Rio de Janeiro apresenta mostra “O Cinema argentino conta suas histórias mínimas”

Histórias mínimas (2002), de Carlos Sorín

A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, de 11 a 23 de dezembro de 2018 (terça-feira a domingo), a mostra “O Cinema argentino conta suas histórias mínimas”, que exibirá 17 filmes em formato digital da nova leva do premiado cinema produzido na Argentina. O projeto tem curadoria de Thiago Ortman e produção da Lúdica Produções, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.

A mostra retrata o cinema argentino contemporâneo – histórias em pequenos relatos que apresentam personagens ordinários em seus afazeres, e situações que acabam por romper suas rotinas. Neste recorte está o momento denominado Nuevo Cine Argentino se inicia nos anos 90, com um boom de cursos de cinema no país – se consolidando com uma geração surgida nos anos 2000. Serão filmes da safra de 1998 a 2017, que carregam as assinaturas de realizadores como Lucrecia Martel, Pablo Trapero, Ana Poliak, Martin Rejtman, Raúl Perrone, Carlos Sorín, Mariano Llinás,  entre outros.

Entre a década de 90 e meados dos anos 2000, quando a Argentina atravessava uma grande crise, a imprensa internacional clamava: Parece que a saúde do cinema argentino é inversamente proporcional à sua situação econômica. “Naquele momento, uma geração de cineastas surge com um interesse direcionado a filmar os conflitos pessoais, as pequenas histórias de geografia íntima, das quais se poderia fazer latente o sentimento do impacto daquela crise nacional”, explica Thiago Ortman.

As obras presentes na programação, em sua grande maioria, foram produzidas a partir de um modelo cooperativo, por estudantes de audiovisual que contribuíram para a revitalização do cinema argentino – dando-lhe voz em um momento desastroso, de um retrocesso econômico, social e democrático sem precedentes na história política do país. Desta fase destacam-se os imperdíveis filmes “O pântano” (2001), de Lucrecia Martel, “Mundo grua” (1999), de Pablo Trapero, “Pizza, cerveja e baseado” (1998), de Bruno Stagnaro, Adrián Caetano, e “Rapado” (1992), de Martín Rejtman”. Fechando a programação, um dos mais emblemáticos filmes do atual cinema argentino: “História Extraordinárias” (2008), de Mariano Llinás, tem 4 horas de duração, sendo uma sessão importante e diferenciada.

A mostra pretende apresentar ao público carioca obras de extrema relevância para se compreender o cinema de um país latino-americano que alcança grandes prêmios em festivais, sendo inúmeras vezes indicado ao Oscar de filme estrangeiro, e detém um constante sucesso perante a crítica mundial.

Atividades Extras

Como parte da programação, serão realizados dois debates e duas masterclass. Ambos com entrada gratuita.

Debates

– No dia 19 de dezembro, às 17h, acontece o primeiro debate como tema “Começa de novo: as múltiplas narrativas do cinema argentino”. A mesa irá abordar as particularidades narrativas do cinema argentino a partir dos anos 90, na perspectiva de uma geração que transformou os modelos da produção cinematográfica daquele país: da escrita do roteiro às escolhas de direção. Participarão da mesa Lucas Paraizo, roteirista de cinema e TV, formado em jornalismo pela PUC-Rio e em roteiro pela EICTV (Escuela Internacional de Cine y Televisión, San Antonio de los Baños, Cuba), Pós-graduado em roteiro pela ESCAC (Escola Superior de Cinema i Audiovisuals da Catalunya) e Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Autônoma de Barcelona, e Mariana Dias, jornalista e mestranda em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (PPGCine/UFF). Atualmente tem se dedicado à pesquisa em torno da relação entre afeto e política de classes no cinema argentino contemporâneo.

– O segundo debate, no dia 22 de dezembro, às 19h, vem com o tema “Disputas políticas em perspectiva: do Nuevo Cine Argentino e sua contemporaneidade”. A discussão se dará pelos contextos políticos e socioculturais da Argentina, partindo das políticas neoliberais dos anos 90 até a crise econômica de 2001.  Os debatedores terão como foco estabelecer conexões entre a produção cinematográfica argentina dos últimos 30 anos, concluindo com ponderações sobre o momento atual do país. Os convidados serão Maria Celina Ibazeta, professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, com doutorado em Literatura Hispánica – Stony Brook (2006),  e Tamires Alves,  doutora em Ciência Política pela UFF (2018) tendo realizado o período sandwich como Pesquisadora Visitante na Universidad de Buenos Aires (2017), e atualmente é Editora da Revista Estudos Políticos e Revista Breviário de Filosofia Pública

Masterclasses

O assunto que norteará as duas aulas será “Argentina e Cinema: uma contemporaneidade obtusa”.

Dia 12 de dezembro, às 17h
Com Flávio Kactuz – Historiador, Professor, Diretor de Teatro e Cinema. Doutorando em Estudos Fílmicos/Estudos Artísticos (Universidade de Coimbra, em curso). Mestre em Cinema/Comunicação Social (PUC-Rio); Graduado em História (PUC-Rio). Professor do Curso de Cinema da Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio, responsável pela disciplina sobre cinema latino americano contemporâneo.

Dia 14 de dezembro, às 17h30
Com Hernani Heffner – Pesquisador e coordenador-chefe de restauração na cinemateca do MAM-RJ.  Tem experiência na área de Cinema, com ênfase em História do Cinema. Mundial e brasileiro.

A programação, outras informações sobre a mostra, fotos e sinopses dos filmes exibidos, podem ser acessadas no endereço: http://www.mostrahistoriasminimas.com.br

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