No mês do meio ambiente, ativista e líder indígena Juma Xipaia fala sobre “Yanuni”

Coproduzido por Leonardo DiCaprio, documentário entrou na shortlist do Oscar
Yanuni Juma Xipaia Home Village
Juma Xipaia em “Yanuni”. Foto: Divulgação/O2 Play

Por Luna D’Alama

Coproduzido pelo ator estadunidense Leonardo DiCaprio, Yanuni (EUA, Canadá, 2025) entrou na shortlist dos 15 semifinalistas ao Oscar 2026 de Melhor Documentário. A protagonista e também coprodutora é a ativista e liderança indígena Juma Xipaia, que concedeu entrevista à ABC sobre a obra, dirigida, roteirizada e fotografada pelo austríaco Richard Ladkani.

Yanuni

O filme mostra a luta de Juma e do marido, Hugo Loss, chefe da fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Amazônia, contra o garimpo ilegal. Mãe de quatro filhos, Juma é liderança da aldeia Kaarimã e foi a primeira mulher a se tornar cacica no Médio Xingu, na Terra Indígena Xipaya (a cerca de 400 quilômetros de Altamira-PA).

Yanuni já passou por festivais como o de Tribeca, em Nova York (EUA), e o Los Angeles Brazilian International Film Festival (EUA), onde venceu o prêmio de Melhor Documentário, em outubro de 2025. No mesmo mês, a produção conquistou dois dos maiores prêmios no Jackson Wild Media Awards, o “Oscar do cinema ambiental”, e foi exibida na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, onde levou o prêmio de Melhor Documentário Internacional.

Para Juma, a Natureza (em maiúscula) é mãe, farmácia, cura e força. E Yanuni é mais que um filme: é um chamado à ação. Para ela, levar discussões ambientais ao cinema é fundamental porque permite que mais pessoas se sensibilizem e compreendam outras realidades e reivindicações. “O cinema é um espaço de poder – assim como os espaços políticos de tomada de decisão – e queremos ocupá-lo”, destaca. 

Na visão da liderança indígena, para além do protagonismo nas telas, integrantes de povos originários precisam trabalhar como diretores(as), produtores(as), roteiristas, câmeras e em outras funções da cadeia do audiovisual – como na Rede Katahirine, formada exclusivamente por mulheres indígenas. “Quem vive a nossa realidade consegue traduzir, com verdade e sensibilidade, o que está em jogo: a floresta, os modos de vida tradicionais e o futuro do planeta. (…) Acredito na força que o cinema tem para criar conexões profundas com as pessoas, comover e transformar”, acrescenta Juma. 

Confira, a seguir, a entrevista completa:

ABC: Além de cacica, ambientalista, liderança indígena e mãe, como podemos definir Juma Xipaia? Com o que sonha para o futuro de seus filhos?

Juma Xipaia: Enquanto eu protagonizava e produzia Yanuni, fui mãe, esposa, cacica, secretária Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (do Ministério dos Povos Indígenas) e estava disponível para a escuta dos povos indígenas de diferentes territórios. Todo esse movimento me fortaleceu para garantir que a voz e a perspectiva dos povos indígenas fossem asseguradas e respeitadas. Sempre tive muito apoio da minha aldeia, e eles sabem o meu custo pessoal quando assumi tantas responsabilidades. Sempre foi uma relação de confiança e de apoio em todos os momentos. Isso permitiu que eu pudesse conciliar a vida entre Brasília e meu território.

Muita gente pensa no lucro rápido, no dinheiro de agora, mas estamos pensando na vida dos nossos filhos e netos, num país sustentável tanto ambiental como economicamente. Se destroem tudo, como o país sobrevive? Nossa luta e o objetivo de vida é garantir não só para esta geração, mas também para as próximas o direito de existirmos enquanto povos e integrantes de um território sagrado. E isso significa demarcação dos territórios, água limpa, floresta em pé, segurança alimentar e cultura viva.

Como é ser pioneira na liderança indígena de seu povo? Quais são suas principais reivindicações atualmente?

