A Cinemateca Brasileira apresenta, entre os dias 20 e 30 de março, a mostra “Cinema Brasileiro Anos 80 e 90”. Serão exibidos 27 títulos gratuitamente, com distribuição de ingressos uma hora antes das sessões.
As últimas décadas do século 20 da filmografia nacional são marcadas pelo fim da ditadura civil-militar, por uma grave crise econômica e por desafios enfrentados pelo setor cinematográfico, incluindo o desmantelamento da Embrafilme. Ainda assim, a produção cinematográfica desse período revelou sucessos de bilheteria e experimentações radicais. Na década de 1990, com a estabilização econômica, inicia-se a chamada Retomada do cinema brasileiro.
O público poderá conferir uma seleção de filmes que refletem diferentes abordagens estéticas e temáticas, como “A idade da Terra” (1980), de Glauber Rocha, e “Baile perfumado” (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, que demonstram a influência do Cinema Novo nas produções do período. A geração de cineastas paulistas que emerge nessas décadas também carrega a herança da Boca do Lixo e do Cinema Marginal, como visto em “A marvada carne” (1985), de André Klotzel, que divide a temática urbana e a atuação de Fernanda Torres com “Terra estrangeira” (1995), de Walter Salles e Daniela Thomas. Já Guilherme de Almeida Prado propõe um noir à brasileira em “A dama do Cine Shanghai” (1988).
O protagonismo feminino na direção, iniciado nos anos 1970, se fortalece nas décadas seguintes. A mostra inclui “Das tripas coração” (1982), parte da trilogia sobre a condição feminina de Ana Carolina. Atrizes renomadas também se destacam na direção: Norma Bengell faz sua estreia atrás das câmeras com “Eternamente Pagu” (1988), protagonizado por Carla Camuratti, que, na década seguinte, dirige “Carlota Joaquina, princesa do Brazil” (1994), filme que marca o início da Retomada.
Embora os principais movimentos do cinema negro brasileiro tenham ocorrido antes (com o curta Alma no olho, de Zózimo Bulbul, de 1974) ou depois desse período (como o manifesto Dogma Feijoada, de 2000), os anos 1980 e 1990 trouxeram obras importantes, como “Amor maldito” (1984), de Adélia Sampaio; “Ôrí” (1989), de Raquel Gerber; e “Aniceto do Império em: Dia de alforria…?” (1980), de Zózimo Bulbul.
A mostra será acompanhada de um curso com quatro aulas ministradas por Lúcia Ramos Monteiro, professora dos programas de pós-graduação em Cinema e Audiovisual (PPGCine), da Universidade Federal Fluminense (UFF), e em Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA), da Universidade de São Paulo (USP). As inscrições já estão encerradas, mas as aulas serão transmitidas ao vivo pelo YouTube da Cinemateca Brasileira, com acessibilidade em Libras.
Confira a programação completa e mais informações em https://cinemateca.org.br/series/mostra-cinema-brasileiro-anos-80-e-90/ ou no Instagram @cinemateca.brasileira.