CCBB SP e RJ realizam a mostra “Cinema de Resistência”, dedicada à diretora Lucia Murat

Mostralucia
Foto: Divulgação/CCBB

De 4 a 29 de junho, o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) apresenta a mostra gratuita “Cinema de Resistência: um olhar sobre o Brasil invisível”, com a exibição de 34 filmes e episódios de séries feitos pela cineasta carioca Lucia Murat. A mostra também ocorre paralelamente no CCBB RJ, até 23 de junho.

O trabalho da diretora percorre as feridas abertas da história recente do país e contará com quatro debates em torno das temáticas: Ditadura e Memória, Questões Femininas, Desigualdades e Povos Originários. O primeiro deles, sobre Ditadura e Memória, será na abertura do evento, nesta quarta-feira (4), às 18h, com a participação da cineasta Tata Amaral e de duas ex-presas políticas: a jornalista e escritora Amelinha Teles e a própria cineasta Lucia Murat. A mediação será feita pelo jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten.

Em um cenário de instabilidade política no Brasil e no mundo, a mostra propõe um convite à reflexão por meio de obras da cineasta e ex-jornalista, cuja filmografia entrelaça memória, experiências pessoais, ficção e fatos históricos. Ao longo de quase um mês, o público poderá assistir a 13 longas-metragens, dois filmes de média e curta-metragem, além de 19 episódios em vídeo. A programação será acompanhada por debates com artistas, ativistas e intelectuais, ampliando o diálogo proposto pelos filmes.

Aos 76 anos, Lucia Murat segue usando o audiovisual como um meio de conscientização social. A diretora soma 14 longas-metragens feitos exclusivamente para as salas de cinema, consolidando-se como a cineasta latino-americana com maior produção nesse formato. Em grande parte de seus trabalhos, assina simultaneamente a direção, o roteiro e a produção – um feito notável e raro, mesmo entre os grandes nomes do audiovisual. Premiada em diversos festivais nacionais e internacionais, como Chicago, Miami, Huelva (Espanha), Havana, Moscou, Mar del Plata (Argentina), Festival do Rio, Brasília e Gramado, Lucia recebeu, por seu último filme – “Hora do Recreio” (2025) –, a Menção Especial do Júri Jovem na Mostra Generation 14 Plus, da Berlinale 2025, em Berlim, Alemanha.

Segundo a curadora da mostra, Denise Costa Lopes, filmar como forma de resistir parece ter sido a máxima que norteou o trabalho ininterrupto de Lucia Murat por mais de quatro décadas. “Pela primeira vez, 34 produções dela poderão ser vistas em conjunto numa mostra no CCBB RJ e SP. A mostra abre a possibilidade de discussão sobre temas caros e urgentes do Brasil, como a ditadura militar de 1964, as violências contra os povos originários, as desigualdades sociais e questões do feminino”, destaca.

Cinema, memória e resistência

A obra de Lucia Murat é atravessada por uma série de marcas estilísticas e temáticas recorrentes, como a dissolução das fronteiras entre formatos cinematográficos, presente desde seu primeiro longa-metragem, “Que bom te ver viva” (1989); o enfoque na memória, a narrativa desconstruída e a busca por trazer à tona comunidades e temas geralmente marginalizados ou silenciados.

O estilo da diretora se destaca pela combinação de diferentes linguagens artísticas — como teatro, dança e artes visuais — e pela forma como transforma histórias individuais em retratos universais, oferecendo ao público uma experiência sensível e reflexiva.

A cada semana, a mostra “Cinema de Resistência” terá uma temática central para reunir as obras de Murat e direcionar o debate:

• Ditadura e Memória (4 de junho): A diretora revisita experiências vividas durante o regime militar, explorando lembranças e traumas por meio de personagens femininas e narrativas que misturam realidade e ficção.

• Povos Originários (15 de junho): Filmes que destacam a diversidade cultural indígena e o olhar respeitoso da cineasta sobre essas comunidades, suas tradições e seus desafios contemporâneos.

• Questões Femininas (22 de junho): O protagonismo das mulheres aparece sob diferentes perspectivas, abordando temas como maternidade, envelhecimento e relações afetivas.

• Desigualdades (29 de junho): Obras que retratam o cotidiano de pessoas em contextos de vulnerabilidade social, com foco em trajetórias humanas e potentes.

Todos os debates contarão com a presença de artistas, pensadores e convidados especiais, promovendo trocas a partir das temáticas apresentadas nas sessões.

Confira a programação completa no site do CCBB-SP e no Instagram @ccbbsp.

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