Até o dia 6 de outubro, a Mostra Internacional Imagem dos Povos acontece no município de Brumadinho (MG) e também em formato online. Criado em 2005, o evento é gratuito e prioriza a diversidade cultural e o fomento à produção audiovisual mineira. Em tempos de mudanças e emergências climáticas, destaca obras sobre meio ambiente, biodiversidade e ativismo que denunciam e refletem sobre essa realidade, reafirmando o papel essencial da arte como instrumento de consciência e transformação.
Ao longo de seus 20 anos, a Mostra Internacional Imagem dos Povos já exibiu mais de dois mil filmes e séries para milhares de espectadores em salas de cinema, na TV e na internet. Nesta edição, serão apresentados 43 títulos que abordam temas como mudanças climáticas, desastres e crimes ambientais, incêndios florestais, preservação de biomas, territórios indígenas e quilombolas, ecoeconomia e transição energética. A programação também contempla diferentes formatos (ficções, documentários, animações e produções para TV e internet), com atrações para todas as idades.
Entre os destaques deste ano, estão produções aclamadas como os longas “O Silêncio das Ostras”, do mineiro Marcos Pimentel; “Suçuarana”, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges; “A Cidade que Ainda Sonha”, do também mineiro Marco Aurélio Ribeiro; “Catadoras”, de Dayse Porto; “A Queda do Céu” (foto que abre esta notícia), de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha; e o documentário “A Ilusão da Abundância”, de Erika Gonzalez Ramirez e Matthieu Lietaert. Já o documentário “Jangada Água Viva”, dirigido por Carolina Moura e Maíra do Nascimento e produzido especialmente para a mostra, investiga a ameaça da mineração na região de Casa Branca.
Dentre as atrações voltadas para o público infanto-juvenil, estão os longas “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”, de Fernando Fraiha; “Perlimps”, de Alê Abreu, e diversos curtas, como “Tsuru”, do baiano Pedro Anias.
Segundo a diretora geral e curadora da mostra, Tâmara Braga, o mundo está vivendo um quadro de emergência climática sem precedentes, provocada sobretudo pela ação humana. “Nossa saúde, economia, modo de vida e formas de convivência estão passando por mudanças radicais, e biomas inteiros estão ameaçados de extinção. Nosso planeta pode ficar inabitável para os humanos. Os piores cenários traçados na década de 1990 sobre as mudanças climáticas já estão ocorrendo”, destaca. Para Tâmara, a produção audiovisual tem refletido essa realidade, e não só por meio de filmes-catástrofe. “Buscamos, agora, reunir conteúdos audiovisuais recentes sobre as causas e consequências das mudanças climáticas e sobre as iniciativas de enfrentamento a essa situação”, completa.
Localizado na região metropolitana de Belo Horizonte, o município de Brumadinho permanece marcado pelas consequências de um dos maiores crimes ambientais da história do Brasil e do mundo: em janeiro de 2019, o rompimento de uma barragem da Vale resultou na morte de 272 pessoas, contaminou a bacia do Rio Paraopeba e ganhou repercussão internacional. O desastre se somou ao que já havia ocorrido em Mariana (MG), em 2015, que atingiu toda a bacia do Rio Doce até sua foz.
As exibições online serão realizadas pelo site imagemdospovos.com.br ou pelo canal da mostra no YouTube: youtube.com/@imagemdospovos.