Pequena História da Cinematografia no País

Carlos Ebert escreve sobre a história da cinematografia brasileira
Por Carlos Ebert, ABC

Nossa história começa em 19 de junho de 1896. O local: o convés de um navio cruzando a barra da Baia da Guanabara. O personagem: Afonso Segreto. A ação: Segreto na balaustrada observa a paisagem da Capital Federal surgir por entre a bruma, enquanto gira ritmicamente a manivela de uma camera de madeira, comprada na França a pedido de seu irmão Pascoal, um exuberante italiano cheio de idéias novas, apelidado pela imprensa da época de ”Ministro das Diversões do Rio”.

Exibidor cinematográfico, Pascoal mandara o irmão a Europa comprar filmes. Alfonso fez mais e trouxe uma camera, transformando-se assim no primeiro cinegrafista a registrar cenas em território brasileiro. Foi o pioneiro na nossa profissão.

No início do século ocorre uma verdadeira explosão cinematográfica no Rio de Janeiro. Entre 9 de agosto e 31 de dezembro de 1907, nada menos que 22 salas de exibição são inauguradas. A mesma febre que varrera a Europa e os Estados Unidos com os ”nickel-odeons” chega entre nós para ficar.

Começam a aparecer os primeiros operadores de camera, verdadeiros auto-didatas, que com técnicas desenvolvidas empiricamente vão registrando tudo de interessante que vêem pela frente. Todos os aspectos da vida social carioca são objeto de registro por parte dos novos profissionais. Já em 1906 Segreto registra o carnaval na recém inaugurada Avenida Central, inaugurando o que seria um dos gêneros mais apreciados do cinema brasileiro: o filme carnavalesco.

Neste mesmo ano, o português Antônio Leal dirige e fotografa aquele que é considerado o primeiro filme brasileiro de longa metragem (3 rolos): ”Os Estranguladores”, baseado num crime que abalou a opinião pública carioca ( isso então acontecia…). Nasce aí outro gênero querido do público: o filme policial. Dentre os novos ”cameramans” destaca-se Julio Ferrez, filho do famoso fotógrafo Marc Ferrez, também exibidor e representante das empresas francesas Gaumont e Pathé.

Julio fotografou dois filmes de ficção produzidos e dirigidos por um fabricante de móveis, Cristovão Guilherme Auler, que ao se assumir cineasta mudou o nome para William Auler. Os dois filmes, realizados em 1910, eram adaptações resumidas das operetas ”A Viúva Alegre e Sonho de Valsa e foram anunciados como ”filmes cantantes”. O processo? Cantores dublavam as árias escondidos atrás da tela. O resultado? Um estrondoso sucesso . Que o diga a imprensa da época….

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