JX: Ser a primeira cacica mulher do meu povo ainda é algo que estou assimilando. Nunca busquei diretamente assumir cargos de liderança; o que sempre me moveu foram as injustiças que vivemos: a falta de educação e de saúde de qualidade nos territórios, a violência contra meninas e mulheres, os ataques aos nossos corpos, espíritos e à própria existência indígena, tudo isso me motiva a agir e a ocupar esses espaços estratégica e politicamente.

Desde criança, fui questionadora e não entendia por que as mulheres eram excluídas dos espaços de decisão. Cresci aprendendo, ainda no banco das canoas, a proteger nosso território com coragem, amor e espírito de resistência. Muito antes de ter acesso a qualquer ferramenta tecnológica, eu já defendia os nossos territórios e saberes ancestrais.

Minhas principais reivindicações continuam sendo a demarcação e a proteção dos territórios, a criação e a implementação de políticas públicas para os povos indígenas e tradicionais, entendendo as necessidades e especificidades locais. À minha luta, também se conecta a dos meus ancestrais, eu só estou dando continuidade ao legado deles, que inclui o combate à violência contra minorias e a garantia de direitos básicos, como saúde e educação de qualidade para todas as pessoas. Essas são as lutas que guiam a minha jornada.

Como foi produzir e aparecer em frente às câmeras em Yanuni? Como foi sua relação com Leonardo DiCaprio e com o diretor do filme nesse processo?

JX: Aceitar esse projeto começou pelo fato de que não me foi imposto um roteiro pronto, eu fui consultada e participei do início ao fim da produção. Nada do que aparece no filme é ficção: são fatos testemunhados e vividos por todos nós, registrados pelas lentes de Richard Ladkani. Essa foi uma oportunidade de ampliar a nossa luta.

Enxerguei como uma possibilidade de ecoar as nossas vozes com um megafone para o mundo por meio das telas de cinema. A tomada de decisão foi pelo coletivo, jamais pelo individual. Foi sobre como esse filme poderia servir para o fortalecimento da luta dos povos indígenas, para a defesa das florestas e dos nossos direitos.

Entendi que não poderia ser apenas mais um filme, mas algo que pudesse servir à humanidade. Por isso, a importância de ter outras pessoas indígenas na produção, pois essa não é uma história da Juma e do Hugo, é uma história de quem luta a favor da Amazônia para romper com a invisibilidade desses corpos, trazer à tona a importância de fortalecer os territórios e levar esse chamado da floresta para o mundo.

Ter parceiros como Leonardo DiCaprio imerso nesse projeto é fundamental para fortalecer a nossa luta, que não é somente nossa, indígena, e sim de todos nós, seres humanos. DiCaprio esteve com a gente no lançamento, durante o Festival de Cinema de Tribeca [em junho de 2025, em Nova York], e é incrível ver a nossa luta reverberando em sua voz, com potencial de alcançar o mundo todo.

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Cena do documentário “Yanuni”, dirigido, roteirizado e fotografado pelo austríaco Richard Ladkani. Foto: Divulgação/O2 Play

Na sua opinião, de que forma esse filme pode alcançar outros povos indígenas, além de outras pessoas que vivem no Brasil e no exterior? Nesse sentido, como o audiovisual e o cinema podem ajudar a levantar pautas e bandeiras indígenas?

JX: Acredito que esse filme pode alcançar outros povos, outras pessoas no Brasil e em outros continentes. Não se trata apenas de uma história, um documentário, mas um chamado da floresta amazônica para o mundo. Desde o início, meu desejo era que essa obra fosse um espaço para ecoar nossas vozes e fortalecer a luta não só dos povos indígenas e instituições de combate a crimes ambientais, mas de todos que defendem a floresta, o meio ambiente e os territórios contra a mineração e outros projetos de desenvolvimento predatório.

