Experiências com novos equipamentos de iluminação LED para o audiovisual

Por Fernando Duarte

Quero começar este texto agradecendo o convite e o espaço fornecido pela ABC, para compartilhar um pouco de informação pessoal sobre alguns trabalhos que tenho executado.

Quando pensei sobre o que escrever, decidi que gostaria de começar falando sobre tempo. Acredito que na nossa profissão essa talvez seja a maior questão que enfrentamos na hora de pensar um trabalho. O cronograma, planejamento e principalmente o custo. Quanto custa para executar esse projeto? Está diretamente ligado a quanto tempo vamos precisar para executá-lo.

A partir desse ponto, gostaria de abordar sobre uma mudança que vem acontecendo na área da fotografia há algum tempo, e que está ganhando cada vez mais força. Novos equipamentos de luz de LED estão chegando com força no mercado e, de fato, estão chegando como facilitadores.

Começo apresentando um trabalho que fiz, para a Warner Music, que é uma série de episódios para a web com alguns artistas apresentando versões acústicas de suas músicas. A ideia era ser um trabalho bem minimalista, em estúdio, onde a cor do fundo se alterasse para cada artista. Obviamente, como podem imaginar, o orçamento para realização desse projeto não era suficiente para fazer da melhor forma possível, mas encontrei uma solução através do uso de painéis de LED.

Pensem na seguinte situação, uma diária de estúdio com a iluminação presa no grid, quando quatro artistas diferentes gravariam três músicas (ao vivo) cada um, e mais uma na qual os quatro cantariam juntos. Agora, imagine esse cronograma tendo que fazer a troca de gelatinas durante o dia. Seria praticamente impossível realizar esse cronograma em uma única diária.

O mapa de luz desse projeto foi bem simples e funcional. Para resolver o problema do fundo usei dois painéis da Aputure NOVA P300c. Vale ressaltar que esses refletores têm a possibilidade de serem controlados por aplicativo no celular e se assemelham bastante aos SKYPANNEL da ARRI. Então, a cada troca de artista no set, nós abríamos o aplicativo no set e fazíamos a troca da cor do fundo, de forma rápida e sem precisar entrar no set e subir a escada. Já para iluminação dos artistas usei dois Aputure 300d, um como Fresnel de contra luz preso no grid e o outro como a keylight junto de um octodome de 120 cm (dupla difusão mais a colmeia), além de um refletor Godox SL60W com outro octodome de 90 cm preso em uma girafa, que fazia uma luz por cima como preenchimento. Nessa situação, com o fundo sendo “pintado” com luz, nossa luz de pele não poderia atingir esse fundo, logo toda a luz que iluminava os artistas tinha que vir pela lateral ou por cima, evitando sombras e que a cor do fundo ficasse dessaturada.

Algumas marcas têm lançado no mercado refletores, tubo leds e painéis que seguem essas especificações e com uma qualidade de luz boa, com CRI alto. Refletores manipuláveis com engate rápido (bowens), que pode mudar de Fresnel para octodome ou para um balão chinês, por exemplo, sem muito esforço. Painéis que com alguns cliques no celular é possível controlar cor, temperatura e potência. Além disso, acredito que o melhor de tudo é o fato de serem iluminações com a possibilidade de serem ligadas na tomada ou em baterias.

Um outro trabalho que escolhi usar LED, também por facilidade, foi em uma gravação para uma live de uma empresa em que o Lulu Santos participava. Todas as limitações estavam presentes nessa ocasião. Nesse caso, o objetivo do trabalho era gravar um vídeo no estúdio de música, mas sem parecer que de fato fosse um estúdio comum de música. Mais uma vez a escolha dos LEDs foram a melhor pedida para executar. Nesse projeto foram usados 8 tudoleds da Nanlite (na bateria interna deles) como cenário, um Aputure NOVA P300c fazendo a luz azul de fundo e dois Godox SL150w com octodome de 90 cm com dupla difusão e colmeia que foram ligados na tomada do próprio estúdio, sem necessidade de acesso à quadro de luz, transformador, nem nada do gênero.

Foi um trabalho no qual não tínhamos tanto tempo de estúdio e nem tempo com o artista em set, logo a montagem e a gravação precisavam acontecer de forma ágil e rápida. Se não me engano, gastamos por volta de duas horas e meia para executar tudo, com uma equipe bem reduzida.

Por último, quero falar sobre um videoclipe no qual eu usei tanto a luz de LED quanto o Tungstênio e HMI. O clipe foi rodado na Praça Mauá no Rio de Janeiro e em um restaurante na Barra da Tijuca. Ainda por certas limitações quanto à potência dos LEDs, nesse clipe, mesmo sendo a noite, não pude abrir mão de usar um HMI de 2.4K e mais um Fresnel de 5k, além o Maxibrut que foi usado como cenário.

Nessa primeira parte do clipe, como usamos as luzes de maiores potências, precisamos de toda a parte de elétrica como gerador, mesa, cabeamento. Fora a equipe para montar e desmontar esse set. Ainda assim, usamos as famosas lâmpadas de tubo da Astera como cenário, além de dois painéis Geminis que foram usados atrás de um butterfly para fazer a luz de preenchimento. Vale ressaltar a facilidade de usar as Asteras, por terem bateria interna e não precisarmos cabear nada pra deixá-las ligadas.

Já na segunda parte do clipe, deixamos as luzes maiores de lado e demos espaço ao LED para toda segunda parte. Não foi necessário o uso do gerador e praticamente resolvemos tudo com as extensões e a energia da própria locação. Os painéis Geminis que usamos para fazer a luz de preenchimento viraram a luz principal e as Asteras iluminaram o ambiente, além de fazer a contraluz. Como podem imaginar, a segunda parte do set, de fato, foi mais ágil e rápida e só conseguimos fechar o dia por conta da praticidade.

Eu sou um entusiasta das novas tecnologias que venham para somar e nos trazer praticidade na hora de produzir e acredito que a tendência é que cada vez mais o mercado se renda a praticidade que o uso dos iluminadores de LED pode nos trazer. Aconselho a quem ainda não começou a produzir com essas novas ferramentas, que experimentem e vejam suas possíveis aplicações. Os três trabalhos que decidi trazer aqui e apresentar, propositalmente, têm uma estética bem colorida, o que eu acho incrível de produzir com esse tipo de iluminação. Na minha percepção, os resultados que são obtidos com uma fonte de luz que já sai naturalmente na cor que você pretende aplicar na sua imagem é, de fato, melhor do que a fonte de luz filtrada através de gelatina, por exemplo.

Com relação à potência, os LEDs ainda estão atrás das nossas outras fontes mais usadas, porém já existem alguns refletores chegando ao mercado que prometem a mesma potência de luz que um HMI de 1.2K. Quanto tempo até o LED atingir os níveis mais altos?

Por fim, agradeço mais uma vez o espaço à Diretoria e à ABC para compartilhar um pouco da experiência que tive usando esses novos equipamentos.

Sobre o autor

Fernando Duarte é sócio da ABC. Formado em Comunicação Social (Audiovisual) pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), começou a carreira no audiovisual em 2009 por causa do viés musical e para atender as demandas de áudio e vídeo da banda que tinha quando adolescente. Desde então trabalhou em vários tipos de projetos, como editor, câmera e diretor, que ajudaram a desenvolver sua capacidade. Mas em 2014, focou suas energias na direção de fotografia. Trabalha hoje muito no mercado musical e publicitário e tem como objetivo focar mais em produções de ficção e poder contar histórias através da fotografia.

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