de direção em SP, os produtores no RJ pudéssemos acompanhar toda a filmagem com uma qualidade de imagem que nos fizesse sentir que estávamos lá no set. Diferentemente de alguns comerciais que foram filmados na pandemia, em que parte da equipe fazia testes de Covid-19 antes de ir para as locações ou estúdios, nós não teríamos ninguém na locação. Absolutamente ninguém. O único contato seria na entrega dos equipamentos, devidamente esterilizados, na porta do apartamento. Direção de arte também atuou da mesma forma, entregando alguns poucos objetos para complementar a locação, também entregues na porta devidamente esterilizados.

G.G.: Nós tivemos a sorte de ter rodado um piloto de duas diárias com o Tom Stringuini gravado remotamente também antes do “Fluxo” e estávamos gravando nossa própria websérie “Do Seu Lado” no IGTV do Instagram. Um trabalho entre amigos onde atuávamos e produzíamos tudo. Ou seja, tivemos a sorte de ter tido um breve treinamento antes do “Fluxo”. Ajudou a gente chegar já entendendo o que era um set de gravação remoto. Mas as surpresas e imprevistos são inevitáveis e aí que temos/tivemos que ter muita calma e inteligência para entender os desafios. É um set onde fica extremamente claro que um precisa do outro, que um precisa confiar no outro. Penso que sempre deveria ser assim, mas nessa situação isto gritou. E o Enio sempre confiou na gente exercendo a função dele e com isto fomos criando uma química de trabalho. A importância do coletivo foi fundamental, pois eu e Bruna chegamos no nosso limite de exaustão vários dias e ter esses pilares para nos ajudar foi essencial.

Enio, poderia nos contar um pouco sobre o processo para conhecer a locação e pensar a luz do filme?

E.B.: Fluxo foi realizado 100% remotamente. Algumas cenas externas de cidade durante a pandemia serão compradas de arquivo. Para conhecer a locação, fiz um pedido ao casal de atores que me mandasse fotos e um vídeo do apartamento mostrando todos os detalhes de cada ambiente. Janelas, cortinas, luz entrando pelas janelas em diferentes momentos do dia, iluminação noturna, luminárias, enfim, imagens diurnas e noturnas do apartamento para entender o quanto seria necessário complementar a luz natural e artificial. Recebi ótimos vídeos e fotos com todos os detalhes. Horários de sol, por do sol, luz noturna, enfim, tudo que eu precisava. Vi no google maps a orientação solar do apartamento. Tivemos muita sorte de ter uma orientação solar excelente. Uma luz de sol direto que entrava pelas janelas da sala, da cozinha e do banheiro pela manhã, e nos dois quartos à tarde. Já existiam cortinas brancas para suavizar a entrada de luz quando necessário, e nos quartos persianas que podiam ser fechadas para simular noite. Realmente tivemos sorte com a luz existente. Isso facilitou muito porque eu só precisaria complementar a luz, e não iluminar um ambiente. Grande parte do filme se passa durante o dia, e a luz natural era ótima. E o apartamento tinha as paredes brancas, o que fazia com que a luminosidade se espalhasse com facilidade. Para as noturnas, usamos as luminárias existentes, mais a luz do apartamento, e a pouca luz que mandei para eles, um ring-light, um painel de Led de 30cm e 3 fresnéis de 650w. Só isso.

E quais câmeras e lentes foram utilizadas no filme? Por que elas foram escolhidas?

