Um levantamento feito pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados revela que Brasil e México são os países latino-americanos com o maior número de prêmios nos principais festivais de cinema do mundo (Oscar, Globo de Ouro, Bafta, Cannes, Veneza e Berlim), com oito troféus cada. A Argentina aparece em terceiro lugar, com sete prêmios.
O Festival de Cannes, na França, é a premiação que mais indicou obras latino-americanas, enquanto o Globo de Ouro e o Bafta têm mais vencedores latinos. A análise da Nexus considera, na contagem dos oito troféus de cada país, os prêmios para os filmes, e não de categorias como direção, atuação, roteiro, cinematografia etc.
Brasil, México, Argentina e Chile ganharam um Oscar pelo menos uma vez. O filme “Roma” (2018), dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón e indicado a dez categorias no Oscar 2019 (das quais venceu três: Melhor Filme Internacional – o primeiro do México -, Melhor Direção e Melhor Cinematografia), lidera a lista de indicações da América Latina. Além do Oscar, “Roma” venceu o Globo de Ouro, o Bafta e o Leão de Ouro (no Festival de Veneza).

Em segundo lugar em número de premiações, está “Central do Brasil” (1998), vencedor do Globo de Ouro, do Bafta e do Urso de Ouro (no Festival de Berlim). Na terceira posição, aparece o argentino “A História Oficial” (1985), de Luis Puenzo, vencedor do Oscar e do Globo de Ouro.
Já “Ainda Estou Aqui” (2024), dirigido por Walter Salles; e “O Agente Secreto” (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho, são os longas brasileiros com o maior número de indicações em premiações. “Ainda Estou Aqui” conquistou, entre outros prêmios, o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Por seu papel como Eunice Paiva, Fernanda Torres levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, além de ter concorrido ao Oscar de Melhor Atriz. O longa também disputou na categoria de Melhor Filme do Oscar, um feito inédito para o Brasil.
Este ano, “O Agente Secreto” concorre ao Oscar em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator (Wagner Moura). Em janeiro, o filme venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Também disputou a Palma de Ouro, em maio de 2025, e foi indicado ao Bafta de Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
“O empate do Brasil com o México nessas premiações confirma o fortalecimento do nosso cinema no cenário internacional. Somos o único país da América Latina a conquistar indicações simultâneas a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional com as mesmas obras, e por dois anos consecutivos. Com o Oscar se aproximando, o estudo aponta um horizonte promissor, em que o Brasil pode não apenas superar esse empate, mas se firmar como a maior potência cinematográfica da América Latina”, destaca Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
O México lidera o ranking de indicações: com 95 nomeações e 76 filmes (nove deles concorreram ao Oscar de Melhor Filme Internacional). Já o Brasil aparece com 90 indicações e 72 filmes. A Argentina, por sua vez, acumula 81 indicações.
Com 16 indicações e seis obras na lista de festivais e premiações, o cineasta Walter Salles é o latino-americano com o maior número de nomeações. As únicas cineastas brasileiras indicadas por longas-metragens foram Daniela Thomas, diretora de “Linha de Passe” (2008) em parceria com Walter Salles, que concorreu ao Urso de Ouro (Berlim) em 2008; e Suzana Amaral, diretora de “A Hora da Estrela” (1985), que disputou o Urso de Ouro em 1986.
Outros filmes brasileiros que foram indicados às premiações analisadas são: “Bacurau” (2019), “Carandiru” (2003), “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), “Terra em Transe” (1967) e “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964).
O Brasil venceu:
- 1 Palma de Ouro (O Pagador de Promessas, em 1962);
- 1 Oscar de Melhor Filme Internacional (Ainda Estou Aqui, em 2025);
- 2 Baftas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Central do Brasil, em 1998, e Diários de Motocicleta, em 2005);
- 2 Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Central do Brasil, em 1998, e O Agente Secreto, em 2026);
- 2 Ursos de Ouro (Central do Brasil, em 1998, e Tropa de Elite, em 2008).
O México venceu:
- 1 Oscar de Melhor Filme Internacional (Roma, em 2018);
- 3 Baftas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Amores Brutos, em 2002; O Labirinto do Fauno, em 2007; e Roma, em 2018);
- 2 Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Tizoc, em 1958, e Roma, em 2018);
- 1 Leão de Ouro (Roma, em 2018);
- 1 Palma de Ouro (Maria Candelaria, em 1946).