Até 30/11, 29º Festival do Filme Documentário e Etnográfico acontece em BH; catálogo online vai até 7/12

Forumbh
Foto: Divulgação

O 29º forumdoc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte será realizado até este domingo (30), no Cine Humberto Mauro e Cine Santa Tereza. Com uma programação diversa, o forumdoc.bh promove o encontro entre diferentes territórios, linguagens e perspectivas, abrindo espaço para a reflexão sobre memória, ancestralidade, criação coletiva e desafios contemporâneos. Ao todo, são exibidos 74 filmes em 48 sessões (divididas em quatro mostras) desde o dia 20/11, além de sessões especiais, seminários e atividades online. 

A edição de 2025 reúne filmes de diferentes países e regiões do país nas mostras Contemporânea Internacional e Contemporânea Brasileira, além das Sessões Especiais, que celebram trajetórias e reencontros de cineastas. A programação inclui, ainda, a Retrospectiva Tetê Moraes, dedicada a uma das grandes documentaristas brasileiras, e a mostra-seminário “Cine Takaja Awa Guajá”, que propõe um diálogo entre cinema e saberes indígenas.

Completam o conjunto de atrações os lançamentos de filmes e livros, as exibições de obras restauradas e o programa internacional “Documentaire sur Grand Écran” (Documentário na Tela Grande), reforçando o caráter crítico, político e afetivo que faz do forumdoc.bh um dos mais importantes espaços de encontro e reflexão sobre o cinema documental na América Latina.

Segundo Júnia Torres, organizadora e curadora do evento, há quase 30 anos era preciso descobrir e lançar documentários brasileiros e, sobretudo, formar o público. “A produção ainda era incipiente, no que diz respeito a títulos com maior elaboração formal, que escapassem do caráter meramente didático ou jornalístico. Desde então, observamos um amadurecimento significativo do documentário no país. Houve um crescimento tanto na quantidade quanto na qualidade das produções, acompanhado pela ampliação dos protagonismos — de autores e autoras, que hoje vêm de lugares muito diversos. Esse movimento reflete, em parte, a revolução tecnológica, mas, sobretudo, as conquistas de novos segmentos de realizadores(as). O campo tornou-se mais heterogêneo, o que provocou uma verdadeira revolução formal no cinema, especialmente no documentário”, explica.

No caso das Sessões Especiais, celebram-se a continuidade e os vínculos afetivos que marcaram a história do forumdoc.bh, reunindo oito filmes de realizadoras(as) que retornam ao festival com novas obras e perspectivas. Programadas por Júnia Torres e Daniel Ribeiro Duarte, as sessões reafirmam o caráter político, poético e experimental do festival. Entre os títulos apresentados, estão “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, de Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Luisa Lanna e Roberto Romero; “Minha Terra Estrangeira”, de Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles; “As Dores do Mundo: Hyldon”, de Emílio Domingos e Felipe David Rodrigues; e “Suçuarana”, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges.

Catálogo online até 7/12

Até 7 de dezembro, a 29ª edição do forumdoc.bh também oferece gratuitamente, em formato online, uma seleção especial de sua programação. São 28 filmes disponíveis na plataforma Itaú Cultural Play (itauculturalplay.com.br). Muitos dos títulos contam com recursos de acessibilidade.

A seleção reúne filmes das mostras “Cine Takaja Awa Guajá: modos de inventar o passado-futuro” e “Contemporânea Brasileira”, além de títulos recém-lançados. Entre os destaques, está “Terra Doente” (2025), de Sukande Kasáká, dirigido por Kamikia Kisedje e Fred Rahal. O filme acompanha o povo Khĩsêdjê diante da ameaça invisível dos agrotóxicos que contaminam a floresta, os rios e seus próprios corpos. Em meio ao colapso ambiental, Kamikia e Lewayki enfrentam um dilema profundo ao decidir entre permanecer na aldeia ancestral, arriscando a saúde da comunidade, ou deixá-la em busca de sobrevivência.

Também integra a programação “Palimpsesto” (2024), de André Di Franco e Felipe Canêdo, que revisita o incêndio ocorrido em junho de 2020 na coleção arqueológica do Museu de História Natural da UFMG. A partir do trabalho de resgate do acervo, o filme propõe uma reflexão sensível sobre o fogo, seus vestígios e as camadas de memória que resistem após a destruição.

O catálogo inclui, ainda, “Quem é essa mulher?” (2024), de Mariana Jaspe, que aproxima duas mulheres negras separadas por um século. Pelas estradas da Bahia, Mayara, moradora da periferia de Salvador, reconstrói sua trajetória enquanto revela a história de Maria Odília Teixeira, neta de uma ex-escravizada que se tornou a primeira médica negra do Brasil.

Confira a programação completa e mais informações em https://www.forumdoc.org.br/mostras e @forumdoc.bh.

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