Após percorrer 26 cidades do país e atingir um público de mais de 20 mil pessoas em duas edições, a mostra “A Cinemateca É Brasileira” desembarca em Belém entre os dias 23 e 31 de outubro, para exibições gratuitas de 13 longas e sete curtas no Museu da Imagem e do Som do Pará (Centro Cultural Palacete Faciola, Av. Nazaré, 138).
As ficções e os documentários selecionados para esta edição abordam os recorrentes períodos de repressão na história do Brasil. Serão exibidos títulos como o clássico Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman, que aborda o dilema de um operário entre a luta de classes e sua vida pessoal; O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luiz Sergio Person, drama sobre uma injustiça brutal cometida durante o Estado Novo; e O Que É Isso Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, que mergulha nos turbulentos anos da ditadura militar, narrando a história real do sequestro de um embaixador dos Estados Unidos.
A luta e a resistência também são temas de Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, que retrata a história do líder camponês João Pedro Teixeira. Já documentário A Opinião Pública (1967), de Arnaldo Jabor, explora o poder da imprensa e sua relação com o cenário político brasileiro, enquanto ABC da Greve (1990), de Leon Hirszman, registra as greves operárias do ABC paulista.
Ainda na programação de Belém, a ficção de Pra Frente Brasil (1982), de Roberto Farias, expõe a repressão e a violência do regime ditatorial durante a Copa do Mundo de 1970. Em Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, a política é analisada de forma metafórica em um país fictício. Por fim, Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra, questiona a violência e a exploração no sertão nordestino.
A mostra, na capital paraense, contará ainda com uma mesa de abertura composta pelo cineasta Januário Guedes e por Eneida Guimarães, anistiada política, com mediação da diretora do MIS Pará, Indaiá Freire. O evento tem parceria com a Secretaria de Cultura e o governo do Pará.
Itinerância de sucesso
Em 2023, a Cinemateca Brasileira organizou sua primeira edição da mostra itinerante “A Cinemateca É Brasileira”. A programação percorreu o país levando filmes que perpassam diferentes momentos históricos e propostas estéticas ao longo de mais de 120 anos de história.
Diante do sucesso do projeto e do aumento crescente de interessados em receber a programação, a Cinemateca realiza em 2025 a segunda edição do evento. A curadoria inclui longas e curtas que demonstram a riqueza do cinema brasileiro e as múltiplas abordagens de sua vocação democrática e resistência a retrocessos autoritários.
As ações de itinerância da Cinemateca pelo Brasil fazem parte do Projeto Viva Cinemateca, que foi lançado em 2023 e reúne grandes projetos da instituição voltados à recuperação de importantes acervos, além da modernização de sua sede e infraestrutura técnica.
Mais informações sobre a mostra em: https://vivacinemateca.org.br/itinerante/.