Entrevista – Carlos Zalasik

Diretor de fotografia fala sobre a fotografia de Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo

Por Danielle de Noronha

Com direção de Afonso Poyart e fotografia de Carlos Zalasik, o filme “Mais Forte que o Mundo – A história de José Aldo” é baseado na história do expoente brasileiro de lutas de vale-tudo José Aldo. O filme mostra a vida de superação do lutador: Aldo vem de uma família grande e pobre de uma periferia de Manaus. Lutou para construir sua vida e passou por escolhas muito difíceis. Quando tem a oportunidade de lutar MMA, José Aldo revela ser bem maior do que todos imaginavam.

O diretor de fotografia Carlos Zalasik fala sobre a fotografia do filme.

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Quais foram as primeiras impressões ao ler o roteiro e onde buscou inspiração para a fotografia do filme?

O filme “Mais forte que o mundo” levou mais de 3 anos entre a ideia inicial e o roteiro final. Neste período nós tivemos muito tempo para discutir sobre a dinâmica da filmagem, câmeras na mão, steady-cam, drones, todas as traquitanas, câmeras lentas e o número de câmeras para se filmar cada cena. A inspiração maior foi que nós deveríamos fazer um filme realista, misturando imagens reais dos eventos do UFC com cenas rodadas em estúdio, filmamos a cena final dentro do octógono no Rio de Janeiro antes de abrir as portas para o público, o grande desafio foi filmar como se nós estivéssemos realmente em um evento deste porte!  Deu certo!

O maior desafio foi junto com a Direção de Arte, Marines Mencio, adequar o roteiro ao orçamento, cenografar Manaus em Santos e Cubatão numa gama de cores mais quente, húmida, mais densa e escura, e fazer um Rio de Janeiro mais leve e um pouco mais frio (tons azulados) sem tanto contraste em alguns momentos.

Como funcionou a pré-produção e quais testes foram realizados?

Pré-produção é sempre caótica, nós tivemos uma série de traquitanas: Cena do Aldo pulando corda, traquitana meia lua com 30 câmeras GoPro, desenvolvida por Lucas Pupo, e a mais legal, que foi desenvolvida pelo Guilherme Steger, uma traquitana que prende a câmera em um braço que dava a volta no octógono em menos de 3 segundos. Essa última foi insana!

Teste mesmo foi feito com a maquiagem, inúmeros por sinal, com sangue para todo lado, cicatrizes e hematomas! Mari Figueiredo e Debora Saad, sem palavras!

Quais câmeras e lentes foram utilizadas? Por quê?

Usamos uma RED EPIC 5K como câmera A e um jogo de lentes cine prime Canon CN-E fazendo os planos abertos e steady-cam. Como câmera B usamos uma RED SCARLET 4K com zoom 24-290 ANGENIEUX, e como câmeras C e D usamos duas Blackmagic Pocket com metabones. Ainda, em alguns dias, usamos uma câmera PHANTON, que faz 1000 quadros por segundo, uma cena na praia à noite foi rodada com uma Sony A7s2, e também não podiam ficar de fora uma câmera Canon 5D com uma caixa estanque para fazer uma cena dentro d’água, a traquitana com 30 câmeras GoPro e um kit de lente LENSBABY!

O que poderia nos contar sobre as cenas de luta e de ação do filme?

Filmar cena de ação não dá para fazer correndo e de qualquer jeito, na cena da briga do bar, por exemplo, nós levamos três dias para rodar a sequência inteira. Em outro momento do filme, numa perseguição que termina num capotamento por exemplo, foi usado câmera car (Stanley Ostrower), câmeras presas dentro e fora do carro de cena, drones, chuva artificial, máquina de raio e a turma do Agnaldo dublê (NO LIMITS Stunts). Não posso deixar de fora o trabalho do coreógrafo de lutas Renan Medeiros que soube fazer poesia dentro daquela pancadaria toda!

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Como foi trabalhar com o Afonso Poyart e como surgiu o convite para trabalhar neste filme?

Este já é o terceiro longa-metragem que tenho o prazer de fazer com ele. Trabalhar com o Afonso é sempre um desafio, ele sabe muito bem o que quer, além de ser o roteirista, é o produtor executivo do filme, então é um trabalho minucioso, divertido e intuitivo. A sinergia funciona!

Quais foram as características da pós-produção e efeitos visuais? Como foi sua participação no workflow de pós?

Este filme foi feito com muitos efeitos visuais físicos e se não me engano com uma transição do 3D para o real logo no começo da primeira cena e só, a eterna busca pelo realismo, a pós-produção neste caso ficou mais pelo acabamento, limpar refletores de quadro por exemplo e outras sutilezas. O filme é todo finalizado em 2K com o trabalho de colorização feito por Marcio Pasqualino na Psycho n’look.

Na sua opinião, o que este filme traz de diferente para o cinema e cinematografia brasileira e qual sua expectativa para a carreira do filme nos cinemas?

Fazer filme de ação dá trabalho, precisa de um bom roteiro, equipe, equipamento e dinheiro. Este filme de alguma forma mostra que é possível! Na minha opinião, quero muito que esse filme que faça o encontro do público com o cinema brasileiro!

Fotos: Gabriel Matarazzo

Ficha Técnica

Direção, produção e roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Claudia Ohana, Cléo Pires, Felipe Titto, Jackson Antunes, José Loreto, Malvino Salvador, Milhem Cortaz, Paloma Bernardi, Robson Nunes e Romulo Neto
Direção de fotografia: Carlos André Zalasik
Direção de arte: Marines Mencio
Som Direto: Tide Borges, ABC e Lia Camargo
Supervisão de Som: Rodrigo Ferrante
Mixagem: André Tadeu
Montagem: Lucas Gonzaga
Trilha Sonora: Samuel Ferrari

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