Confira o debate sobre “O sequestro do voo 375” promovido pela Sessão ABC, na Cinemateca Brasileira

Após a exibição do longa, equipe detalhou o processo do filme
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Debate da Sessão ABC com o diretor de fotografia Rhebling Jr., a editora de som Miriam Biderman, ABC, a produtora Joana Henning e o diretor Marcus Baldini. Mediação do sócio Bruno Graziano. Foto: Adriana Vichi

Por Luna D’Alama

A primeira Sessão ABC de 2025 exibiu o filme brasileiro “O Sequestro do Voo 375” (2023), dirigido por Marcus Baldini, no dia 22 de fevereiro, às 15h, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Após o longa, foi realizado um debate com a participação do diretor, do diretor de fotografia e associado Rhebling Jr. (Rambo), da editora de som e associada Miriam Biderman, ABC e da produtora Joana Henning. A mediação foi do associado e diretor de fotografia Bruno Graziano.

Indicado a 12 categorias do Prêmio Grande Otelo 2024, “O Sequestro do Voo 375” venceu seis delas: Melhor Som (Miriam Biderman, ABC, Ricardo Reis, ABC e Sérgio Scliar), Melhor Efeito Visual (Marcelo Cunha e Joaquim Moreno), Melhor Montagem (Lucas Gonzaga e Gustavo Vasconcelos), Melhor Direção de Arte (Rafael Ronconi), Melhor Roteiro Adaptado (Lusa Silvestre e Mikael de Albuquerque) e Melhor Ator Coadjuvante (Jorge Paz).

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Primeira Sessão ABC de 2025 exibiu o longa de ficção “O Sequestro do Voo 375”. Foto: Adriana Vichi

A produtora Joana Henning, sócia do Estúdio Escarlate, destacou que o filme foi aprovado em 2017 e iniciado apenas em 2021. Também contou muito com a participação do diretor, desde o primeiro tratamento do roteiro, e a equipe foi desenvolvendo soluções em conjunto. “O giro do avião foi um grande desafio, e era importante fazer um giro não hollywoodiano na execução, mas hollywoodiano na entrega. E acho que foi uma meta alcançada”, afirmou. Além disso, houve uma intensa articulação com a Força Aérea Brasileira (FAB), pois a realização do filme dependia de alianças com o governo e com os militares, visto que a indústria audiovisual do país não tem caças, Boeings e aviões militares disponíveis. “Nem com todo o orçamento do mundo, a gente teria essas locações. Bati continência para quatro comandos ao longo de sete anos, e isso possibilitou que a gente parasse uma pista militar para filmar durante uma semana. Além disso, tivemos uma consultoria fina sobre o Cindacta [Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo] e sobre a própria história real. Hoje em dia, por exemplo, ninguém [mais] entra com uma arma num avião. Esses detalhes deram para o roteiro e para a filmagem um lugar verossímil, trouxeram credibilidade”, explicou.

Na sequência, o diretor Marcus Baldini – que já dirigiu os longas “Bruna Surfistinha” (2011) e “Os homens são de Marte…e é pra lá que eu vou” (2014), assinou episódios da série “Ninguém tá olhando” (2019) e é um dos criadores e diretores da série “O Rei da TV” (2022-2023) – ressaltou que sua preocupação era fazer um filme de ação que, ao mesmo tempo, trouxesse o panorama sociopolítico do Brasil no fim da década de 1980. “Não era a intenção, mas havia o risco de fazermos uma cópia, um rascunho do cinema norte-americano. Então, o maior desafio – e a estratégia – era dar camadas para os dois atores [principais, vividos por Danilo Grangheia e Jorge Paz], que trabalham num espaço muito pequeno e tinham que estabelecer ali uma conexão. Dar a dimensão humana e falar um pouco do país de 1988 foi a estratégia mais importante [que adotamos] para manter as pessoas grudadas na tela, para além da pirotecnia e das manobras do avião”, frisou.

Ainda segundo Baldini, os roteiristas partiram de entrevistas documentais para tentar entender os(as) personagens do filme e imaginar como aquelas pessoas agiriam. “Demos humanidade ao Nonato [sequestrador do avião]; porém, sem justificar as ações dele”, disse. O cineasta acrescentou que a equipe enfrentou muitos desafios técnicos e que tudo foi orquestrado como um grande quebra-cabeças, como peças de Lego. “Era muito espremido dentro do cockpit [cabine de comando], e a gente filmava oito páginas [de roteiro] por dia ali. Manter aquele grau de tensão, a emoção, as camadas [num local tão pequeno] foi difícil de fazer. Mas funcionou”, lembrou.

