Por Luna D’Alama
A segunda Sessão ABC de 2025 apresentou gratuitamente, no dia 26 de abril, na Cinemateca Brasileira, o filme “Meu Nome É Gal” (2023), dirigido por Dandara Ferreira e Lô Politi. Após a exibição do longa, na Sala Grande Otelo, foi realizado um debate com participação da diretora Lô Politi, do diretor de fotografia Pedro Sotero, ABC, e da diretora de arte Juliana Lobo. A mediação foi do associado e diretor de fotografia Bruno Graziano.
O debate teve acessibilidade em Libras e foi transmitido ao vivo pelo canal da Cinemateca no YouTube. Segundo Lô Politi, o trabalho de direção de arte e de fotografia no longa é um primor. “Esse filme surgiu porque a outra diretora, Dandara Ferreira, fez um documentário sobre a Gal, e desse mergulho profundo surgiu a ideia de fazer uma cinebiografia”, explicou.
Lô, que cresceu ouvindo as músicas de Gal, contou que haveria um primeiro ato com a infância e adolescência da cantora, mas que a ideia acabou não vingando, e foi feito um recorte em torno da Tropicália. “A gente quis fazer como se 1969 fosse ontem, com uma estética tropicalizada e também da nouvelle vague [movimento cinematográfico francês]. Fizemos um filme supermoderno, filmamos no fim da pandemia, e o que seriam três meses de pesquisa virou quase dois anos. O roteiro foi muito impactado por escolhas estéticas, e cinema é sempre algo muito coletivo”, analisou.

O diretor de fotografia Pedro Sotero, ABC acrescentou que esse foi seu primeiro filme de época, sobre alguém que existiu, muito importante e pública, com diversas imagens conhecidas. “Tinha um vasto material (fotos e vídeos) para a gente se basear e começar a estruturar e pensar nos espaços. Isso serviu de base e inspiração para a gente construir a imagem do filme”, destacou.














A diretora de arte Juliana Lobo trabalhou ao lado do diretor de arte Thales Junqueira, e destacou a vasta pesquisa da diretora Dandara Ferreira, que já havia sido feita quando ela entrou na equipe. “O mais emocionante foi esse recorte temporal. Amo a arte, a arquitetura e a música brasileiras dos anos 1960. Peguei o background das diretoras e mergulhei nesse recorte rico do Brasil e de Gal Costa”, resumiu.

“Meu Nome É Gal” concorreu em vários festivais e premiações (como a Melhor Direção de Fotografia – Longa-Metragem de Ficção no Prêmio ABC 2024). Entre outros prêmios, venceu Melhor Direção de Arte (pelo júri popular) no 50º Festival Sesc Melhores Filmes.
Confira o debate na íntegra:
SINOPSE:
Essa cinebiografia conta a trajetória da cantora, compositora e multi-instrumentista Gal Costa (1945-2022), uma garota tímida que, desde muito cedo, soube que a música guiaria seus caminhos. Nascida Maria das Graças Penna Burgos, a menina foi criada sozinha pela mãe, Mariah, que foi uma de suas maiores incentivadoras. Aos 20 anos, Gracinha (como era chamada pela mãe) decide viajar rumo ao Rio de Janeiro para se tornar cantora. Lá, a jovem encontra seus amigos da Bahia: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Dedé Gadelha, que acompanham seus primeiros passos na música profissional, no final da década de 1960.
Com dois amigos incentivando sua carreira, Gal (interpretada por Sophie Charlotte) precisa enfrentar a timidez. À medida que vai se soltando, ela – ao lado de outros artistas (como Caetano, Gil, Bethânia, Jards Macalé, Tom Zé e Wally Salomão) – ajuda a formar o movimento da Tropicália. Depois de tanto sucesso, Gal acaba tendo um período de depressão, quando seus amigos são exilados por conta da ditadura.
Uma trama envolvente e transformadora, que mostra os percalços da artista diante das dificuldades perante uma sociedade conservadora e uma ditadura militar violenta, trazendo em tons sutis uma mistura de MPB, bossa nova e guitarra elétrica, além de propor uma transformação completa no visual e nas atitudes. O longa traz a força e a determinação de uma das principais vozes da Tropicália, com seus receios mesclados com sua força, o que provocou uma revolução estética e comportamental capaz de transformar toda uma geração, principalmente de mulheres.
Ficha Técnica:
Direção: Dandara Ferreira e Lô Politi
Produção: Marcio Fraccaroli, Lô Politi, André Fraccaroli e Veronica Stumpf
Produção executiva: Mariana Marcondes e Jatir Eiró
Produtores associados: Dandara Ferreira, Jorge Furtado e Wilma Petrillo
Empresas produtoras: Paris Entretenimento, Dramática Filmes, Globo Filmes, Telecine
Distribuição: Paris Filmes
Roteiro: Lô Politi, Mirna Nogueira e Maíra Bühler
Direção de fotografia: Pedro Sotero, ABC
Direção de arte: Juliana Lobo e Thales Junqueira
Figurino: Gabriella Marra
Montagem: Eduardo Serrano
Maquiagem: Tayce Vale
Trilha sonora: Otavio de Moraes
Mixagem musical: Toco Cerqueira
Engenharia de som: Abrão César
Elenco: Sophie Charlotte, Rodrigo Lellis, Camila Mardila, Luis Lobianco, Dan Ferreira, Dandara Ferreira, Chica Carelli, George Sauma, Fábio Assunção, João Gil, Elen Clarice e Lavínia Castelari
Duração: 90 min
Sobre a Sessão ABC
A Sessão ABC é um evento realizado pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) desde 2002. A primeira exibição deste ano ocorreu no dia 22 de fevereiro, quando o público pôde conferir “O Sequestro do Voo 375” (2023), seguido de debate com o diretor Marcus Baldini, o diretor de fotografia Rambo Rhebling Jr., a editora de som Miriam Biderman, ABC e a produtora Joana Henning.