Fora do eixo: o cinema e audiovisual para além de Rio e São Paulo

Por Danielle de Noronha

Nos últimos anos temos acompanhado o crescimento de pautas que reivindicam um audiovisual mais diverso e plural, tanto atrás como na frente das câmeras. São diversos os movimentos e coletivos que buscam visibilizar as imagens, sons e histórias que são contadas por mulheres (cis e trans), negros, LGBT+, indígenas, e trazer olhares outros para um audiovisual que atualmente é majoritariamente produzido por homens brancos, conforme já demonstraram diversos estudos como os desenvolvidos pela Ancine e pelo Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), entre outras tantas pesquisas que têm se dedicado ao tema.

Outro marcador importante que precisa ser considerado para a ampliação da diversidade e pluralidade do audiovisual e cinema brasileiros é o geográfico, que aponta para a necessidade de ampliarmos nossas histórias para além do eixo Rio-São Paulo. Por um lado, é certo afirmamos que nos últimos anos houve um crescimento de produções em diversos estados brasileiros, resultante do aumento de cursos de cinema e audiovisual, de políticas públicas (que foram interrompidas em 2018), do desenvolvimento das mídias digitais e crescimento de festivais. Neste sentido, há em todo o Brasil mercados audiovisuais que contam com cursos, produtoras, profissionais qualificados e as mais variadas narrativas, cenários, personagens, sotaques e modos de construir histórias, tanto técnica como esteticamente.

Por outro, ao olharmos para as produções lançadas comercialmente em salas de cinema ou TV, a participação de obras produzidas em outras regiões do País ainda é muito pequena. Como exemplo, o anuário estatístico do cinema brasileiro relativo a 2016 aponta que entre os 142 filmes lançados, 43% foram realizados por produtoras do estado de São Paulo e 34% por produtoras do Rio, e ainda vale mencionar que a região Norte não contou com nenhum filme lançado comercialmente naquele ano. Assim, por mais que existam as/os profissionais e as histórias, há poucos recursos e espaços reduzidos de exibição, que ainda se concentram no eixo – e atualmente ainda devemos somar ao tema a pandemia do Covid-19 e o momento político brasileiro.

Nesta reportagem reunimos sócias(os) da ABC e convidamos algumas(ns) profissionais do audiovisual brasileiro de diferentes estados para conhecermos mais as diversas realidades desses locais, os filmes realizados e buscarmos alternativas para um cinema e audiovisual que exibam, falem e pensem outras imagens, sons e representações.

Um panorama de norte a sul

Zé Paulo Vieira da Costa iniciou sua trajetória no audiovisual há quase 40 anos. Mora em Belém (PA) e, conforme suas palavras, “a única coisa que não fiz em rádio e TV foi narrar uma partida de futebol porque não conheço o suficiente, mas, mesmo assim, dirigi muitas transmissões esportivas”. Zé Paulo já foi apresentador de rádio, assistente de programação, editor de VT, diretor de fotografia, além de já ter roteirizado, criado, redigido e dirigido vários programas de TV, entre outras funções, e atualmente é sócio da 3D Produções.

O diretor de fotografia Zé Paulo Vieira da Costa

“O Pará é imenso, quase 1 milhão e 300 mil quilômetros quadrados”, lembra Zé Paulo. Hoje, em todo esse território, existem cerca de 100 produtoras, que buscam atendar as diferentes demandas da região. “As várias regiões paraenses têm necessidades peculiares, e o chamado Custo Amazônia se incumbe de fazer cada empreendimento ter soluções criadas por si, que as distâncias impõem. Há a realidade da Região Metropolitana, formada por Belém e municípios mais próximos, onde o número de produtoras passa de 40, variando enormemente a estrutura. Há a realidade do Oeste paraense, onde se tem notícia da existência de, aproximadamente, 10 produtoras. Na região do Baixo Tocantins pode se considerar, pelos menos, seis. E na região Sul/Sudeste, entre CNPJ e CPF, o número chega a quase 40. As primeiras produtoras nasceram dentro das emissoras de TV, depois surgiram as independentes”, explica.

Para Zé Paulo, se há 30 anos ter uma produtora significava investir um capital razoável, hoje o investimento pode ser bem menor: “As estruturas das produtoras paraenses, embora com muitas diferenças entre si, contam com câmeras de boa performance, dotadas de lentes fotográficas, algumas mais sofisticadas. Recursos de movimento também estão disponíveis. Drone é hoje recurso básico, todas têm, variando a sofisticação. O parque de luz ainda carece de equipamentos de maior performance, mas atende. Há bons investimentos em equipamentos de pós, para edição e colorização”. Na plataforma AmazôniaFlix é possível ter acesso a obras realizadas no Pará e no restante da região amazônica.

