ABC participa do 65º Festival Internacional de Cinema de Cartagena (FICCI), na Colômbia

Sócio Jacob Solitrenick, ABC ministrou a masterclass “O Poder da Luz” em abril
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Masterclasse “O Poder da Luz”, ministrada pelo diretor de fotografia Jacob Solitrenick, ABC. Foto: FICCI/Divulgação

Por Jacob Solitrenick, ABC

A ABC foi convidada pela FELAFC – Federação Latino-americana de Autores de Fotografia Cinematográfica e pela ADFC – Associação de Diretores de Fotografia Cinematográfica de Colombia para participar do 65º FICCI – Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias na Colombia, realizado de 14 a 19 de abril.

O evento apresentou uma programação com mais de 200 filmes, incluindo 55 estreias colombianas, 42 latino-americanas, quatro internacionais e 26 mundiais. Estreia internacional é a primeira exibição de um filme fora de seu país de origem, enquanto estreia mundial é a primeira exibição pública de uma produção em qualquer lugar do globo.

Durante seis dias, o cinema esteve disponível gratuitamente em toda Cartagena: nos cinemas, nas ruas e em eventos abertos a todos.

Fundado em 1960, o FICCI é o festival de cinema mais antigo da América Latina. Ao longo de sua história, caracterizou-se por abraçar e promover a ousadia e a inovação na dramaturgia e no estilo cinematográfico ibero-americano e mundial.

Ao longo de seis décadas, mais de cinco mil filmes foram exibidos nas instalações do FICCI, promovendo, em especial, a produção e o desenvolvimento de filmes latino-americanos e ibero-americanos, e destacando o trabalho de produtores(as), diretores(as), atores, atrizes e outros(as) profissionais da indústria na região.

Neste ano, o Brasil foi o país convidado de honra e o protagonista dos Prêmios India Catalina. O convite foi feito pelo presidente da ADFC, Jorge Mario Vera, diretor de fotografia e restaurador de filmes.

Tive a honra de ser indicado pela presidente da ABC, Fernanda Tanaka, para representar a Associação no festival e ministrar a masterclass “El Poder De La Luz” (O Poder da Luz).

Cartagena das Indias, banhada pelo Mar do Caribe, foi fundada em 1º de junho de 1533, e foi batizada em homenagem a Cartagena, na Espanha. O festival acontece majoritariamente em seu bem conservado centro histórico, conhecido como a cidade fortificada e declarado Patrimônio Nacional da Colômbia e Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Reencontro com um mestre

A viagem de ida foi longa, com escalas em Lima e Bogotá, e cheguei na manhã do dia 15 justo a tempo de alcançar a homenagem que o Festival dedicou a César Charlone, ABC, SCU, um dos nossos ícones da cinematografia.

Pessoalmente foi um reencontro com um dos meus mestres. Conheci o César em 1984 trabalhando na sua produtora Montevídeo quando eu ainda era assistente de produção, mas foi posteriormente, já como 1º assistente de câmera, que trabalhamos mais intensamente.

Passei boa parte do tempo preparando a apresentação para a masterclass e não pude aproveitar tudo, infelizmente, que o festival oferece entre filmes, palestras, festas e convívio social. São dias intensos para a cidade, cheia de cinéfilos e profissionais do audiovisual, com trocas de idéias, conhecimento e experiências. Vale muito a pena participar, inscrever seus projetos e aproveitar a cidade, o ambiente do festival, a cultura, a comida e, claro, o café colombiano.

Jorge Mario Vera, que gentilmente me ciceroneou, fez duas sugestões para a masterclass, que eu fala-se da função e propriedades da luz, levando em consideração que seria um público heterogêneo, e de convidarmos o César para participar comigo da masterclass. O que aceitei com prazer.

Minha masterclass

Na apresentação, incluí trechos de “Sugar” (2024), série fotografada pelo César, que de alguma forma exemplifica a linguagem e o pensamento dele.

Creio que o César sintetize para mim um dos fundamentos do exercício cinematográfico, que é o de não nos enrijecermos, de nos mantermos abertos às mudanças tecnológicas, de linguagem e de idéias, de estarmos nos renovando sempre.

No final da apresentação, usei três filmes que fotografei como exemplo da construção da linguagem, da pré à pós-produção: “Love Kills”, filme de gênero que estreiou nos cinemas em maio, com história baseada na graphic novel de vampiros, que possibilita uma linguagem visual fora do realismo; “Hoje” (2011) e “De Menor” (2013), utilizados como contraposição, com iluminação realista e muita camera na mão.

Na plateia e na confraternização que se sucedeu, estavam colegas membros da ADFC como Adriana Bernal, Paulo Pérez, Alfonso Parra, Helkin René Diaz, Rodrigo Lalinde e Sergio García Moreno.

Gostaria de agradecer à ABC, especialmente a Fernanda Tanaka, Luna Borges e Luna D’Alama, à ADFC, à FELAFC e ao FICCI pela oportunidade.

Mais informações em https://ficcifestival.com/ e @ficcifestival.

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