CCBB-RJ apresenta mostra “Mestras do Macabro”, dedicada a diretoras do cinema de horror

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Cena do longa brasileiro “Medusa” (2021), dirigido por Anita Rocha da Silveira. Foto: Divulgação

Até o dia 14 de abril, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro realiza a mostra “Mestras do Macabro – As cineastas do horror ao redor do mundo”, com 28 longas-metragens de diversos estilos, produzidos em vários países. Com curadoria da pesquisadora, curadora e crítica de cinema Beatriz Saldanha, o evento também inclui debates e um curso sobre o tema. A entrada é franca para todas as atividades, e os ingressos ficam disponíveis a partir das 9h de cada dia, no site e na bilheteria do CCBB-RJ.

O primeiro debate acontece neste sábado, 15 de março, com tradução em Libras. Beatriz Saldanha e Bianca Mattos, uma das autoras do catálogo e curadora do Cineclube Grande Otelo, conversam com o público sobre filmes de horror dirigidos por mulheres negras, com destaque para “A Lenda de Candyman” (“Candyman”, 2021), de Nia DaCosta, que será exibido antes do debate, às 16h. Uma das principais cineastas negras da atualidade, DaCosta colocou o racismo em pauta na refilmagem desse clássico dos anos 1990.

Por muitas décadas, o cinema de horror foi considerado restrito aos homens, mas hoje sabemos que as mulheres têm uma relação profunda com o gênero. As produções dirigidas por elas, em sua grande maioria, não receberam o merecido destaque e são pouco conhecidas no Brasil. “Mestras do Macabro”, portanto, oferece um panorama inédito de diretoras com perfis muito diferentes que realizaram filmes em contextos particulares. Serão exibidos desde produções de pioneiras, que atuaram no cinema comercial dos anos 1970 e 1980, até títulos mais recentes, incluindo filmes de diretoras brasileiras que dialogam diretamente com o público contemporâneo.

Entre as pioneiras do gênero de horror, a mostra destaca as cineastas estadunidenses Stephanie Rothman, Amy Jones e Jackie Kong. Em “O Doce Vampiro” (“The Velvet Vampire”, 1971), Rothman incorpora ao filme uma influência do cinema surrealista. “O Massacre” (“The Slumber Party Massacre”, 1982), dirigido por Amy Jones, é o primeiro filme da única saga que foi concebida como “feminina” no slasher, um dos subgêneros mais populares do horror. E “Um Jantar Sangrento” (“Blood Diner”, 1987), de Jackie Kong, é uma obra bem particular que lembra os filmes da celebrada produtora Troma.

Já as cineastas dos “novos clássicos” do horror,  que marcam o início de uma nova geração de diretoras desse gênero, estão representadas pelos filmes “Psicopata Americano” (“American Psycho”, 2000), de Mary Harron; “Garota Infernal” (“Jennifer’s Body”, 2009), de Karyn Kusama; “Grave” (“Raw” 2016), de Julia Ducournau; e “O Babadook” (2014), de Jennifer Kent.

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Cena de “Garota Infernal” (2009), dirigido por Karyn Kusama. Foto: Divulgação

Estarão presentes na mostra também filmes mais intimistas de grandes autoras, como “O Chalé do Lobo” (“Vičí Bouda”, 1987), da tcheca Vera Chytilová; “Desejo e Obsessão” (“Trouble Every Day”, 2001), da francesa Claire Denis; e “A Jaula de Mafu” (“The Mafu Cage”, 1978), da estadunidense Karen Arthur, que traz uma das atuações mais impressionantes de Carol Kane. E, ainda, “Quando Chega a Escuridão” (Near Dark, 1987), de Kathryn Bigelow, uma das cineastas mais importantes em atividade, vencedora do Oscar de Melhor Direção em 2010, por “Guerra ao Terror”.

Além disso, a mostra do CCBB-RJ será uma ótima oportunidade para o público assistir a filmes que, apesar de serem cultuados fora do Brasil, seguem inéditos nas salas do país, como “O Pesadelo de Celia” (“Celia”, 1989), de Ann Turner; e “Segredos Evidentes” (“Youling Renjian’, 2001), de Ann Hui.

Filmes brasileiros

A produção nacional estará presente com alguns dos melhores filmes do gênero de horror lançados nos últimos anos: “Medusa” (2023), de Anita Rocha da Silveira, “Sinfonia da Necrópole” (2016), de Juliana Rojas, “Sem Seu Sangue” (2020), de Alice Furtado, “A Sombra do Pai” (2019), de Gabriela Amaral Almeida, e “Terminal Praia Grande” (2019), de Mavi Simão.

“Mestras do Macabro” tem, ainda, um catálogo com textos de 36 autoras, entre críticas brasileiras e pesquisadoras estrangeiras convidadas. Esta é a primeira vez que um livro exclusivo sobre esse tema é publicado no Brasil. A publicação, gratuita, também está disponível também para download no site do CCBB.

Após passar pelo Rio de Janeiro, a mostra será apresentada no CCBB Belo Horizonte (12 a 24 de março), CCBB São Paulo (20 de março a 20 de abril) e CCBB Brasília (14 de outubro a 2 de novembro).

Atividades extras

A mostra também promoverá um curso gratuito sobre as cineastas do horror, ministrado pela curadora Beatriz Saldanha, de 19 a 21 de março (quarta a sexta), às 17h30, com carga horária de 6h (duas horas por dia), no Cinema 2.  Os ingressos estarão disponíveis a partir das 9h de cada dia, no site e na bilheteria do CCBB. A proposta do curso é lançar um olhar para a filmografia de horror realizada por mulheres através de um panorama histórico e internacional. O objetivo é entender como o horror feito por mulheres se transformou de acordo com os avanços femininos no cinema e na sociedade.

Já no dia 28 de março (sexta), às 16h30, a cineasta Gabriela Amaral Almeida fará uma sessão comentada do grande clássico “Cemitério Maldito” (“Pet Sematary”, 1989), de Mary Lambert. Ele é, até hoje, o maior filme de horror dirigido por uma mulher em termos de sucesso comercial, além de ser uma obra marcante sobre família e luto. A sessão será inclusiva (terá legenda descritiva), e o debate contará com tradução em Libras.

Além disso, o longa-metragem “Sem seu sangue” terá duas sessões especiais – uma seguida de bate-papo com a diretora, Alice Furtado, mediado por Beatriz Saldanha, no dia 6 de abril (domingo), às 14h; e, outra, com legenda descritiva e interpretação em Libras, no dia 13 de março (quinta), às 18h. Além desse filme, outras duas produções nacionais terão sessões inclusivas, com audiodescrição: “Medusa”, no dia 29 de março (sábado), às 16h; e “Sinfonia da Necrópole”, no dia 4 de abril (sexta), às 18h.

No dia 7 de abril(segunda), será realizado o último debate, que tem como tema as diretoras do exploitation de horror. Raphaela Ximenes, crítica de cinema especializada em filmes de horror, e Beatriz Saldanha conversam com o público após a sessão do filme “O Doce Vampiro”, que começa às 16h30. O debate terá tradução em Libras.

Mais informações em https://ccbb.com.br/rio-de-janeiro/programacao/mestras-do-macabro/ e no Instagram @ccbbrj.

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