Adolpho Veloso: “Tungstênio”

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Por Danielle de Noronha

Dia 21 de junho chega aos cinemas o novo filme de Heitor Dhalia, Tungstênio, baseado no quadrinho homônimo de Marcello Quintanilha.

O filme traz quatro personagens para o centro da narrativa: um sargento do exército aposentado, um policial e sua esposa e um traficante, que aparentemente não possuem nada em comum, mas eles vão se unir em prol de um bem maior. Quando pessoas começam a utilizar explosivos para pescar na orla de Salvador, na Bahia, esse grupo fará de tudo para acabar com esse crime ambiental. Mas, na busca dos caminhos que lhes pareçam mais corretos, cada um deles vai passar por mais conflitos pessoais e morais.

A fotografia é assinada por Adolpho Veloso, que nos conta um pouco sobre o trabalho no filme.

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Quais foram as suas primeiras impressões ao ler o roteiro de Tungstênio?

Tínhamos acabado de filmar o On Yoga quando Heitor me convidou para fazer o Tungstênio. Não existia um roteiro ainda, mas tinha dado tão certo a parceria que aceitei antes mesmo de ler o quadrinho.

Quais câmeras e lentes foram utilizadas? Por quê?

Usamos a Alexa Mini com um conjunto de Zeiss Standard e Zeiss Superspeed. Como o filme era inteiro com câmera na mão, quase todo feito em ângulos não tradicionais, para se aproximar dos desenhos do Marcello, preferi ter lentes mais leves e que distorcessem bastante a imagem, assim como os quadrinhos, com perspectivas forçadas que se assemelhavam bastante com angulares. Parecia que o Marcello tinha desenhado tudo com uma 12mm. Então usamos a 12mm quase que o filme inteiro. Se não me engano a 18mm foi a mais fechada que usei.

Foram realizados testes prévios?

Fiz testes comparativos entre Amira e Alexa. Tinha acabado de filmar o documentário do Heitor com a Amira e tinha amado a textura que ela trouxe para a imagem. Comparei o raw da mini com o prores da Amira e levei o material ao Serginho Pasqualino para comparamos. Acabamos optando pelo raw, pela diferença de ruído nas baixas. Levando em conta que ia estar em situações de alto contraste quase sempre, quanto mais latitude sem ruído, melhor.

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Uma vez me disseram que filmar na praia é sempre um desafio. Você concorda? Como foram filmadas as cenas na praia e no mar?

Foi muito mais difícil que imaginava. Uma sequência inteira do filme se passava num pedaço de praia que era completamente dependente da maré. Então meus pedidos de horário por luz eram quase que inúteis. Ou filmávamos quando a areia estava lá ou não filmávamos. As sequências de barco também foram bem trabalhosas, com o movimento do mar fica bem difícil fazer alguns planos que em terra seriam super fáceis. Foi muito difícil para a continuidade também, pois tivemos muita inconstância meteorológica. Dias completamente nublados e dias ensolarados que deveriam montar juntos. Foi uma loucura na filmagem e uma loucura maior ainda na correção de cor. Serginho brilhou.

Como a fotografia dialogou com a estética dos quadrinhos de Marcello Quintanilha?

O filme tem muito do quadrinho. Uma versão em movimento e colorida. Tentamos ao máximo manter a estética com perspectivas forçadas e um certo estranhamento para dar força aos personagens da mesma maneira que o Marcello fez.

Houve outras influências para a fotografia?

Me apoiei muito no trabalho do Miguel Rio Branco. Que é um gênio e retratou Salvador de forma espetacular nos anos 1970 e 1980.

O HQ é em preto e branco. Como foi o trabalho de colocar cor nessa história?

Por muito tempo tive na cabeça que o filme deveria ser PB como os quadrinhos, mas depois de um tempo Heitor me convenceu que deveria ser colorido. O desafio de fotografar um forte completamente branco era grande e encontramos no trabalho do Miguel um caminho interessante.

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Poderia falar um pouco sobre o processo de escolha das locações? 

As locações em sua maioria já estavam definidas pelo quadrinho. E foi curioso buscar nos espaços reais o que o Quintanilha tinha desenhado. Algumas coisas mudamos, mas a grande maioria se manteve igual ao quadrinho. Salvador tem locações incríveis. E a energia do lugar ajuda muito. O que não ajuda é o sol. Que sobe muito rápido e parece estacionar no alto por horas pra baixar muito rápido depois.

Como foi o trabalho com a equipe de arte e o que dizer da parceria com o diretor Heitor Dhalia?

A Dani Vilela foi uma baita parceira. Sabíamos dos desafios e compramos as brigas juntos. Ela ajudou muito a transpor o mundo PB para o mundo colorido de uma maneira harmônica e que tivesse uma personalidade. Ela brilhou. O Heitor gosta de se envolver em tudo e foi uma evolução interessante, é completamente diferente filmar um documentário e uma ficção. É uma parceira consolidada, que deu certo e adoraria repetir em breve.

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Como foi o workflow de pós e qual sua participação nele?

Fizemos a correção de cor na Quanta, onde estavam fazendo a pós do filme. Como participei do processo inteiro de correção de cor acabei vendo de perto o resto do processo também. Cada dia que ia corrigir cor tinha por lá um efeito novo ou algo para xeretar. Foi interessante. O Bruno, que finalizou, ajudou muito também.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Agradecer imensamente toda minha equipe: Paulo Nunes, Rodrigo Fidelis, Alessandro Valese e suas respectivas equipes. Além de extremamente competentes, eram parceiros e seguraram a onda. Agradecer o Serginho também que sempre compra as brigas e sempre melhora meu trabalho.

Ficha Técnica
Direção: Heitor Dhalia
Produção: Egistro Betti
Produção Executiva: Fernanda Geraldini; Justine Otondo e Ducha Lopes
Roteiro: Marcello Quintanilha; Fernando Bonassi e Marçal Aquino
Direção de fotografia: Adolpho Veloso
Direção de Arte: Dani Vilela
Direção de Produção: Marcos Teshima
Marketing: Nana Du Plessis
Maquinária: Rodrigo Fidelis
Elétrica: Paulo Nunes
Produção de objetos: Neca Lucena
Figurino: Masta Ariane e Joana Gatis
Maquiagem: Tayce Vale
Assistência de Direção: Kity Feo
Assistência de Produção Executiva: Sofia Aquino e Pedro Betti
Preparação de Elenco: Chico Accioly e Anna Luiza Paes de Almeida
Montagem: Gustavo Giani
Som Direto: Jorge Rezende
Coordenação de pós-produção: Camila Doimo
Finalização: Laboratório Digital Lilit
Pós-produtora: Quanta
Fotos: Stella Carvalho
Produção: Paranoid Filmes
Coprodução: Globo Filmes e Canal Brasil
Distribuição: Pagu Pictures
Elenco: Fabricio Boliveira, Samira Carvalho Bento, José Dumont e Wesley Guimarães

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