Por Luna D’Alama
O 53º Festival de Cinema de Gramado começa nesta quarta-feira (13) e segue até 23 de agosto, com a exibição de 74 filmes, entre curtas e longas, incluindo estreias nacionais. Na abertura do evento, o público assistirá ao inédito “O Último Azul”, dirigido por Gabriel Mascaro e vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, em fevereiro.
O mais tradicional e antigo evento cinematográfico ininterrupto do Brasil, realizado na serra gaúcha, reunirá centenas de cineastas, artistas, jornalistas, estudantes e espectadores em geral. Destaque para as cinco mostras competitivas: de longas-metragens brasileiros de ficção, documentários, curtas nacionais, longas gaúchos e curtas gaúchos.
O Festival de Gramado traz, ainda, produções universitárias, títulos fora de competição, pré-estreias de séries e atividades que vão de homenagens a debates, passando por encontros de mercado e exibições especiais. A curadoria de longas brasileiros e documentais deste ano, assinada pelo ator e diretor Caio Blat, pela atriz Camila Morgado e pelo jornalista e crítico Marcos Santuario, reafirma Gramado como a primeira janela para importantes lançamentos da cinematografia brasileira.
Nesta quarta e quinta-feira, a nova geração de realizadores(as) ganha espaço com a 1ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo e a tradicional Mostra Educavídeo. A primeira reúne curtas de alunos(as) do ensino fundamental e médio de estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Já o Educavídeo, projeto que oferece capacitação em audiovisual para estudantes de Gramado, soma mais de 110 produções ao longo de sua história.
Nesta edição, estão confirmadas no Festival de Gramado as presenças de Bárbara Paz, Bruna Linzmeyer, Camila Márdila, Danielle Winits, Denise Fraga, Denise Weinberg, Douglas Soares, Edson Celulari, Eduardo Moscovis, Gabriel Mascaro, Gero Camilo, Ícaro Silva, Igor Fernandez, Johnny Massaro, Laís Melo, Leo Jaime, Malu Galli, Marcélia Cartaxo, Mariza Leão, Miguel Falabella, Rodrigo Santoro, Sergio Rezende e Xamã, entre outros artistas e realizadores(as).
Confira a programação completa e mais informações em https://festivaldecinemadegramado.com/ e @festivaldegramado.
Evento inclui trabalhos de sócios(as/es) da ABC
Entre os(as/es) associados(as/es) da ABC que participam com trabalhos no 53º Festival de Cinema de Gramado, estão o diretor de fotografia Gustavo Hadba, ABC e o mixador Ariel Henrique, ABC, que, respectivamente, fotografou e mixou o longa “Meu Querido Mundo”, dirigido por Miguel Falabella e Hsu Chien (professor da ABC Cursos de Cinema) e com Malu Galli, Eduardo Moscovis, Danielle Winits e Marcello Novaes no elenco.
Um dos seis títulos a disputar o troféu Kikito na seleção oficial de Longas Brasileiros, “Meu Querido Mundo” se passa em uma pequena cidade fluminense, onde Elsa (Malu Galli) vive com o marido Gilberto (Marcello Novaes), um homem bruto e inescrupuloso. Elsa está cansada da vida pacata que leva, sem sonhos ou expectativas. Ela tem um vizinho, o engenheiro Oswaldo (Eduardo Moscovis), que enfrenta problemas em seu relacionamento com Odília (Danielle Winits), e também em sua profissão. Certo dia, Elsa e Oswaldo ficam presos nos escombros de um prédio abandonado, às vésperas do ano-novo, e ambos têm a oportunidade de unirem seus mundos e viverem coisas inusitadas.
Já o diretor de fotografia Glauco Firpo e a colorista Maísa Joanni, DAFB trabalharam em “Sonhar com Leões”, dirigido por Paolo Marinou-Blanco e com atuação de Denise Fraga. A obra também está na competição de Longas Brasileiros e é uma tragicomédia surreal sobre a eutanásia. Gilda (Denise Fraga), uma imigrante brasileira vivendo em Lisboa, tem uma doença terminal e apenas um ano de vida pela frente. Seu único desejo é morrer enquanto ainda é ela mesma.
Outro longa na disputa, “Papagaios”, de Douglas Soares, foi fotografado pelo associado Guilherme Tostes. Tunico é o mais famoso “papagaio de pirata” do Rio de Janeiro e está sempre perseguindo repórteres para aparecer na TV. Após um grave acidente, ele conhece Beto, jovem misterioso que se torna seu aprendiz. Esse encontro revelará a face oculta da busca pela fama, em um Brasil com mais de 70 milhões de TVs ligadas diariamente.
