Inscrições de curtas-metragens para a mostra JULHO TEMA-LIVRE estão Abertas

Por Henrique França e Keyme Lourenço.

A palavra liberdade pode ser antagônica a seu próprio significado na análise cinematográfica, visto que, ela é incorporada tanto aos planos elaborados e ensaiados de um Brian De Palma, como para o cinema de espontaneidade do casal Jean Straub-Huillet. Apesar de soar contraditório, essa é uma impressão que não sai da superfície mais rasa da discussão, definimos o cinema enquanto liberto a partir do momento em que toma forma pelas imagens.

A ruptura com um formato mais padronizado de produção, busca contemplar as situações complexas do cotidiano através dos simplórios planos, contraplanos, plano geral; em busca de uma forma de aproximar a lente de uma realidade mais consciente da própria artificialidade. Em sua própria forma de libertar-se criativamente, pois nada é concreto em cinema, não pode ser.

O público também busca tal sensação através do filme, mesmo que seja “preso” em uma sala escura por duas horas, ou como nos dias de hoje, frente uma tela, uma janela, na casa-cinema, quarto-sala. São incontáveis as projeções de histórias que tornaram-se catarses coletivas, fenômenos sociais, minorias oprimidas sistematicamente ou não. A seguir o exemplo de Pantera Negra, ou Me Chame Pelo Seu Nome, que não apenas trouxeram representatividade, como também, reformularam toda a concepção estética do inconsciente coletivo, sobre do que é nossa sede agora, do que temos fome.

Indo mais longe ainda, o exercício de ir ao cinema, ver um filme ou fazer cinema é ação de libertação. Construir fragmentos de um filme, completamente fora de uma ordem narrativa clara, organizar um set, acender um falso pôr do sol através do fresnel, exige daqueles que operam esse gigantesco ato, uma forma de desprender-se da conjuntura maior, os cabos, fios e problemas que irão ocorrer para focar-se naquele pequeno retrato que as lentes capturam, e torcer para que eles se tornem uma realidade própria e coesa quando unificados na edição.

Essa palavra que define o cinema, pode definir toda a cinearte em si. O ato de desprender da realidade para contemplar um objeto alheio à ela. Toda arte é um ato de libertação coletiva, é um ato livre.. E a Mostra de Julho decidiu libertar seus realizadores,  as inscrições de Curtas-metragens para Mostra JULHO TEMA-LIVRE estão abertas! O filme com mais curtidas no Canal do YouTube da Mostra [em]curtas receberá passaporte garantido para ser exibidos na grande Mostra principal [em]curtas em Setembro. Essa edição extra de Julho é destinada a obras realizadas no período de 2018 até 2021. Confira o Regulamento e Formulário de Inscrição no link : https://linktr.ee/emcurtas

 

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