Vejo o audiovisual como uma ferramenta cada vez mais necessária. Vivemos um tempo em que fake news se transformam em “verdade”. Nesse cenário, o cinema e a internet permitem levar informação a lugares remotos, antes inimagináveis. Não faz muito tempo que a Amazônia era vista como uma “terra sem lei”, onde nossos territórios, corpos e cultura eram vistos como meros objetos de exploração. Até hoje, infelizmente, esse é um fato, pois o projeto colonial ainda está em curso. Com isso, o audiovisual e a internet fortalecem a visibilidade e a proteção de defensores dos direitos humanos, ambientalistas e povos que lutam pelos territórios com suas próprias vidas. Mais do que comunicar, essa rede cria vínculos e nos dá esperança de que não estamos sozinhos.

Desde o início, meu desejo era que essa obra fosse um espaço para ecoar nossas vozes e fortalecer a luta não só dos povos indígenas e instituições de combate a crimes ambientais, mas de todos que defendem a floresta, o meio ambiente e os territórios contra a mineração e outros projetos de desenvolvimento predatório.

O que o cinema e o audiovisual indígenas têm a ensinar às pessoas sobre meio ambiente e sustentabilidade?

JX: Há muito anos, nós, povos indígenas, estamos reescrevendo as narrativas que contaram sobre a nossa existência e os nossos modos de vida. Isso tem ocorrido não somente com a ocupação de espaços políticos de tomada de decisão, mas de outros tantos espaços de poder, como o cinema – e queremos ocupá-lo.

O cinema indígena é uma demonstração de como a realidade da floresta precisa ser contada a partir de quem vive nos territórios. A tecnologia do audiovisual, para nós, é mais do que um instrumento de registro, de comunicação: é uma ferramenta de denúncia e proteção (de lideranças e territórios). O audiovisual nos ajuda a revelar devastações em nossas florestas e contradições de políticas mal planejadas, como a chegada de alimentos industrializados ou de mudas exóticas fora do tempo certo, que acabam não vingando, e a responsabilidade recai injustamente sobre nós.

Nosso olhar e nossos conhecimentos também revelam para a tela do cinema a beleza do nosso universo e cosmovisão, que valorizam a floresta em pé, a água limpa e um futuro digno para as nossas crianças. A arte e os saberes indígenas, em geral, há muitos séculos têm contribuído muito para o mundo: com a medicina, estética, artesanato. Porém, na maioria das vezes, ainda vivenciamos contextos de apropriação e invisibilidade enquanto produtores e detentores desses conhecimentos. Cada vez mais e com mais força, estamos retomando o que nos foi apropriado, não somente no campo audiovisual, mas em todos os espaços artísticos e de produção.

Por isso, é fundamental que haja oportunidades mais amplas e justas para que os povos indígenas possam ser cada vez mais protagonistas, não apenas personagens de filmes, mas também diretores(as), produtores(as), roteiristas, câmeras e em outros tantos postos possíveis na cadeia audiovisual. Quem está dentro dessa realidade consegue traduzir com verdade e sensibilidade o que está em jogo: a floresta, os modos de vida e o futuro do planeta.

Como você avalia os primeiros dois anos de existência do Ministério dos Povos Indígenas? Tem alguma lei ou projeto que já beneficiou diretamente o seu povo ou outros povos?

JX: A criação do Ministério dos Povos Indígenas já é, por si só, uma conquista muito importante, sobretudo por ter sido liderado por uma mulher indígena [Sônia Guajajara, que ficou no cargo de janeiro de 2023 a março de 2026, tendo sido substituída por Eloy Terena]. Isso mostra a necessidade de estarmos nesses espaços de decisão, disputando orçamentos e políticas públicas que fortaleçam a nossa existência e o bem-viver nos nossos territórios. Ter um órgão na linha de frente, pensando e agindo não somente pela demarcação de territórios, mas, sobretudo, pela criação e implementação de políticas públicas em diversas áreas, é fundamental. Mas só isso não basta: é necessário que o Ministério do Povos Indígenas exista para além desses quatro anos. Para isso, precisamos de apoio político e popular, para que ganhe mais força, pois nós temos no Brasil uma estrutura de governo colonialista e anti-indígena.