Vale destacar, ainda, o trabalho do diretor de fotografia Bruno Polidoro, ABC na cinematografia dos longas “Rua do Pescador nº 6”, dirigido por Bárbara Paz, e “Bicho Monstro”, dirigido por Germano de Oliveira. Ambos integram a Mostra Competitiva de Longas Gaúchos. Na Rua dos Pescadores nº 6, uma comunidade ribeirinha é profundamente afetada pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Com a baixa das águas, emergem memórias de vidas marcadas pela tragédia. Já “Bicho Monstro” apresenta um vilarejo rural, no qual a pequena Ana se impressiona com uma peça sobre o misterioso Thiltapes. Duzentos anos antes, um botanista alemão ouve uma história sobre esse mesmo animal. Enquanto lidam com dilemas distintos, ambos perseguem a mesma criatura.
Outro associado cujo trabalho está presente nesta edição de Gramado é o diretor de fotografia Marx Vamerlatti, que assina a cinematografia do curta “Safira, o Mar e a Vida”, selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas Gaúchos. Filmado no balneário de Barra do Sul (SC), “Safira, o Mar e a Vida” apresenta o cotidiano de uma mulher trabalhadora da pesca artesanal, atividade milenar que Safira aprendeu aos 9 anos, com o pai, em alto-mar.
Já o sócio Maurício Borges de Medeiros trabalhou como diretor de fotografia e roteirista do curta nacional “Aconteceu à Luz da Lua”, dirigido por Crystom Afronário. A sinopse do filme é a seguinte: Na periferia de Porto Alegre, Wellington, de 18 anos, sonha em concluir o ensino médio e entrar na universidade para transformar sua comunidade. Ele incentiva Willian, de 23, que é apaixonado pelo audiovisual, mas duvida de seu potencial acadêmico. Juntos, os dois enfrentam desafios em busca de um futuro melhor.
Além dos já mencionados, o associado Daniel Dode trabalhou como colorista e supervisor de pós-produção nos longas “Uma em Mil”, de Jonas Rubert e Tiago Rubert, e “Quando a Gente Menina Cresce”, de Neli Mombelli; no curta “Imigrante/Habitante”, de Cassio Tolpolar; e na série “Comer, Beber e Aprender”, do Canal Futura (com direção geral de Rogério Rodrigues), que terá uma sessão de pré-estreia em Gramado.
Por fim, a estudante de cinematografia Camille Miranda fotografou o curta universitário “Cilene e o Mar” (RJ), dirigido por Giulia Boccaletti. Após perder o marido, a personagem Cilene luta para sobreviver. Com a ajuda de José, filho de uma vizinha, ela segue na pesca. Aos poucos, ambos se aproximam, unidos por suas dores e silêncios.
MinC lança edital de R$ 60 milhões
Neste sábado (16), às 10h, o Ministério da Cultura (MinC) lançará o Edital para Comercialização em Cinema, com investimentos de R$ 60 milhões. O anúncio será feito pelo secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, e pela secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, na abertura do Gramado Film Market.
“O Brasil vive um momento de fortalecimento da sua produção audiovisual e precisamos garantir que essas obras cheguem de forma ampla e diversa às telas do país”, afirma a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
O edital selecionará projetos de comercialização de obras cinematográficas brasileiras independentes de longa-metragem (ficção, documentário ou animação) para distribuição no mercado doméstico. Poderão participar distribuidoras nacionais independentes registradas na Agência Nacional do Cinema (Ancine), e as inscrições estarão abertas de 25 de agosto a 13 de outubro de 2025, pelo Sistema Mapa da Cultura.
“Esse edital é um passo decisivo para garantir que o cinema brasileiro chegue com força ao público. Ao fomentar a distribuição, estamos fortalecendo o ciclo completo da cadeia audiovisual e ampliando a diversidade de vozes e narrativas nas telas do país”, destaca o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares.
A chamada prevê cinco módulos de apoio, variando de R$ 250 mil a R$ 2 milhões por projeto, conforme o alcance de exibição. Também estabelece cotas regionais de no mínimo 40% dos recursos para projetos apresentados por empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e 20% dos recursos para projetos vindos da região Sul ou dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Há, ainda, ações afirmativas de no mínimo 25% dos recursos para empresas com quadro societário majoritariamente composto por pessoas negras, indígenas ou com deficiência. E 50% dos recursos serão destinados a projetos de comercialização que incluam mulheres cis, ou pessoas trans desempenhando as funções de roteiro, direção ou produção.
“Com esse investimento, ampliamos a competitividade do cinema brasileiro, incentivamos lançamentos em diferentes regiões e fortalecemos distribuidoras independentes que apostam em narrativas plurais”, finaliza a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga.