Festival Cinema e Transcendência exibe filmes inéditos e online

Depois da realização da primeira edição digital em 2020, o modelo concebido como alternativa para tempos de pandemia se fortalece para a realização da oitava edição do FESTIVAL INTERNACIONAL CINEMA E TRANSCENDÊNCIA, na qual traz para o Brasil, filmes inéditos, sendo seis lançamentos nacionais que refletem sobre diversas questões acerca da vida, da espiritualidade, da relação humana consigo, com o outro e o meio ambiente. Única mostra no País a investigar a subjetividade dos caminhos do autodesenvolvimento através da arte cinematográfica, o festival será realizado mais uma vez totalmente online, em plataforma própria, que abrigará não só́ as exibições, como também um show de abertura, bate-papos, debates e conversa com realizadores.

A idealização e curadoria são do músico e cineasta André́ Luiz Oliveira, com co curadoria da produtora e diretora Carina Bini. Com patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei de incentivo à Cultura, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, e realização do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o festival faz parte do #CCBBemCasa e pode ser acessado de qualquer lugar do mundo.

O 8º FESTIVAL INTERNACIONAL CINEMA E TRANSCENDÊNCIA acontece entre 1 e 12 de dezembro, no site do festival (www.festivalcinemaetranscendencia.com), totalmente gratuito. Será́ uma sessão diária, com apresentação dos filmes feita pelos curadores do festival, Carina Bini e André Luiz Oliveira. Os títulos deverão ser vistos nos horários fixados na grade de programação que ficarão disponíveis para visualização até a meia-noite do mesmo dia, à exceção dos filmes que compõem as sessões de homenagem à cineasta mineira radicada em Brasília Tânia Quaresma, que fez sua passagem em julho, aos 71 anos. Além das exibições, haverá show de abertura e lives com realizadores e convidados do festival.

O FESTIVAL

Pela sua singularidade, o FESTIVAL INTERNACIONAL CINEMA E TRANSCENDÊNCIA se tornou, em quase uma década de existência, a principal janela de exibição do Brasil para lançamento, circulação, discussão e reflexão da experiência da transformação pessoal a partir da imagem audiovisual. São filmes que investigam a subjetividade, propõem um mergulho na interioridade de cada um e oferecem novas camadas de conhecimento sobre temas relevantes da contemporaneidade.

Desta forma, os títulos selecionados para o festival têm em comum uma característica mais específica que a da linguagem ou do gênero narrativo: devem transcender os padrões da produção cinematográfica ao tempo em que instiga o espectador a adotar uma nova relação com o cinema, que passa pela espiritualidade, as práticas de autoconhecimento, a meditação, a ancestralidade, o cuidado, terapias, xamanismo e outras questões que perpassam o caminho de busca pela consciência. “Esta linha tênue que costura a arte em busca de um caminho espiritual tem um significado ainda maior no momento em que estamos vivendo, um tempo complexo, de exacerbações generalizadas, privações sociais e polarizações violentas”, reconhece o idealizador, André Luiz Oliveira.

Para esta oitava edição, o festival contribui de modo generoso para a circulação cinematográfica, trazendo uma seleção de 11 filmes, dos quais seis lançamentos nacionais, além de outros inéditos em circuito nacional. “É muito bacana ver que a trajetória sólida de oito anos tornou o Festival uma referência nacional e internacional para este gênero de cinema e de curadoria. Conseguimos fazer a aquisição de importantes títulos para lançá-los no Brasil, o que demonstra o reconhecimento desses realizadores para com o nosso festival. Isso para nós é uma grande vitória”, comemora a curadora Carina Bini.

A primeira estreia é a que abre o festival, no dia 1º de dezembro: “Samadhi Road”, produção nacional dos irmãos Daniel e Julio Hey. O documentário nasce após a criação do selo Irmãos Ahimsa, com o objetivo de realizar projetos documentais fundados em uma cultura de não-violência (ahimsa) e de autoconhecimento. Este longa-metragem é o primeiro nascido no contexto da produtora. “Samadhi Road” é, de certa forma, autobiográfico, pois coloca os diretores no caminho da busca por sabedoria diante de entrevistados como os músicos Gilberto Gil e Sonny Rollins, a filósofa Agnes Heller e o líder espiritual Mooji.

A segunda produção que estreia no festival é o muito aguardado “Meeting the Beatles in India”, documentário do canadense Paul Saltzman, que resgata o excepcional e não-planejado encontro do realizador com os Beatles em 1968, durante o período em que o quarteto de Liverpool se recolheu no ashram do guru Maharishi Mahesh Yogi, na Índia, para aprender sobre a meditação transcendental. Cerca de 50 anos depois, ele revisita para este documentário aquele momento, com colaboração de David Lynch e a narração de Morgan Freeman.

Na sequência das estreias do Festival Internacional Cinema e Transcendência, há ainda o documentário de James e Camilla Beckett sobre a ativista e intelectual indiana Vandana Shiva que, com seu trabalho ambientalista de conservação de sementes ancestrais, desafiou a grande indústria alimentícia, representada em grande parte pela Monsanto. O quarto filme inédito da mostra, “Mission: Joy”, de Louie Psihoyos e Peggy Callahan, é não só um documentário espiritual, como espirituoso, conduzido pelo encontro de grandes lideranças da espiritualidade moderna: o líder tibetano, Dalai Lama, e o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu.

Completam a seleção de estreias os títulos norte-americanos “Beijing Spring”, de Andy Cohen, sobre o levante de artistas e escritores em protesto à repressão do novo governo chinês; e “The Way of The Psychonaut”, de Susan Hess, em uma autocinebiografia sobre como ela encontrou os caminhos místicos da consciência, a partir de experiências psicodélicas proposta pelo trabalho e pesquisa do psiquiatra tcheco Stanislav Grof.

Inéditos em circuito nacional, compõem ainda a programação do Festival “In the Fire of Dancing Stillness”, de Renata Keller, acerca do encontro da diretora com a mística, filósofa e ativista indiana Vimala Thakar; “Agniyogana”, da diretora e instrutora de yoga australiana Emma Balnaves, que investiga a arte perdida do Hatha Yoga clássico; “Tenzo”, documentário japonês de Katsuya Tomita, que acompanha o caminho de dois monges após o desastre de Fukushima; “Death Makes Life Possible”, de Mark Krigbaum, no qual acompanha as investigações da antropóloga e cientista Marilyn Schlitz sobre os mistérios da vida e da morte; e Andrei’s Maria, média-metragem sueco sobre o retorno da atriz Guðrún Gísladóttir à locação onde ela atuou para o filme “O Sacrificio”, de Andrei Tarkovsky.

LIVES – Para além do cinema, as duas semanas de programação levam ao público, pelo canal do YouTube do Banco do Brasil e do Festival e pelo Instagram do Festival, ao vivo e online, rodadas de conversa com os diretores Paul Saltzman e os irmãos Hey, além de personalidades que trazem provocações importantes para o pensar a transcendência na contemporaneidade. O primeiro convidado é o músico e ativista baiano LAZZO MATUMBI. Ele apresenta no bate-papo a filosofia do “Aquilombamento”, um pensamento decolonial traduzido também em ação transformadora de resistência contra-hegemônica para o povo negro. Além dele, estão entre os convidados para o ciclo de palestras e debates o professor de Vedanta Patrick Van Lammeren, que atualmente vive em Portugal, e Leandro Castello Branco, professor de yoga do Rio de Janeiro, que refletirão acerca “Yoga, a escolha de um caminho” sob o ponto de vista filosófico.

SHOW DE ABERTURA – Às 20h de quarta-feira (1/12), o grupo musical Gharana Eletroacústica lança na plataforma do Festival o show “Dharmachakra”, uma experiência multissensorial que convida à reflexão e ao mergulho interior, unindo todos os participantes, músicos e plateia, em uma egrégora conectada. O conjunto é formado por Wilton Rossi e Zepedro Gollo, do duo Tartamudo, com o cineasta e curador do festival André Luiz Oliveira, que asfaltou longa carreira também como músico, escolado em instrumentos indianos clássicos, tais como o sitar, o bansuri e o dilruba.