O Ministério dos Povos Indígenas abriu caminhos na política e garantiu que estivéssemos nos espaços de decisão em nível nacional e global, na discussão de pautas que impactam diretamente os nossos territórios e, sobretudo, a nossa existência. O grande desafio agora é transformar essa presença em resultados concretos, como políticas públicas, desintrusão [retirada de invasores] e demarcação efetiva dos nossos territórios. Porque, enquanto houver garimpo, haverá desmatamento e todos os tipos de crimes e violências contra os nossos corpos e territórios. O impacto gerado será sentido em toda a sociedade, como já se vê nos fenômenos climáticos extremos no Sudeste e em várias partes do mundo. Ou seja, não estamos falando apenas de proteger as nossas terras, mas o planeta inteiro.

Qual a importância, na sua opinião, de levar discussões ambientais para o cinema? Seja para denunciar impactos ambientais da ação humana ou para projetar futuros melhores, baseados em práticas ecológicas.

JX:  Como costumo dizer, Yanuni não é apenas um filme: é um chamado à ação. Levar discussões ambientais para o cinema é fundamental porque permite que mais pessoas se sensibilizem e compreendam as nossas lutas, mostrando a realidade que enfrentamos todos os dias, a violência da ação humana sobre a floresta e sobre os territórios indígenas.

O cinema tem a capacidade de conectar públicos diferentes, de forma que essas histórias não fiquem restritas aos nossos territórios, mas alcancem pessoas que ainda não conhecem essas questões e que podem se engajar ou refletir sobre o futuro do planeta, principalmente na denúncia de multinacionais (como a mineradora canadense Belo Sun) e governos financiadores de grandes projetos como a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que causam impactos irreversíveis, não somente ambientais, mas também sociais, econômicos e culturais.

Você poderia citar outros filmes indígenas que são referências para você no diálogo com a pauta ambiental?

JX: Sim, há vários filmes que considero referência nesse diálogo entre cinema indígena e pauta ambiental. Amazônia, a Nova Minamata? (2022), dirigido por Jorge Bodanzky, por exemplo, denuncia o impacto do garimpo no povo Munduruku e alerta para a contaminação por mercúrio que ameaça toda a Amazônia. Também cito Somos Guardiões (2023), de Chelsea Greene, Edivan Guajajara e Rob Grobman, que retrata a luta de defensores da floresta contra o desmatamento; e O Território, dirigido por Alex Pritz e coproduzido pelo povo Uru-eu-wau-wau (ou Jupaú, que habita o norte de Rondônia), mostrando como as comunidades se organizam para proteger suas terras.

Filmes como esses são essenciais porque fortalecem o movimento indígena no meio audiovisual, dão visibilidade às nossas denúncias e mostram que a luta pela floresta é, na verdade, uma luta pela vida de todos.

Yanuni Still
Juma Xipaia abraça o marido, Hugo Loss. Foto: Divulgação/O2 Play

Você acha que essas representações são capazes de sensibilizar e transformar comportamentos fora das telas?

JX: Sim, acredito muito nessa capacidade de sensibilizar e transformar. Foi exatamente por isso que aceitei fazer parte desse documentário: porque acredito que o cinema tem a força de criar conexões profundas com as pessoas, comover e transformar. Ver Yanuni reverberar mundo afora mostra que essa conexão está acontecendo de verdade. Cada vez que o filme alcança novos públicos, ampliamos a possibilidade de ganhar novos companheiros de luta, pessoas que passam a enxergar essa causa como delas também, porque se sentem representadas – sejam mulheres em contexto de liderança, de trabalho, na maternidade, no ambiente familiar ou mostrando os bastidores de uma vida real. Com isso, ampliamos nossa rede de vozes e reconhecimentos, fortalecendo ainda mais a defesa da floresta, dos territórios e da vida no planeta.

Por que o formato documental é tão importante para tratar de questões ambientais?