De acordo com o diretor de fotografia Rhebling Jr., o maior desafio ao assinar a cinematografia de “O Sequestro do Voo 375” foi justamente o espaço reduzido, estreito, claustrofóbico. “Tecnicamente, foi difícil fazer o movimento todo com, em média, 80 pessoas dentro do avião, sem machucar ninguém, sem acidentes. E ainda com os efeitos de cintos de soltando, pessoas [de várias idades] interagindo na ação, com câmeras e som. Tinha dias que a gente girava 15, 18 vezes”, revelou. Rhebling Jr. contou, ainda, que apostou em uma câmera subjetiva dinâmica, que seria o ponto de vista de um voyeur, como se o espectador estivesse dentro da aeronave.

“Fugimos da grande angular, porque essa não era a linguagem do filme. Trabalhamos mais com a longitude do que querer abrir [o campo de visão] e mostrar tudo. Utilizamos quatro aviões, e eu tinha mapa de tudo. Fazia tal plano e o contraplano só um mês depois, sem que o público pudesse sentir a diferença de nuances. [Segundo a produtora Joana Henning, há cenas distantes apenas cinco segundos que, nas gravações, são separadas por dois meses de diferença]. Quanto à luz, não tive recursos faraônicos. Boa parte do cockpit era chroma key, difícil de iluminar, e o plástico da cabine tem muita refração. Além disso, cada giro que fazíamos durava cerca de dois minutos. Eu ficava de cabeça para baixo gravando, e os comandos de direita e esquerda se tornavam espelhados, por isso ia para o lado oposto ao que o diretor mandava. Foram nove semanas e meia de tensão, mas o resultado ficou muito bom”, avaliou. O diretor Marcus Baldini acrescentou que as poltronas do avião tinham um espaço maior, assim como o corredor, para passagem do travelling. “Rambo abriu mão do conforto do fotógrafo que só pensa na luz”, elogiou.

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Os participantes do debate, na Cinemateca Brasileira. Foto: Adriana Vichi

Para a editora de som Miriam Biderman, ABC, seu maior desafio (com seu sócio e parceiro Ricardo Reis, ABC) na pós-produção foi a urgência do tempo para finalização e entrega. “É um filme gigantesco, um presente, com todas as suas dimensões humanas, de ação, pirotecnias. Claro que a gente sempre acha que poderia ter ficado melhor, mas entregamos um resultado completo, tem muito mérito”, destacou. Miriam e Ricardo mergulharam no universo da aviação e seus sons. “O filme já veio com um bom desenho de som da montagem, com muitas ideias e coisas esboçadas, Não tivemos tempo hábil para gravar áudios [especificamente para a obra], então pesquisamos coleções. Mas o mais importante nem era tanto o efeito documental do som, mas o efeito dramático. A trilha do [músico, compositor e produtor] Plínio Profeta também é incrível. Como o som é a última etapa da pós, sempre tem pressão, e a gente aprende a lidar com isso”, acrescentou. Segundo a produtora Joana Henning, os silêncios também se fazem presentes e necessários para o andamento do longa.

A preparação do elenco foi feita pelo ator e diretor Emilio de Mello, num simulador de voo. “É a curva de emoção do protagonista [o piloto Murilo, vivido pelo ator Danilo Grangheia] que conduz a audiência”, analisa o diretor Marcus Baldini. De acordo com a produtora Joana Henning, havia um elenco fixo de quase cem pessoas. “Tínhamos medo de que virasse uma gritaria, um dramalhão, um bando de gente desesperada. Então, uma das decisões foi trabalhar com elenco de apoio, e não só com figuração”, finalizou.

Veja o debate na íntegra:

SINOPSE:

Em 1988, o trabalhador Raimundo Nonato Alves se rebela contra o presidente José Sarney e as dificuldades de um país em crise econômica, e orquestra o sequestro de um voo comercial para um atentado ao Palácio do Planalto. Murilo, o piloto do avião, se vê responsável pela vida de mais de cem pessoas a bordo do voo Vasp 375 e, mesmo com toda a tensão criada pelo sequestrador, executa a manobra mais impressionante de sua carreira, mudando a história da aviação. Baseado em uma história real.

Ficha Técnica:

Diretor - Marcus Baldini
Produtora - Joana Henning
Coprodutor - Constâncio Vianna
Produção - Estúdio Escarlate
Produtora Executiva - Paula Torres
Roteiristas - Lusa Silvestre e Mikael de Albuquerque
Distribuição - Star Distribution Br
Diretor de Fotografia - Rhebling Jr (Rambo)
Diretor de Arte - Rafael Ronconi
Figurinista - Letícia Barbieri
Caracterizadora - Simone Batata
Produtora de Objetos - Juliana Di Grazia
Trilha Sonora - Plínio Profeta
Desenho de Som - Miriam Biderman, ABC
Som Direto - Sérgio Scliar
Preparador de Elenco - Emilio de Mello
Elenco - Danilo Grangheia, Jorge Paz, Roberta Gualda, Cesar Mello, Juliana Alves, Adriano Garib, Claudio Jaborandy, Gabriel Godoy, Wagner Santisteban, Arianne Botelho, Diego Montez e Johnnas Oliva

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