O ponto de partida da sonoridade é constituído pelas longas paisagens sonoras do dhrupad, uma expressão da música clássica indiana em que voz, instrumentos musicais e drones repetitivos são usados para alinhar o corpo e a mente através da música. Esses elementos são unidos às estruturas musicais eletrônicas do Tartamudo, que se apresentam como elementos percussivos e pulsantes aliados a guitarras em camadas de loops manipulados ao vivo.

Este espetáculo representa a roda da vida, o dharmachakra, a jornada entre o alvorecer e o crepúsculo da existência, que se repete de maneira cíclica na busca de crescimento do espírito humano. O trabalho consiste em três peças musicais longas que dão espaço para diversos experimentos de improviso dos três músicos. Para esse evento, os músicos se apresentarão sentados, conectados uns aos outros e abertos para esta experiência musical de elevação, enquanto cenas da natureza em seus diversos momentos e estágios são projetados sobre os músicos.

HOMENAGEM – A personalidade homenageada nesta edição do FESTIVAL INTERNACIONAL CINEMA E TRANSCENDÊNCIA será a cineasta e produtora cultural tão querida pelo segmento artístico brasiliense e nacional, Tânia Quaresma, que partiu recentemente, em julho de 2021, aos 71 anos, mas deixou uma obra generosa e profunda, como sua personalidade. O Festival selecionou títulos da diretora que mostram sua relação para além do cinema documental, que revelam a cineasta praticante do zen budismo, caminho espiritual escolhido por Tânia desde a década de 1980, quando conheceu o Mestre Ryotan Tokuda.

Desta forma, o festival presta tributo a ela, trazendo para o público uma mostra paralela, com exibição ao longo de todo o festival, de quatro dos seus filmes, além de um debate online e ao vivo no canal do YouTube sobre seus trabalhos e vida, conduzido por André Luiz Oliveira e um mestre Zen Budista. Dos filmes de Quaresma em exibição, constam o longa-metragem “Nordeste: Cordel, Repente, Canção” (1975) e os curtas “Mosteiro Zen Pico de Raios” (2005), “Nísia – Mulher à Frente de Seu Tempo” (2010) e “Tokuda” (2018).

A curadoria considera e elege Tânia Quaresma como a “madrinha” desta oitava edição do Festival Internacional Cinema e Transcendência. “Temos razões profundas para esta homenagem, na medida em que Tânia não foi somente uma inspiração para a criação do Festival”, diz Carina Bini. André Luiz completa: “A trajetória de Tânia é a configuração viva do que buscamos transmitir com o Festival Cinema e Transcendência: A ARTE É O CAMINHO, A ESPIRITUALIDADE O RESULTADO. A cineasta e a monja Tânia conseguiram triunfar nessa tarefa tão difícil de unir a arte e a prática espiritual. Por isso o nosso reconhecimento e reverência”.

CURADORIA – A dupla de curadores do festival é composta por André Luiz Oliveira e Carina Bini.

Graduada em Comunicação Social Jornalismo pela UEL – Universidade Estadual de Londrina (PR), CARINA BINI tem uma trajetória diversificada no audiovisual, desde produção executiva, roteiro e direção, atuando em projetos autorais e de terceiros ao longo dos últimos 15 anos. Viveu por 5 anos na Índia em períodos diferentes, nos quais estudou cinema, realizou produções e atuou no mercado. Retornou ao Brasil em 2016, e dedica-se a projetos audiovisuais da Atman Filmes. Com atuação na área de exibição, é realizadora e curadora de mostras de cinema e realiza o Festival Internacional Cinema e Transcendência ao lado do cineasta André Luiz Oliveira. Cursou o “Laboratório de Roteiro”, no Centro Sperimentale di Cinematografia (CSC), Roma. Em 2016 dirigiu o curta “India, my love story”, e realizou o making of do filme indiano “Munroe Island”, de Manu P.S. Em 2021 prepara-se para dirigir seu primeiro longa-metragem “La Mamma”, co-produção Brasíl e Itália, com roteiro de sua autoria premiado no Edital de Cooperação Ancine e CSC – Roma, e as séries para TV “Casa Viva” e “As Pajés”.

