Primeiro longa brasileiro captado em 3D estereoscópico

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Por Maritza Caneca

Sinto a necessidade e obrigação de dividir com vocês um pouco da experiência que estou tendo com o BRASIL ANIMADO: o primeiro longa brasileiro em 3-D estereoscópico. Um filme da Mariana Caltabiano Criações em parceria com a Teleimage e Globo Filmes.

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Trata-se de um longa metragem de ficção que conta a história de dois personagens em animação que viajam pelo Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Olinda, Porto de Galinhas, Fortaleza Jericoacoara, Canoa Quebrada, Amazonas, Brasília, Foz do Iguaçu e Florianópolis. Essa animação se mistura com imagens reais que estamos captando nesses lugares lindos e interessantes.

A equipe é pequena como num documentário, mas está funcionando muito bem! Somos 6 pessoas. Eu fotografando, Ariel Wollinger é o estereógrafo, pessoa responsável pelo cálculo de distância e convergência das câmeras. Bruno Coroinha como primeiro assistente, Marcelo Oliveira segundo assistente, Luba Agostino produtor e Mariana Caltabiano diretora.

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Alguns dias atrás em Salvador fomos ver o material numa sala Cinermark 3D e saí muito animada. Vi que realmente funciona e fica muito bom! Você consegue ver a separação entre os planos e criar profundidade. Por exemplo, na cena da capoeira, conseguimos fazer com que o pé do capoeirista saia para fora do plano da tela.

Uma coisa importante que percebi durante a projeção no cinema: as imagens ficam um pouco mais escuras por conta dos óculos 3-D que são polarizadores e acabam ?comendo luz?.

O equipamento:
São 2 câmeras Sony EX3, um rig da P+S Technik para até 15kg. Monitor 3D Transvideo para alinhar as câmeras e verificar a separação do 3D. Uma boa cabeça O?Connor e um jogo de tripés bem pesado.As lentes devem ser do mesmo lote ou de fabricação bem próxima. Isso não aconteceu comigo e sinto diferença de polarização nas lentes. Estou trabalhando flat, 1080/24p 180 graus -3db. Não estou deixando os brancos cliparem, e ando fugindo do contra luz na lente (que é um espelho) para evitar flares que estragam o efeito 3D.

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Como funciona:
As 2 câmeras fazem o papel dos nossos 2 olhos, com a vantagem que podemos mudar a distância entre elas. A de baixo é a vermelha, que representa o olho esquerdo. A de cima, a azul, representa o direito.

Quando aumentamos a distância entre as câmeras (interocular), aumentamos a sensação de profundidade mas isso deve ser calculado cuidadosamente a fim de evitar dores de cabeça e náuseas na platéia.

Um outro parâmetro que usamos é a angulação entre as câmeras (convergência). Tenho a preocupação de não exagerar nas coisas que saem da tela, usando esse efeito apenas como ação, prefiro criar volumes na imagem.

Estou filmando paisagens nas quais busco planos abertos para mostrar a beleza natural e a grandiosidade de lugares como dunas, falésias, manguesais e rios. Nas cenas de ação como capoeira, kite surf, passeios de jangada, surf e sandboard, faço os planos abertos para estabelecer o lugar e os fechados para dar a sensação ao público de estar dentro da cena.

Chegamos na locação e eu defino o quadro. Aí vem o Coroinha e alinha as 2 câmeras eàs vezes isso demora um pouco. Em seguida informamos ao Ariel qual a lente, a distância do objeto mais próximo e do mais distante em quadro. Esse cálculo é o que define a profundidade dos objetos/pessoas na tela de cinema. (Estamos calculando para uma tela de 12 metros). Ele com sua calculadora faz a conta e nos passa a separação das lentes (interocular). Só então estamos prontos para rodar. Esse processo todo acontece sempre que mudamos a lente ou se mudamos a câmera de lugar, pois elas desalinham.

A finalização das imagens será feita no Pablo, com projetor 3D tecnologia Real-D, igual as salas Cinemark. A supervisão de pós-produção é do Marcelo Siqueira e o equipamento 3D é da Cinepro. Espero que esse longa seja o primeiro de muitos!

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