Gustavo Hadba, ABC e Mustapha Barat, ABC: “O Debate”

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Por Danielle de Noronha

No dia 25 de agosto estreou o filme “O Debate”, primeiro longa-metragem dirigido por Caio Blat. Adaptado de uma peça de teatro escrita por Guel Arraes e Jorge Furtado, que assinam o roteiro, o filme discute política e questões recentes vivenciadas no país por meio do ponto de vista e da relação de dois jornalistas, Paula e Marcos, interpretados por Débora Bloch e Paulo Betti.

Realizado em apenas quatro meses, e lançado às vésperas do início da campanha eleitoral deste ano, o filme contou com direção de fotografia de Gustavo Hadba, ABC e Mustapha Barat, ABC, que compartilham um pouco sobre o trabalho no longa nesta entrevista.

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Mustapha Barat (com o celular), Caio Blat e Gustavo Hadba.

Li uma entrevista do Caio Blat na qual ele dizia que ‘O Debate’ é sobre amor e política. Poderiam nos contextualizar um pouco a história do filme?

Gustavo Hadba: O debate se passa na noite do debate presidencial do segundo turno entremeado com flashbacks recentes e outros mais distantes. É uma história de amor, e uma DR dos protagonistas como casal, e uma DR como professionais, discutindo o papel do jornalista informativo, mas também político. Estamos observando isso quase como voyeurs.

Mustapha Barat: Acrescentaria que mesmo sendo um filme de diálogos não é teatro filmado, pelo contrário, a linguagem cinematográfica predomina.

Quais foram suas primeiras impressões ao ler o roteiro?

G.H.: Quando li o texto que virou livro só pensava que deveria virar filme e que seria bom se fosse feito com urgência porque estamos precisando de debates.

M.B.: Soube do livro pela minha filha, que trabalha na editora que publicou o livro, e quando recebi o roteiro li numa sentada só, tamanho o impacto.

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O filme marca a estreia do Caio Blat na direção. Como foi essa parceria com ele?

G.H.: O Caio, com quem já filmei vários filmes, é uma pessoa do audiovisual e do teatro, já nasceu nesse mundo e tem uma enorme sabedoria de set e de atuação. Sabe o que quer e sabe ouvir, e acredito que estreou bem!

M.B.: Nunca tinha trabalhado com Caio antes, mas desde a primeira leitura e decupagem do roteiro fiquei impressionado com a clareza com a qual ele já visualizava os enquadramentos. Ele já tinha o filme na cabeça. Nas visitas de locação idem. Inclusive num dos encontros, levei comigo Maryse Alberti, a convidada internacional da Semana ABC 2022, e, depois dela assistir o Caio decupar a cena comigo, ela me disse que acreditava que seria um ótimo trabalho porque ficou nítido que ele sabe o que quer — o que é fundamental. Isso sem contar que o trabalho dele como ator e com atores é incrível.

Quais são os desafios e as vantagens de codirigir a fotografia de um filme?

G.H.: Com o Mustapha, além do prazer pessoal de dividir o set com um amigo, é um prazer profissional em que nos complementamos, cada qual ajudando o outro a viver as eternas dúvidas que nos ocorrem durante uma filmagem, e, num filme rápido como esse, é sempre melhor ter quatro olhos. Acho que na nossa profissão ainda existe uma forte cultura da competição e da insegurança tornando essas parcerias difíceis e complicadas. Mas quanto mais for possível dividir e ouvir melhor para o filme, aliás para isso que serve o debate.

M.B.: Gustavo e eu já tínhamos trabalhado juntos, como no DVD do Chico Buarque “Na Carreira”, e também no filme “Jorge Mautner: O filho do Holocausto”, entre outros. Portanto, quando ele me fez esse convite, sabia que além do prazer de trabalhar com um amigo, cujo trabalho admiro, teríamos essa ótima parceria de set, sem preocupação de competição e ego.

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Quais são as câmeras e as objetivas que foram utilizadas no filme e por que vocês as escolheram?

G.H.: Escolhemos a Alexa Mini! Por ser um filme de baixo orçamento era importante ter uma boa câmera mesmo que a escolha das objetivas tenha sido em função do orçamento.

M.B.: A escolha da Alexa-Mini foi totalmente acertada, considerando a resposta nas baixas luzes e a confiabilidade da Arri numa câmera compacta e relativamente leve, para uma filmagem com vários planos sequência e muita câmera na mão. As objetivas fixas foram uma mistura de Zeiss CP e Ultra Prime.

O filme se passa em parte em um estúdio de TV. Vocês construíram um diálogo com a linguagem do jornalismo televisivo?

G.H.: Tanto eu quanto o Mustapha temos experiência nesse ambiente de hard News e então tudo que você já passou está lá na sua mente e só buscar e adaptar, sem medo de qualquer ditadura naturalista ou tecnicista.

M.B.: Sim, como Gustavo disse, no passado ele e eu já trabalhamos com News, paralelamente ao cinema. Portanto é um mundo que conhecemos.

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Quanto tempo levaram da pré à finalização e como as equipes estiveram divididas durante as filmagens?

M.B.: A pré começou em maio e o filme foi finalizado em final de agosto, praticamente na véspera do lançamento. Salve poucas cenas, não dividimos as equipes e trabalhamos juntos.

Como funcionou o workflow de pós e qual a participação da direção de fotografia nele?

M.B.: Durante as filmagens o logger mandava prints com o LUT todo dia, como se fosse um copião. E antes de terminar as filmagens vimos os primeiros cortes das cenas. A marcação de Luz foi na Quanta Post com Pedro Saboya.

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Qual a expectativa de vocês em relação ao lançamento do filme?

G.H.: Adoraria que o filme fosse visto pelo maior número de pessoas possível porque trata de um assunto ainda pouco abordado na nossa cultura: a necessidade de debater ouvir / discordar sem sempre ter que ser uma crítica tomada como ofensa. Tomara que seja visto por jovens e em muitas escolas.

M.B.: É um filme importante na medida em que se propôs, nesse momento de extrema polarização do debate político, a ressaltar a importância de expor e debater ideias e saber escutar o outro, tanto na política quanto nas relações pessoais. A expectativa é que seja visto por muitos.

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Algo mais que gostariam de acrescentar?

G.H.: Acho que nesse filme conseguimos alcançar uma qualidade fotográfica tendo em vista prazo de filmagem e pôs por conta de estarmos atentos no que realmente interessava e não tentando fazer o impossível nem se frustrando pelo que não tínhamos. Quanto mais filmes possíveis, mais filmes faremos.

M.B.: Mesmo se não é diretamente relacionado ao filme, quero aproveitar para falar o obvio: precisamos nos unir e defender o audiovisual brasileiro que está sendo atacado como nunca antes. Não faz sentido nem cultural nem economicamente para o país.

Ficha Técnica:
Direção: Caio Blat
Roteiro: Guel Arraes e Jorge Furtado
Produção: Belisario Franca e Manoel Rangel
Produção Executiva: Olívia Buarque
Produtor Associado: Edson Pimentel
Direção de Fotografia: Gustavo Hadba, ABC e Mustapha Barat, ABC
Direção de Arte: Marcus Figueroa
Produção Artística: Flávia Lacerda
Figurino: Natália Duran e Julia Melo
Edição: Fábio Jordão
Som Direto: Gui Algarve e Davi Paes
Trilha: Juliano Holanda
Edição de Som e Mixagem: Miriam Biderman, ABC e Ricardo Reis, ABC
Elenco: Débora Bloch, Paulo Betti, Caio Blat, Elias Gabriel, Luisa Arraes e Tainá Neves.

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