Zé Paulo atua no mercado audiovisual no Pará há cerca de 40 anos

No que diz respeito à formação, a Universidade Federal do Pará é a única do Norte do Brasil a ter bacharelado em Cinema, além do curso de Tecnólogo. Zé Paulo conta que “há também, em faculdades particulares, dois cursos superiores de jogos eletrônicos e, em outras entidades, há dois cursos de nível técnico. Muitos dos profissionais das duas gerações mais recentes são oriundos dos diversos cursos superiores de Comunicação Social, mas a formação prática ainda prevalece para editores, loggers e assistentes. Comigo foi assim, quando comecei ainda nem havia, no Pará, faculdades dessas áreas. A reciclagem faço através de cursos, leituras, oficinas e de outras formas de pesquisa e atualização”.

Por mais que o Pará tenha construído um mercado audiovisual, ao olharmos para o restante da região Norte percebemos que a realidade é diferente. O diretor de fotografia Fabrício Carvalho conta que o mercado audiovisual em Manaus (AM), por exemplo, “é bem devagar” no que diz respeito ao investimento em profissionais e equipamentos. “Infelizmente por aqui vivemos em um funil do tipo: O cliente que quer um produto final excelente, porém pagando pouco, e os donos de produtoras que fazem o máximo para garantirem boas margens. Geralmente as produtoras e profissionais que possuem melhores performances em questões de estrutura e financeiro são aqueles que produzem para prefeituras, governos e outros órgãos públicos”, relata Fabrício.

Fabrício Carvalho atua como diretor de fotografia em Manaus (AM)

Fabrício iniciou sua trajetória no audiovisual como logger em 2011 e atualmente já fotografou curtas, campanhas políticas e filmes publicitários. Além do aprender na prática, sua formação contou com alguns cursos que realizou principalmente no eixo Rio-São Paulo. “Os cursos e workshops presenciais ficam muito mais caros pelo fato de serem sul/sudeste e demandam muito tempo de ida e retorno. Acabo acompanhando matérias, reviews e workshops online, mas é claro que é inevitável ter que ir a SP ou RJ para poder fazer algo presencial”, diz.

O diretor de fotografia acredita que para que o audiovisual se descentralizasse seria necessário que os governos estaduais também o assumissem como projeto: “assumindo as rédeas, fazendo isso uma meta econômica. É muito bonito ver na TV, cinemas e redes sociais projetos bonitos, mas sem investimento a gente não anda, só palmas não dá…Conseguiríamos nos mostrar melhor havendo a criação de mecanismos de fomento à capacitação e atualização profissional, investimentos na produção de conteúdo, apoios técnicos, o fim dos favorecimentos políticos, clientelismo, incentivar as coproduções e parcerias entre municípios, estados e países, aumentar quantidade e variedade de editais”.

O diretor de fotografia Fabrício Carvalho

Zé Paulo complementa: “nos últimos governos federais, fora o atual, houve verba pública para a realização de séries live action e desenho animado, longas-metragens, oficinas de aperfeiçoamento e de desenvolvimento de projetos, estas últimas, acredito, acontecidas fora do Pará. O volume de verba, entretanto, foi muito menor do que o destinado às demais regiões brasileiras. A coisa complicou quando a cota juntou Norte/Nordeste. Se era para ser equânime, nem igual mais foi. Houve muito suor e inventividade para cumprir os projetos, eu mesmo precisei fazer muita ginástica para concluir os dois que ganhei via 3D Produções. Mas serviu para aquecer o mercado, direta e indiretamente, foi importante para o setor do audiovisual. Não viabilizou a compra de estrutura técnica, por exemplo, mas serviu para incentivar gente do meio a buscar financiamento a juros subsidiados ou outras formas de recursos, para comprar equipamento e outros insumos”.

