Até 2/4, CineSesc realiza Mostra Farol, que mescla filmes inéditos e obras de cineastas consagrados

Mostrafarol
Foto: CineSesc/Divulgação

De 20 de março a 2 de abril, o CineSesc (Rua Augusta, 2075 – São Paulo) apresenta a primeira edição da “Mostra Farol: O cinema entre a memória e o agora”. A programação reúne 31 filmes, entre sessões presenciais e online, em dois eixos principais: obras de cineastas já consagrados, revisitadas como heranças e sementes de revoluções estéticas; e uma seleção de títulos recentes, que já circularam por grandes festivais, mas que ainda permaneciam inéditos comercialmente no Brasil, e são grandes apostas.

Como o próprio nome sugere, o projeto se inspira na ideia de um farol, que orienta navios em mar aberto e organiza o percurso dessas embarcações. As obras escolhidas atravessam distopias moldadas pelo capitalismo e incursões no horror corporal, revisitam conflitos territoriais históricos na África e no Oriente Médio e investigam memórias, culturas, identidades e subjetividades de gênero e sexualidade, sugerindo novas rotas para o cinema contemporâneo.

O eixo de Inéditos abre com sessão gratuita nesta sexta-feira, às 20h, com Surda (2025), dirigido por Eva Libertad. O longa venceu o Prêmio do Público na Mostra Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro. A história acompanha uma gravidez sob o olhar da acessibilidade. A sessão será gratuita, contará com recursos de acessibilidade (via App Conecta com Libras e AD, e legendagem na tela), e os ingressos devem ser retirados com 1h de antecedência.

Surda
Surda (2025), dirigido por Eva Libertad, venceu prêmio em Berlim e abre a Mostra Farol. Foto: CineSesc/Divulgação

Ainda na programação da Mostra Farol, destacam-se as distopias indicadas à Palma de Ouro em Cannes Alpha, de Julia Ducournau, que utiliza o body horror para evocar o pânico da epidemia de HIV nos anos 1980; e O Senhor dos Mortos, de David Cronenberg, que imagina o luto transformado em voyeurismo tecnológico.

Já o recorte histórico e geopolítico ganha força com o drama semiautobiográfico A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr. (BAFTA 2026), sobre a Nigéria militarizada na década de 1990, sob a perspectiva de duas crianças; e Palestina36, de Annemarie Jacir, que revisita a insurgência contra o domínio colonial britânico.

Asombradomeupai
A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr., venceu o Bafta 2026 na categoria de Melhor Estreia de Roteirista, Diretor ou Produtor Britânico. Foto: CineSesc/Divulgação

A mostra também ilumina a experiência feminina e social brasileira, com o documentário Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia, que investiga a arquitetura como herança escravocrata; e a ficção Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, sobre três gerações de mulheres em busca de sobrevivência afetiva e econômica.

As identidades em transformação, por sua vez, marcam presença em Queerpanorama, de Jun Li, sobre a solidão gay em Hong Kong; e O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, que cruza resquícios coloniais e fricção cultural na África Ocidental.

Registros voltados à memória aparecem em Diamantes, de Ferzan Özpetek, uma celebração ao fazer cinematográfico em Roma e à história de um grupo de costureiras que trabalhavam em uma fábrica de figurinos; Fuck the Polis, de Rita Azevedo Gomes; e em O Dia de Peter Hujar, de Ira Sachs, que captura a efervescência da Nova York dos anos 1970, por meio de uma conversa entre o fotógrafo nova-iorquino Peter Hujar e a escritora Linda Rosenkrantz.

Diamantes
Diamantes, de Ferzan Özpetek, celebra o fazer cinematográfico em Roma e a história de um grupo de costureiras. Foto: CineSesc/Divulgação

Filmes revisitados

No eixo Memória, o cineasta David Cronenberg retorna com seu longa de estreia, Calafrios (1975), explorando o medo causado por uma pandemia em um condomínio canadense. Destaca-se também o clássico Robocop, de Paul Verhoeven, que antecipou discussões sobre a privatização do Estado e a desumanização tecnológica.

O resgate histórico inclui, ainda, exibições em 35 mm dos suspenses Gosto de Sangue, estreia dos irmãos Joel e Ethan Coen, marcada por reviravoltas na trajetória dos personagens; e Os Matadores, de Beto Brant, que disseca a ambiguidade de um assassino de aluguel.

A realidade urbana e a falta de perspectiva da juventude são contrastadas entre o Rio de Janeiro de 1955 em Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos; e a Austin (Texas) dos anos 1990 em Slacker, de Richard Linklater.

No campo das tensões familiares e do isolamento doméstico como território de controle, a seleção traz o perturbador Dente Canino, de Yorgos Lanthimos; o registro seco de A Maçã, de Samira Makhmalbaf; e a melancolia de As Virgens Suicidas, primeiro longa de Sofia Coppola. O recorte encerra-se com as subjetividades femininas nas estreias de Claire Denis, em Chocolate, e de Ava DuVernay, em I Will Follow.

Streaming, aulas magnas e exibição comentada

A plataforma Sesc Digital também recebe cinco obras inaugurais de grandes diretores e diretoras: Eu,Tu, Ele, Ela (1974), de Chantal Akerman; Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão (1980), de Pedro Almodóvar; Durval Discos (2002), de Anna Muylaert; Crítico (2008), de Kleber Mendonça Filho; e A Negação do Brasil (2000), de Joel Zito Araújo. Os filmes ficam disponíveis via streaming gratuitamente, sem necessidade de cadastro.

Durvaldiscos
Durval Discos, dirigido por Anna Muylaert, está no catálogo do Sesc Digital. Foto: CineSesc/Divulgação

No intuito de estimular o pensamento crítico, o resgate da memória e a produção local, a Mostra Farol traz, ainda, uma programação formativa, com três aulas magnas de roteiro apresentadas por grandes nomes do cinema nacional: Laís Bodanzky(Bicho de 7 Cabeças), Marcelo Caetano (Baby) e Gabriel Martins (Marte Um).

Além disso, a programação inclui uma exibição comentada de filmes de Alice Guy-Blaché (1873-1968), pioneira que realizou mais de 500 curtas desde os primórdios do cinematógrafo dos irmãos Lumière. A pesquisadora audiovisual Vivian Malusá se debruçará sobre a biografia e produção da francesa, que é apontada como a primeira cineasta e roteirista de ficção da história, tendo realizado closes, efeitos visuais, sincronização de som e colorização de negativos.

As sessões da Mostra Farol terão ingressos vendidos a R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 6 (credencial Sesc), e as exibições na faixa das 15h serão gratuitas, com ingressos distribuídos com uma hora de antecedência. A pipoca custa R$ 2.

Veja a lista completa dos filmes que integram a programação em: sescsp.org.br/mostrafarol2026 e @cinesescsp.

Total
0
Shares
Ante.
Projeto Cinema Inflável promove sessões gratuitas ao ar livre pelo país; até maio está no RJ
Cinema Inflavel Ceilandia Dia 01 97 1

Projeto Cinema Inflável promove sessões gratuitas ao ar livre pelo país; até maio está no RJ

Próx.
Sessão ABC exibe “Baby”, de graça, no dia 25 de abril na Cinemateca Brasileira
Baby

Sessão ABC exibe “Baby”, de graça, no dia 25 de abril na Cinemateca Brasileira

Recomendado