Para celebrar o centenário de um dos grandes nomes do cinema nacional, a Cinemateca Brasileira apresenta, nos dias 26 e 27 de abril, a mostra “100 anos de Rodolfo Nanni”. A programação reúne dois curtas e três longas-metragens dirigidos por Nanni ao longo de sua carreira. O evento é gratuito, e os ingressos serão distribuídos uma hora antes das sessões.
A curadoria também incluiu dois filmes (“Sci Fi Saci” e “Um homem e um filme”, ambos de 2025) da dupla Rewald & Ab’Sáber realizados em homenagem a Nanni. O segundo será apresentado em exibição contínua no foyer Oscarito.
O diretor Rodolfo Nanni estará presente nas três sessões da mostra. Após a exibição de “O Saci” e “Sci-Fi Saci”, haverá um debate com a participação do cineasta e dos diretores Rubens Rewald e Tales Ab’Sáber. A conversa será transmitida ao vivo pelo YouTube no dia 27/4, a partir das 18h50, com tradução simultânea em Libras.
Sobre Rodolfo Nanni
Influenciado por seu primo e padrinho, o escultor Victor Brecheret (1894-1955), Rodolfo Nanni aspirava, inicialmente, seguir carreira como pintor. Estudou em ateliês de importantes artistas, como Anita Malfatti (1889-1964), e prosseguiu sua formação na Europa. Em Paris, despertou seu interesse pelo cinema e se envolveu com grupos de discussão política. Frequentou o Institut des Hautes Études Cinématographiques e, nesse processo, passou a enxergar o cinema como “um poderoso instrumento para o desenvolvimento cultural e educacional”.
A repressão policial direcionada a estrangeiros que protestavam contra a Guerra do Vietnã, o força a deixar a França. De volta ao Brasil, é convidado a dirigir uma adaptação de “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato. “O Saci” (1953), seu primeiro filme, é também a primeira adaptação cinematográfica da obra de Lobato e o primeiro longa-metragem brasileiro voltado ao público infantil. Mesmo nesse momento inicial, a maturidade da sua direção era evidente, especialmente na construção cuidadosa de um universo fantástico ancorado na vida cotidiana e rural.
Alguns anos depois, inspirado na obra seminal “Geografia da Fome”, de Josué de Castro, Nanni voltou seu olhar para a dura realidade do Nordeste semiárido, dando origem ao curta-metragem “O Drama das Secas” (1958). Sobre as filmagens, ele recordaria mais tarde: “Nos sentíamos como correspondentes de guerra, em que o inimigo era a fome”. Cinquenta anos depois, o cineasta repetiria o trajeto registrado naquele filme, buscando compreender o que havia mudado e, sobretudo, o que ainda permanecia na vida dos camponeses da região. Dessa jornada nasceu o longa “O retorno” (2008).
Sua produção de curtas-metragens inclui diversos curtas sobre artes visuais e sobre a cidade de São Paulo, com destaque para a nova cópia 35mm de “São Paulo Centro” (1975), produzida pelo Laboratório de Imagem e Som da Cinemateca Brasileira especialmente para essa mostra.
Rodolfo Nanni também se dedicou a associações da classe cinematográfica, às políticas públicas e à docência. Foi um dos professores fundadores do curso de Cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
Mais informações em https://cinemateca.org.br/series/100-anos-de-rodolfo-nanni/.