Cineasta premiado e músico, ANDRÉ LUIZ OLIVEIRA é baiano, portanto transita com intimidade e afeto natural pela religiosidade afro-brasileira. Estudioso de astrologia e de caminhos de intersecção entre a religiosidade oriental e ocidental, pesquisa e pratica a música indiana. Um realizador brasileiro diferenciado na sua trajetória intermitente e que tem em sua carreira filmes emblemáticos como “Meteorango Kid, O Herói Intergalático”, uma referência do cinema marginal brasileiro, o poético indigenista “A Lenda de Ubirajara”, a comédia psicológica “Louco por Cinema”, e o ambicioso “Sagrado Segredo”, que retrata um artista em busca do sagrado na figura arquetípica de Jesus Cristo. Como documentarista biográfico quatro filmes se destacam: “O Cozinheiro do Tempo – Bené Fonteles”, “Zirig Dum Brasília – A arte e o sonho de Renato Matos”, “Exu Iluminado – Mario Cravo” e o mais recente, premiado no 51O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2018), “Outro Lado da Memória”, que conta a saga de seu projeto para a filmagem da obra ‘Viva o Povo Brasileiro’, de João Ubaldo (que acabou não acontecendo), construindo uma narrativa que traz uma reflexão profunda sobre a ancestralidade brasileira, a sua própria e o tragicômico processo de fazer cinema no Brasil.

PROGRAMAÇÃO

01/12 – QUARTA-FEIRA
20h – Show de Abertura “Dharmachakra”, do grupo Garana Eletroacústica (plataforma da mostra e YouTube do Banco do Brasil)
21h – Filme: Samadhi Road (plataforma da mostra)

02/12 – QUINTA-FEIRA
19h – Filme: In the Fire of Dancing Stillness (plataforma da mostra)
03/12 – SEXTA-FEIRA
19h – Filme: Meeting the Beatles in India (plataforma da mostra)

04/12 – SÁBADO
17h – Bate papo: Aquilombamento, com Lazzo Matumbi e convidados (YouTube do Banco do Brasil e do Festival)
19h – Filme: Mission Joy: Finding Happiness in Troubled Times (plataforma da mostra)

05/12 – DOMINGO
15h – Filme: Agniyogana (plataforma da mostra)
17h – Debate: Yoga, a escolha de um caminho, com Leandro Castello Branco e Patrick Van Lammeren (Instagram do Festival)
19h – Filme: The Seeds of Vandana Shiva (plataforma da mostra)

06/12 – SEGUNDA-FEIRA
19h – Filme: Tenzo (plataforma da mostra)

07/12 – TERÇA-FEIRA
19h – Filme: Beijing Spring (plataforma da mostra)

08/12 – QUARTA-FEIRA
19h – Filme: The Way of the Psychonaut(plataforma da mostra)

09/12 – QUINTA-FEIRA
18h – Filme:Samadhi Road (plataforma da mostra)
20h – Vivência: Processo criativo com Daniel Hey e Julio Hey, diretores de Samadhi Road (Instagram do Festival)

10/12 – SEXTA-FEIRA
19h – Filme: Mission: Joy – Finding Happiness in Trroubled Times (plataforma da mostra)

11/12 – SÁBADO
15h – Filme: Andrei’s Maria (plataforma da mostra)
17h – Debate: Tânia Quaresma, muito além de uma cineasta, com André Luiz Oliveira e Mestre Zen Budista (YouTube do Banco do Brasil e do Festival)
19h – Filme: Death Makes Life Possible (plataforma da mostra)

12/12 – DOMINGO
17h – Vivência: Processo criativo com o diretor de Meeting the Beatles in India, Paul Saltzman (YouTube do Banco do Brasil e do Festival)
19h – Filme: Meeting the Beatles in India (plataforma da mostra)

DIARIAMENTE – Homenagem a Tânia Quaresma

Filmes disponíveis a qualquer momento, durante o curso do Festival na plataforma da mostra e no site do CCBB em bb.com.br/cultura

 

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