E.B.: Usamos duas câmeras, uma Canon C200 com três lentes zoom, 16-35mm, 24-70mm e 70-200mm, e uma handycam Canon XA55 com lente zoom fixa (equivalente a 25-380mm). A escolha das câmeras veio depois de uma conversa com o diretor, que pediu para que as câmeras fossem fáceis de usar, leves e que gravassem em 4K. Ele queria que tivéssemos uma câmera principal, e uma câmera que pudesse ser usada na mão pelo casal em vários momentos. Sugeri a C200 pela facilidade, pela leveza, por gravar em Canon Log, e porque poderíamos usar o foco automático com as lentes Canon. Muito importante esta decisão, porque acabamos usando bastante o foco automático. O ator e a atriz, além de atuarem, teriam que operar as câmeras. Se tivessem que corrigir o foco também, teriam muitas coisas para pensar ao mesmo tempo, sem a experiência de ter feito tudo isso junto antes. Com certeza atrapalharia. Além disso, com a C200 eu poderia monitorar o waveform a distância, tendo mais segurança para expor. O waveform da C200 aparece a um simples toque de um botão. Quanto à câmera leve, a handycam que o diretor pediu, fizemos alguns testes e decidimos pela Canon XA55 porque ela também grava em 4K, é extremamente leve, de fácil manuseio, e com um menu simples de touchscreen no monitor da câmera. Isso facilitou muito para o casal e para mim. Eu e o assistente de câmera estudamos bem as duas câmeras para que qualquer pergunta do casal fosse respondida rapidamente, para não perdermos tempo. Fiz testes com as duas câmeras e pedi para um amigo colorista analisar o resultado e ver se as duas câmeras poderiam trabalhar juntas. O resultado foi ótimo e definimos essas duas câmeras.

A Bruna e o Gabriel foram os responsáveis por operar as câmeras. Como aconteceu o diálogo entre vocês três e como era a dinâmica deste trabalho?

E.B.: Primeiro fizemos um call para explicar o funcionamento das câmeras e luzes. O assistente de câmera explicou os detalhes e as funções mais importantes das câmeras para o casal. A C200 foi entregue já configurada de acordo com as nossas decisões. A XA55 também, por mais que seja uma câmera que tenha menos opções de configuração. Como eles já tinham feito a websérie, com um equipamento mais simples, já tinham uma noção de uso de câmeras. Isso facilitou muito. Eles também eram muito interessados em aprender a usar as câmeras. No início esse foi um dos meus receios, o fato de eu depender deles para tudo. Fiquei com medo de atrapalhar a atuação deles com as minhas necessidades com o equipamento. E também tinha receio de ter uma relação difícil porque a função principal deles era atuar, e eu certamente iria quebrar a concentração deles várias vezes com pedidos técnicos. Mas a Bruna e o Gabriel foram sensacionais. Além da atuação incrível, foram excelentes operadores de câmera, e rapidamente entenderam o uso das câmeras, e os menus delas. Em vários momentos enquanto um deles atuava, o outro operava uma das câmeras na mão, e ajudava dando o texto. Por isso o foco automático foi muito importante. Usamos foco manual sempre que uma câmera estava no tripé, e os dois atuando. Geralmente planos mais abertos e com a C200. Já nas cenas em que eles operavam a câmera na mão usamos o foco automático para facilitar tudo. E preciso dizer que nas duas câmeras o foco automático me surpreendeu. Impressionante essa tecnologia. O foco busca o rosto das pessoas. Nos ajudou imensamente. A nossa dinâmica de trabalho era simples. Entrava a direção de arte primeiro e preparava o set conforme o combinado. Logo em seguida eu entrava e o casal posicionava as câmeras comigo. Logo depois a direção de arte fazia os ajustes com imagens das câmeras, e quando o set estava pronto, chamávamos o diretor para ajustes finais e ensaios.

B.G.: Tivemos a sorte de ter um fotógrafo muito generoso e calmo para explicar tudo para gente, além da sua equipe como o Allan e o Keller. O Enio mais do que conduzir foi ensinando a gente a entender as câmeras e o trabalho com a luz. No final fomos nos soltando e propondo enquadramentos o que tornou o trabalho muito interessante.

Podem nos contar um pouco sobre qual é a dinâmica de um set remoto e como se davam os diálogos com as demais equipes, como arte, direção e som? Quais as principais dificuldades e soluções encontradas?