No Nordeste há dois estados que possuem mercados audiovisuais mais sólidos: Pernambuco e Bahia. No caso do primeiro, para o diretor de fotografia Pedro Sotero, um dos motivos é que se trata de um estado que historicamente valoriza a cultura local. “O povo se reconhece nas mais diversas manifestações artísticas produzidas no estado, criando uma relação forte de identificação com a população local. Desde a tradição dos Maracatus, os cortejos de Afoxé, as bandas de Pífano, a Rabeca de Mestre Salú, a música de Chico Science e Nação Zumbi, os filmes de Marcelo Gomes, Cláudio Assis, Kleber Mendonça, as fotografias de Bárbara Wagner, Fred Jordão e Xirumba, os brega funks de Shevchenko e Elloco e Musa do Brega. Essa valorização dos artistas locais, incentivada por políticas públicas eficientes, possibilitou a projeção de vários artistas do estado, gerando um aumento significativo de obras produzidas e um crescente e diálogo de todas essas formas de arte com o resto do país e com o mundo”, diz.

Pedro Sotero e Kleber Mendonça Filho no set de Bacurau. Foto: Nicolau Saldanha

Pedro, que iniciou sua carreira no departamento de câmera no Recife, em 2003, como assistente de vídeo do longa-metragem Cinema, Aspirinas e Urubus, conta que pôde “observar a olhos nus o surgimento de uma indústria de cinema entre 2003-2016”. O investimento do estado e do governo federal naquele período trouxe resultados para o mercado local. “Vi vários técnicos de todos os departamentos serem formados e surgir um mercado de trabalho Audiovisual em Recife. Vi filmes da minha cidade circularem e representaram o Brasil nos grandes festivais do mundo, como o festival de Cannes, Berlim, Toronto, Veneza, NYFF, entre muitos outros. Depois do golpe institucional sofrido pela então presidenta Dilma Rousseff em 2016, a indústria que se formava no Recife e do Brasil começou a ser desmantelada e hoje, com o fim do ministério da cultura e os constantes ataques do governo federal às instituições e aos profissionais da área, em menos de quatro anos, já nos encontramos em estado de emergência. Teremos que estar unidos como classe, nos apoiando e lutando juntos cultura de nosso país”, reflete.

Em relação a Bahia, o diretor de fotografia Lázaro Santana, ABC, que atua na área há 37 anos, acredita que a capital Salvador pode ser considerada um dos principais polos de produção fora do eixo Rio-SP. “Temos boa estrutura técnica, grandes e excelentes profissionais em todas as áreas do audiovisual, cenário natural com grandes e belas locações desde o litoral até as mais diversas regiões como a Chapada Diamantina, região oeste, região do São Francisco, o sertão, e todo o recôncavo baiano”. Entretanto, para Santana, nos últimos anos as produções no estado também não têm gerado volume suficiente para absorver um maior percentual de ocupação dos(as) profissionais que atuam no mercado. “Acredito que esse fenômeno seja também de abrangência nacional, principalmente a partir do impeachment de 2016, quando foram reduzidos os incentivos a cultura e ao audiovisual como um todo. Antes da pandemia, Salvador estava se movimentado em outras frentes de produção, como videoclipes, DVDs de cantores e bandas, iniciativas de algumas produtoras para se manterem em atividade”.

Lázaro Santana, ABC atua como diretor de fotografia em Salvador (BA)

Santana conta que em Salvador existem cerca de dez produtoras maiores e, entre estas, seis se destacam em termos de equipamentos e estrutura: “Todas são estruturadas em relação a terem estúdio, equipamento de câmera em HD e até 8K, kit de lentes e filtros, ilhas de edição e finalização, equipamentos de iluminação e, claro, bons profissionais. Tem também as produtoras ligadas ao cinema, que não sei quantas são, produzem todo o conteúdo de séries para TV (que são exibidas na TVE Bahia), curtas-metragens e longas com o financiamento dos editais de cultura. Porém, com a chegada da pandemia, o que já não estava bom se agravou. Hoje as produtoras conseguem sobreviver com muita dificuldade em função do encolhimento nas produções de campanhas na publicidade, o que ajudava muito na manutenção do mercado audiovisual”.

O diretor de fotografia Claudio Antônio, que começou sua carreira no audiovisual em 1996 na capital baiana, acrescenta que outra questão é o acesso à formação. “O acesso ao conhecimento técnico e estético ainda é um grande desafio para profissionais das regiões da Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste (Conne), que estão fora do eixo Rio-São Paulo, com os quais tenho trabalhado constantemente nos últimos 20 anos. A Conne está fora do circuito de formação técnica constante e sistemática, o que prejudica avanços consideráveis. Eu driblo essa ‘deficiência’ buscando cursos com profissionais como Alziro Barbosa na Bucareste, também acompanho a Semana ABC, vejo trabalhos de diversos profissionais, participo de master classes e busco making ofs, livros e sites de cinematografia”, exemplifica.

