Filmes de Sganzerla, Person e Bodanzky são restaurados em 4K e exibidos em cinemas do país

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Cena de “A Mulher de Todos” (1967), dirigido por Rogério Sganzerla e com Helena Ignez no papel principal. Foto: Divulgação

Este ano marca o retorno às telonas de obras históricas de cineastas como Rogério Sganzerla, Jorge Bodanzky, Orlando Senna e Luiz Sergio Person. Produções que marcaram gerações e desafiaram as estruturas políticas e narrativas de seu tempo retornam aos cinemas em cópias restauradas em 4K.

São filmes (como “A Mulher de Todos” – 1967, de Rogério Sganzerla; “Iracema – Uma Transa Amazônica” – 1975, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna; e “São Paulo Sociedade Anônima” – 1965, de Luiz Sergio Person) que resgatam não apenas a memória audiovisual do país, mas reafirmam sua potência crítica e estética.

As exibições ocorrem em sessões especiais, estreias internacionais e debates com nomes históricos do audiovisual brasileiro. Conheça melhor as obras restauradas:

A Mulher de Todos” (1967)
Dirigido por Rogério Sganzerla

Uma das obras mais clássicas do Cinema Marginal brasileiro, o longa estrelado por Helena Ignez foi restaurado digitalmente em resolução 4K pela Mercúrio Produções, a partir de materiais preservados pela Cinemateca Brasileira. O trabalho contou também com recursos para Digitalização de Acervos 2023, pela Lei Paulo Gustavo e pelo Estado de São Paulo.

O resultado foi apresentado no dia 21 de fevereiro, quando o filme foi exibido na Cinemateca, em São Paulo, em sessão que contou com a participação especial da atriz e diretora Helena Ignez e de Débora Butruce (coordenadora técnica da Mercúrio), em um debate sobre a produção, o trabalho de restauração e a história do cinema nacional.

Posteriormente, a versão restaurada de “A Mulher de Todos” integrou a programação da mostra “A Mulher da Luz Infinita”, que celebrou a trajetória de Helena Ignez, em Belo Horizonte, no dia 21 de março. Já a Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, recebeu uma exibição gratuita especial do longa em 27 de março, em comemoração aos dez anos da instituição. No dia 28 de junho, foi a vez da 20ª edição da CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto) exibir o clássico de Sganzerla. E o filme segue tendo uma trajetória de exibições especiais ao longo de 2025.

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Atriz Edna de Cássia em “Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975), dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna. Foto: Divulgação

“Iracema – Uma Transa Amazônica” (1975)
Dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna

Censurado pela ditadura militar, o longa é mais uma produção histórica restaurada em 4K a entrar em cartaz nos cinemas em 2025. Com distribuição da Gullane+, a obra que hoje faz parte da lista dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), chega às telonas do Brasil a partir de 24 de julho, após passar por uma restauração na Alemanha, com a coordenação técnica de Alice de Andrade e com o apoio do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), da Mnemosine, do Instituto Moreira Salles (IMS), da PUC-Rio, do Instituto Guimarães Rosa e da Cinemateca Brasileira.

“Iracema – Uma Transa Amazônica” é um drama documental que combina realidade e ficção para narrar os impactos sociais e ambientais causados pela construção da Rodovia Transamazônica. A história acompanha Iracema (Edna de Cássia), uma jovem de 15 anos que, ao chegar a Belém para o Círio de Nazaré, é tragada para a prostituição e passa a viajar com o caminhoneiro Tião Brasil Grande. Enquanto ele encarna a crença no progresso prometido pela ditadura, ela representa os marginalizados dessa época, em uma trama que denuncia as consequências da exploração na Amazônia.

Exibido na Berlinale (Festival Internacional de Cinema de Berlim) em fevereiro, o filme coleciona prêmios importantes: Festival de Brasília 1980 (Melhor Filme, Melhor Atriz para Edna de Cássia, Melhor Atriz Coadjuvante para Conceição Senna e Melhor Edição para Eva Grundman e Jorge Bodanzky); Associação de Críticos Cinematográficos de Minas Gerais 1978 (Melhor Filme do Ano em uma mostra de filmes proibidos); e conquistas internacionais como o Prix George Sadoul (Paris), Adolf Grimme Preis (Alemanha), Encomio Taormina (Itália) e o Prêmio Especial no Festival de Cannes, pelo Reencontre Film et Jeunesse.

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“São Paulo Sociedade Anônima” (1965), dirigido por Luiz Sergio Person. Foto: Divulgação

“São Paulo Sociedade Anônima” (1965)
Dirigido por Luiz Sergio Person

Com previsão de exibição na Cinemateca Brasileira neste segundo semestre, “São Paulo Sociedade Anônima” é mais um longa que faz parte da história do cinema nacional a ganhar restauração em 4K em comemoração aos 60 anos de seu lançamento.

O trabalho para restaurar a obra foi fruto de uma parceria entre a Cinemateca, a Cineteca di Bologna e a Lauper Films. Foi, inclusive, na cidade italiana que o filme ganhou sua primeira exibição pós-restauração, em junho, no Festival Il Cinema Ritrovato, evento dedicado à preservação e redescoberta de obras cinematográficas históricas.

Com nomes como Eva Wilma, Walmor Chagas, Ana Esmeralda e Darlene Glória em seu elenco, o filme é ambientado na São Paulo dos anos 1950 e 60, período de intensa industrialização e crescimento urbano. “São Paulo Sociedade Anônima” acompanha a vida de Carlos, um homem de classe média que trabalha em uma fábrica de autopeças e tenta encontrar sentido em meio à alienação do trabalho, dos relacionamentos superficiais e do consumo. Por meio do olhar desiludido de Carlos, o filme retrata o vazio existencial de uma geração esmagada pelo progresso e pela lógica empresarial, revelando uma cidade em transformação — onde tudo se moderniza, menos as relações humanas.

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