B.G.: Sempre pelo Google Meet e Zoom. No início da diária, sempre nos dividíamos entre arte e luz. Em 1 hora deixávamos tudo praticamente pronto para o diretor e “os atores” entrarem. Deixávamos a parte técnica de lado para mergulharmos na interpretação e na cena. 10 horas de trabalho diários de segunda a sexta com 1 hora de almoço. Como era na nossa própria casa, a desprodução também ficava por nossa conta. No fim da diária, tentávamos ao máximo deixar a casa com cara de casa e não de set. Foi essencial para descansar a mente, recarregar e zerar, pois no dia seguinte começava tudo de novo.

E.B.: A dinâmica do set remoto é interessante. Todos nós entrávamos em um horário marcado, e começávamos a trabalhar. Como Bruna disse, nos comunicávamos por duas plataformas. Tentamos usar uma só plataforma, mas tivemos um problema de eco que atrapalhava bastante na hora de rodar as cenas. Todos os microfones tinham que ser desligados para evitar o eco, e isto atrapalhava o diretor. Obviamente precisávamos dos microfones das câmeras ligados para ouvir a atuação, e isto, o liga/desliga, atrapalhava demais o andamento de tudo. A solução encontrada pela assistente de direção foi separar as plataformas. As câmeras eram monitoradas pelo Zoom, com áudio ligado, e nós nos comunicávamos pelo Google Meet, podendo só desligar nossos microfones e não os das câmeras. Tínhamos uma pequena estação que não passa de um laptop com o Zoom, onde as duas câmeras estavam ligadas através de placas de captura de vídeo e longos cabos. O assistente de câmera controlava esse computador direto da casa dele. Não controlava as câmeras, mas controlava o acesso das câmeras ao computador e ao Zoom. Ele “ligava” as câmeras ao computador. Já as nossas conversas eram feitas através do Google Meet. Eu, por exemplo, usava o Zoom no meu computador desktop, com tela grande para monitorar as câmeras, e usava o Google Meet em outro computador ou as vezes no celular para me comunicar com a equipe e o diretor. E obviamente além disso tudo conversávamos por whatsapp também.

 

A minha equipe era o assistente de câmera, que na verdade eram dois que se revezavam conforme a necessidade. A relação com a diretora de arte, Raiza Antunes, foi ótima. Nos entendemos bem e trabalhamos juntos, principalmente nas questões de janelas, cortinas abertas ou fechadas, luzes de luminárias, ângulos que favorecessem a ela e a mim. A gente tem que trabalhar muito junto nesse tipo de projeto. Tem que entender as necessidades do outro. O som foi feito por nós mesmos. Tínhamos microfones direcionais nas duas câmeras, um em cada canal, e o outro canal da câmera gravando o som ambiente. Também usamos um gravador de som chamado Zoom (mesmo nome da plataforma de comunicação ) e nele gravamos o som através de microfones de lapela na Bruna e no Gabriel. Tivemos muitas dificuldades com os lapelas porque o apartamento deles fica próximo da Av. Paulista e as interferências são absurdas. Alguns dias ouvíamos o som de uma rádio que era captado pelos lapelas sem fio. Pesquisamos, conversamos com técnicos de áudio, e decidimos seguir em frente. Em alguns dias de gravação o áudio das câmeras nos salvou.

O diretor e a assistente de direção, Nara Marinho, estavam sempre presentes. Nara foi uma grande parceira na solução de problemas, principalmente de logística e tecnologia. Um dos problemas que tivemos foi o fato de termos outros personagens no roteiro que se comunicavam com nosso casal por computador ou celular. Fizemos vários testes para entender como gravar a imagem da tela do computador ou do celular em real time. A interação entre o casal e esses outros personagens era importante que acontecesse ali na hora. Portanto precisávamos gravar aquela conversa. O diretor não queria fazer separado. Com toda a razão. Pesquisamos vários aplicativos, para computador, celular, e gravação de tela. Como o filme foi gravado em 4K, decidimos que seria melhor ter essas conversas em 4K também. E nenhum aplicativo faria isso. Acabamos gravando as conversas em alguns aplicativos na melhor resolução que conseguimos e também nas câmeras dos celulares que atualmente gravam em 4K. A relação com o diretor foi tranquila. O André nos mandava diariamente uma ideia de como ele gostaria de fazer a cena. Praticamente um storyboard do dia. Decidíamos as posições de câmeras, e ele fazia os ensaios com o casal. A partir dai, quando estavam prontos começávamos a gravar.