Claudio Antônio no set da série Criativos.br- Moda e Identidade (2018), produzida por Têm Dendê Produções

Entretanto, ao olharmos para outros estados do Nordeste a situação pode ficar ainda mais complicada, como é o caso de Sergipe. A realizadora audiovisual Luciana Oliveira se formou em Cinema e Audiovisual em 2014 e defendeu sua dissertação de mestrado em 2018, ambos na Universidade Federal de Sergipe. Integrante do Fórum Permanente do Audiovisual Sergipe, filiada à APAN (Associação dxs Profissionais do Audiovisual Negro) e coidealizadora da EGBÉ – Mostra de Cinema Negro de Sergipe, criada em 2016, Luciana pesquisa o cinema realizado por mulheres negras, na perspectiva da autorrepresentação, e reflete sobre as políticas de coletividade nesses filmes.

Luciana Oliveira é realizadora audiovisual em Aracaju (SE). Foto: Pritty Reis

Luciana arrisca a dizer que o caso de Sergipe talvez seja o mais delicado da região. Grande parte da classe de trabalhadores(as) do audiovisual não consegue ser absorvida pelo mercado do estado, seja pela falta de investimento público, seja por um setor privado voltado mais para os filmes publicitários. “Muitos de nós, ao se formar, precisam decidir se se mudam para outros estados para tentar viver de cinema, ou se vão realizar outras atividades para sobreviver. A ausência de políticas públicas que possam assegurar editais, por exemplo, impossibilita que Sergipe possa construir um mercado audiovisual. Enquanto não há investimentos não é possível produzir e consequentemente empregar profissionais e assim alimentar a cadeia. As grandes empresas privadas locais que investem em outros estados não investem aqui, talvez, penso, que isso é um reflexo da falta de atuação do setor público com a cena cultural, se o próprio estado não investe, como o setor privado vai se sentir seguro para tal?”, questiona.

Por outro lado, Sergipe tem um polo forte de formação audiovisual, sendo o único estado no Nordeste a ter um mestrado interdisciplinar em cinema e já teve um dos melhores Núcleos de Produção Digital do Brasil. “Nos últimos anos, infelizmente, perdemos o espaço do NPD, que foi responsável por um período forte de formação e produção em Aracaju. O modo como vem sendo administrado perdeu o foco no cinema, e está cada vez menos acessível. O que para nosso setor é muito ruim, pois nem está formando novos profissionais, nem está fomentando novas produções, que é o papel da instituição. O cinema sergipano é guerrilha hoje, sem editais municipais que de fato foram efetivados desde 2007. Editais estaduais não são lançados desde 2014, atualmente as produções vêm sendo realizadas com muita garra e coletividade. Os gestores públicos perderam várias oportunidades no momento em que era possível lançar editais através dos Arranjos Regionais do Fundo Setorial do Audiovisual, dormiram no ponto”, esclarece Luciana.

Como já mencionado por algumas(ns) entrevistadas(os), a situação se complica ainda mais quando olhamos para a forma como o atual governo tem lidado com as políticas para o audiovisual, que vai atingir com mais força o cinema produzido fora do eixo, as pequenas produtoras e profissionais iniciantes. Seguindo para o Centro-Oeste do País, em Brasília (DF), a assistente de câmera Julia Prado lembra que, assim como em todo o Brasil, a produção de filmes no DF depende muito de políticas públicas de fomento: “Somos muito prejudicados quando a administração pública não incentiva a produção cultural da região, como vem acontecendo desde as últimas eleições, muito pelo fato da pasta cultural ser entendida como um campo meramente de disputa ideológica no atual governo distrital e federal, desconsiderando-se o grande potencial econômico e a importância social da área”.

Julia Prado no set de  O Pastor e o Guerrilheiro, de José Eduardo Belmonte. Foto: Filipe Duque

Julia se formou em 2019 em Comunicação Social com habilitação em Cinema e Mídias Digitais pelo IESB e já atuou em equipes de longas e curtas-metragens. “Como recém-formada, percebo várias empresas aproveitando esse cenário de instabilidade e a flexibilização de leis trabalhistas para abrir vagas de trabalho que exigem extenso conhecimento e experiência, mas com baixa remuneração e, durante a faculdade, a gente também observava vários anúncios de vagas dispostas como estágio, mas com a demanda de um profissional. Vejo muitas pessoas talentosas que conheço sendo exploradas desse jeito. Recebendo menos do que o trabalho delas valem e trabalhando mais do que elas eram designadas a fazer. Sendo assim, tendem a desistir de empreender na área cinematográfica, reduzindo-se às demandas características do DF, ou buscando melhores condições de vida e trabalho em São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, abandonando Brasília. Eu mesma já pensei em sair de Brasília”.

