Nota de pesar: Falecimento do documentarista Silvio Tendler

Silviotendler
O cineasta Silvio Tendler (1950-2025). Foto: Divulgação

É com profundo pesar que a ABC anuncia o falecimento do cineasta, professor e historiador brasileiro Silvio Tendler, ocorrido na manhã desta sexta-feira (5), aos 75 anos. Considerado um dos grandes documentaristas brasileiros, Tendler produziu e dirigiu mais de 70 filmes (entre curtas e longas) em mais de cinco décadas de carreira.

Nascido no Rio de Janeiro, o diretor iniciou sua trajetória no cinema junto ao Movimento Cineclubista, em meados dos anos 1960. Em 1968, assumiu a Presidência da Federação de Cineclubes do Rio, tendo atuado nesse período como assistente de direção de Paulo Alberto Monteiro de Barros – conhecido como Artur da Távola – no curta “Fantasia para Ator e TV”.

Seu primeiro filme, sobre a Revolta da Chibata, veio em seguida, mas o início dos anos de chumbo da ditatura militar levaram o responsável pela guarda dos negativos originais a queimá-los, restando apenas as memórias desse filme e uma fotografia do Almirante Negro.

Em 1969, Silvio Tendler passou a estudar Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mais tarde, abandonou o curso e partiu para o exílio. Foi para Cuba, Chile e França, onde retomou seus estudos. Em 1975, formou-se em História pela Université de Paris VII. No ano seguinte, concluiu o mestrado em Cinema e História pela École des Hautes-Études/Paris VII – Sorbonne, desenvolvendo uma ampla pesquisa sobre o documentarista holandês Joris Ivens (1898-1989), a partir da análise de seus arquivos pessoais.

De volta ao Brasil, Tendler começou a produzir seu primeiro longa-metragem, “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980). Em 1981, realizou “O Mundo Mágico dos Trapalhões” e iniciou a produção do longa “Jango” (1984). Em 2011, lançou “Tancredo – A Travessia”, sobre a vida do Presidente Tancredo Neves (1910-1985).

Além disso, no final dos anos 1990, assumiu a Coordenação de Audiovisual para o Brasil e o Mercosul da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Em 2003, recebeu a Medalha JK – Centenário JK, do Ministério da Cultura. Em março deste ano, participou da entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC), no Edifício Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Na ocasião, recebeu a medalha grau Comendador.

Associados(as) da ABC como Lúcio Kodato, ABC, Toninho Muricy, ABC, Maria Muricy, ABC e André Carvalheira, ABC foram parceiros em vários filmes de Silvio Tendler, que alçou o documentário a outro patamar e deixa uma obra imensa e um legado que continuarão iluminando as atuais e próximas gerações de cineastas.

O corpo do documentarista será velado neste domingo (7), às 10h, e enterrado no Cemitério Comunal Israelita do Caju, na zona portuária carioca.

Em nome de todos(as) os(as) associados(as), a ABC manifesta suas mais sinceras condolências à família, às amigas e aos amigos de Silvio Tendler.

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