Enio, como foi o workflow de pós e qual a sua participação nele?

E.B.: Nos finais das diárias o assistente de câmera ia até a porta do apartamento e pegava os cartões usados naquele dia e deixava novos cartões para a diária do dia seguinte. Na mesma noite fazia a logagem do material filmado nas duas câmeras e me dava um parecer sobre tudo, foco, exposição, etc. Quando ele tinha alguma dúvida, me mandava a cena convertida para eu poder fazer uma análise. E a cada três ou quatro dias eu recebia todo o material em um HD para a checagem em 4K.

Em resumo, como foi a experiência?

E.B.: No final de tudo isso, a experiência foi ótima. Eu entrei nesse projeto com muitas preocupações, por ser algo muito novo, por ter que trabalhar sem equipe. Equipe é tudo em cinema, o apoio de todos os profissionais é fundamental. Eu, como diretor de fotografia, gosto muito de trocar informações com as equipes que trabalham comigo. Gosto de ouvir opiniões, sugestões, enfim, trabalhar em equipe. Neste filme não haveria isso. Tudo novo para todos. E quando se trabalha assim, sem a segurança que nos acompanha em um filme “normal”, as preocupações aparecem. Tive a sorte de ter um diretor compreensivo, que entendeu que tudo era novidade para todos, produtores igualmente compreensivos e corajosos, um casal de atores competentíssimo e totalmente disponível para ajudar a fazer o que fosse necessário para o bem do filme, e além disto, eles se mostraram excelentes operadores de câmera. Uma assistente de direção competentíssima e uma ótima relação de ajuda mútua com a diretora de arte, que foi uma grande parceira. E meus dois assistentes, Allan e Keller, que foram fundamentais para que tudo funcionasse bem. Nosso produtor executivo, Emerson Rodrigues, também foi um grande parceiro.

Algo mais que gostariam de acrescentar?

B.G.: A generosidade e paciência de todos da equipe foram essenciais para esse trabalho acontecer. Fomos os olhos, mãos e corpo de todos esses profissionais incríveis no set diariamentE. Foi um aprendizado imensurável e uma experiência que nunca imaginamos passar. Três semanas juntos, trabalhando e enfrentando dificuldades nos conectou muito. Mesmo que tenha sido uma relação por “pixels”.

E.B.: Espero que essa experiência seja algo que a gente lembre no futuro como a resistência do cinema em momentos difíceis. Espero que logo possamos voltar a filmar do jeito que sabemos e gostamos, com as pessoas que nos complementam, com a alegria de fazer cinema em equipe. Que fique para a história como um momento único, e que nunca mais aconteça.

Ficha Técnica

Todos trabalharam remotamente, sem contato pessoal com o elenco.

Diretor: André Pellenz
Diretor de Fotografia: Enio Berwanger
Diretora de Arte: Raiza Antunes
Assistente de Direção: Nara Marinho
Segunda Assistente de Direção: Gabriela Miranda
Maquiagem: Simone “Batata”
Produtor Executivo: Emerson Rodrigues
Produtores: Angelo Salvetti, Cosimo Valerio e Altino Pavan
Assistentes de Câmera e Som Direto: Keller Gonçalves e Allan Leite
Figurino: Isa Ribas
Elenco: Gabriel Godoy e Bruna Guerin
Elenco de apoio: Silvero Pereira, Cassio Gabus Mendes, Guida Vianna, Ronaldo Reis, Thiago Chicolte, Adriana Bellonga, Monika Saviano, Alana Ferri, Bruno Rosa e Mawusi Tulani

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