JX: Yanuni é um recorte não somente da minha trajetória de luta, mas de um movimento coletivo em defesa da vida em sua integralidade. O filme retrata a nossa luta diária: ontem contra Belo Monte; hoje contra a mineração em nossos territórios, que contamina a água, adoece nosso povo, desmata a floresta e gera impactos que se espalham por todo o planeta. Lutamos por todos, mas especialmente pela Natureza, que é nossa mãe, nossa farmácia, nossa cura e nossa força. O desmatamento da Amazônia já afeta pessoas que vivem fora da floresta, e esses efeitos tendem a se intensificar, porque todos estamos interconectados. Yanuni também provoca uma reflexão sobre o impacto da mineração e do garimpo na floresta e a urgência de enfrentarmos essas ameaças.

O cinema indígena é uma demonstração de como a realidade da floresta precisa ser contada a partir de quem vive nos territórios. A tecnologia do audiovisual, para nós, (…) é uma ferramenta de denúncia e proteção (…) Nosso olhar e nossos conhecimentos também revelam (…) a beleza do nosso universo e cosmovisão, que valorizam a floresta em pé, a água limpa e um futuro digno para as nossas crianças.

Há um grande crescimento de festivais dedicados à Amazônia e ao meio ambiente em geral. Alguns exemplos: Mostra Ecofalante, Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, Citronela Doc, Filmambiente, Bonito CineSur, TOCA; Cinema, Mineração e Meio Ambiente. Como você avalia esse boom?

JX: Esses festivais são super importantes porque ampliam a visibilidade das histórias que estamos contando. Essas mostras fortalecem não apenas a difusão de conteúdos sobre a Amazônia e o meio ambiente, mas também ajudam a ecoar vozes que, muitas vezes, são silenciadas e invisibilizadas, ampliando a compreensão sobre a importância de proteger nossos territórios, a Natureza, e proporcionando uma maior participação dos povos em produções audiovisuais independentes.

Conheço alguns dos festivais citados, além dos internacionais. Participamos, entre outros, do Montrose LandxSea Film Festival, na Escócia, onde recebemos o Prêmio do Público, e concorremos em três categorias no Jackson Wild Media Award, considerado o “Oscar do cinema de natureza”, das quais vencemos em duas.

Já participei, de várias formas, de muitos desses festivais, como palestrante, participante e produtora. Esses eventos são fundamentais porque ampliam a visibilidade do nosso trabalho e ajudam nossas histórias a chegar a públicos cada vez maiores. Eles conectam diferentes comunidades, fomentam debates sobre a proteção ambiental e a importância da Amazônia, e permitem que vozes indígenas e de defensores da Natureza sejam ouvidas globalmente. O aumento de festivais e do interesse pela temática ambiental no cinema mostra que cada vez mais pessoas estão dispostas a se engajar e refletir sobre o futuro do planeta.

Em 2025, a COP-30 foi realizada no Pará. Você ficou otimista ou pessimista em relação a esse encontro, e como se posiciona em relação ao nosso futuro como humanidade e vida no planeta?

JX: A COP, de modo geral, tem a sua importância, principalmente por reunir lideranças globais em torno de um tema tão urgente como a crise climática. Mas, para além das negociações políticas, vejo que precisamos aproveitar ao máximo este período em que os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia e esperamos reconhecimento, valorização e reparação aos povos indígenas e às comunidades tradicionais que sempre estiveram na linha de frente em defesa de todos os biomas brasileiros.

A COP-30, no Pará, foi uma oportunidade de amplificar as nossas vozes e mostrar a realidade dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e reforçar que não estamos falando apenas de territórios locais, mas do futuro da humanidade e da vida no planeta. Além disso, foi uma forma de desmistificar a Amazônia e os amazônidas e de tirá-los desse lugar exótico, de exploração, violência e mão de obra barata ou escrava.

Precisamos de ações concretas dos líderes globais em relação às questões de adaptação climática,  pois quem mais sofre com os impactos desta crise são mulheres, crianças, jovens, idosos, periféricos, pessoas negras e indígenas. Hoje, temos números cada vez mais crescentes  de refugiados climáticos. Portanto, para além de falas, debates e acordos, precisamos urgentemente de justiça climática.

É importante frisar que os territórios indígenas salvaguardam mais de 80% da biodiversidade do mundo; por isso, exigimos compromissos reais para que seja possível a resiliência climática, tendo em vista que a resposta que o futuro necessita está em nós.

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