Inscrições de Curtas-metragens para Mostra JUNHO FANTÁSTICO estão abertas

Por Henrique França e Keyme Lourenço

A emblemática apresentação da chegada ao trem, que fez as pessoas correrem das salas de exibição achando que o trem iria sair da tela em um salto espacial, é além de um fato curioso excessivamente repetido. Ela é o símbolo de uma responsabilidade maior: Estamos lidando com uma mídia capaz de convencer as pessoas de que o ensaio é real e vice-versa. Somos capazes de convencer as pessoas do mais extremo absurdo, isso nos atrai e deveria nos conter antes de tudo.

Por mais que estejamos sempre com algum ponto de nossa psique nos lembrando de que aquilo é artificial por essência, eficaz é aquele que torna esse ponto alheio ao das emoções. Mais importante do que acreditar nos eventos, a condução emocional daquele que assiste talvez seja o maior êxito de um diretor sob a tutela do dito cinema narrativo. Por isso que é tão complexo tomar as decisões, qualquer escorregão pode quebrar esse feitiço sensorial: Um plano sequência extravagante mas sem semântica; Um elemento de cor que apesar de gerar um impacto positivo à plasticidade dos planos, quebra a unidade dos demais pois está alheio a lógica;  Uma nota musical acima do tom maniqueísta da eterna condução de tom que o som irá reger no filme.

O cinema é uma eterna reação, desde os fluidos de prata que captavam a luz das lentes para os rolos de filme, das junções dos mesmos para a sala de edição, do projetor para os olhos dos que estão sentados.

Essa incessável equação torna o cinema tão instigante de se debater, não é a toa que filmes nunca conseguem chegar a um esgotamento de tópicos a serem levantados, pois à cada momento de que a nossa realidade se rearranja, o material fílmico terá sua semântica recuperada através dessa nova perspectiva formada.

Estamos em 2021 e ainda há o que se debater sobre Cidadão Kane, talvez o filme mais debatido da história. Mas como tudo que é posto em debate, existem argumentos que agem como sementes para novos tópicos e pautas e aqueles que funcionam como ervas-daninhas, tornando o mesmo em uma terra arrasada e desinteressante. Infeliz é aquele que ao olhar algo espetacular diante dos seus olhos e pensa “isso não é real” mas são eles que dominam alguns territórios de tão amplo acesso. Entre o senhor de 30 anos agindo de forma professoral com um livro em mãos para equacionar uma trama meramente simbólica e experimental aos infames exercícios de apontar tudo que há de errado em algum filme.

A eles apenas deixo a cartela que abre a versão de Jean Cocteau para o conto da Bela e a Fera, talvez o mais humano de todos os contos de fada.

“…Traga sorte a todos, deixe-me dizer quatro palavras mágicas para você, a verdadeira semente da infância: era uma vez”

O cinema é um ato de fé, que não é nada mais além de um ato de entrega a fantasia alegórica como incentivo ou rédea para uma conduta melhor em vida. Filmes ruins melhoram dias, como filmes bons conseguem trazer hecatombes psicológicas que mudam rumos. Exigir de um ato mais próximo da religião do que do real que haja um restrito apego ao verossimilhante externo é como gritar como uma nuvem: Você apenas perde a oportunidade de apreciar o fenômeno à sua frente. Ainda mais em tempos como os de hoje, que nos permite escapar ao cinema em sua natureza onírica e fantasiosa à última potência.

As inscrições de Curtas-metragens para Mostra JUNHO FANTÁSTICO estão abertas! O filme com mais curtidas no YouTube receberá R$ 300 de premiação e será exibido na abertura da Mostra principal [em]curtas em Setembro. Essa edição extra de Junho é destinada a obras realizadas no período 2018 até 2021. Confira o Regulamento no link : https://linktr.ee/emcurtas

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