As mídias digitais são citadas mais uma vez como uma opção de formação para aquelas(es) que estão em regiões onde há menos opções de cursos livres. Nas palavras de Julia: “Fiz um curso de Assistência de Câmera em São Paulo no ano passado e pretendo fazer outros cursos no futuro. Aproveito muito os materiais disponíveis na internet, inclusive os vídeos das palestras da Semana ABC no YouTube, livros, sites internacionais especializados e cursos online”. Outro ponto citado por Julia, que se repete em outras regiões do País, é a formação de coletivos, que reúnem e aproximam profissionais do cinema e audiovisual. “Quero destacar algo que fez muita diferença na minha educação e entrada no mercado de trabalho: entrar para o Movielas, o coletivo de mulheres da técnica do DF. Com elas aprendi muito sobre a técnica e funcionamento de um set, além de terem me dado direcionamentos de onde encontrar materiais para estudo e cursos interessantes para se fazer”.

Julia ressalta a importância do coletivo Movielas para sua formação. Foto: Bárbara Bianchi

O professor e diretor de fotografia André Carvalheira, que no ano passado fotografou seu 17º longa-metragem (Oeste Outra Vez, de Érico Rassi), conta que tem trabalhado mais com cinema e também realizado alguns institucionais. Ele explica que, em Brasília, “a publicidade de produto é praticamente inexistente, alguns anunciantes são construtoras e há muito varejo. Existe a propaganda do governo do Distrito Federal, ou da câmara legislativa. Mas acontecem muitos institucionais para diferentes órgãos do governo federal”.

Porém, em sua opinião, as políticas para descentralização que vinham sendo implementadas pela Ancine já estavam atuando e ajudando o mercado na cidade. “O número de produções voltadas para cinema e televisão aumentaram significativamente nos últimos 15 anos. Pois a única produção audiovisual que pode ser realmente descentralizada é a produção de séries e longas-metragens quando se há vontade política para que ocorra. A política que descentraliza é a que põe dinheiro nas diversas regiões do País. Nesse sentido, um órgão como a Ancine é fundamental. E a forma como vinha atuando, antes da hecatombe política (a queda da Dilma, o governo Temer e agora isto que está aí), era a política que vinha dando certo no sentido da descentralização”.

 

O diretor de fotografia André Carvalheira no set de Teoria da Ímpeto (2019), de Marcelo Faria e Rafael Moura. Foto: Messias Filho

Esse também é o caso do Espirito Santo. A professora e realizadora audiovisual Tayla Fernandes relata que o mercado audiovisual capixaba estava em um caminho de desenvolvimento relativamente interessante: “Apesar de haver uma carência de espaços de formação (ainda não está bem estabelecida a cultura das escolas autônomas e dos cursos livres), há vários jovens realizando bons trabalhos e abrindo pequenas produtoras e afins, sem precisarem deixar o estado. É possível também realizar a locação de bons equipamentos sem recorrer a outros lugares, apesar de alguns serviços, tais como libras e audiodescrição, ainda demandarem contratação externa. O Festival de Cinema de Vitória ganhou boa projeção nacional nos últimos anos, e o estado ganhou outros festivais no interior (como FECIM/FECIN; Festival de Cinema de Santa Teresa – FECSTA; o Cine.Ema, entre outros). Realizadores locais têm sido indicados e/ou premiados em espaços de relevância e selecionados para compor o acervo do Canal Brasil, da Telecine, etc.”.

Thayla Fernandes no set do curta Abelha Rainha (2019), projeto que contou com equipe majoritariamente formada por mulheres

Tayla ainda menciona que os festivais têm sido um bom espaço de formação para as(os) realizadoras(es) do estado. “O Espírito Santo ainda tem o curso de graduação em audiovisual oferecido pela UFES como espaço central de formação na área, e fora os cursos livres ministrados autonomamente e muito esporadicamente por cineclubes e associações (tais como a ABD Capixaba), há uma carência de formação”. Porém, uma diferença em relação ao caso sergipano, por exemplo, é que o Espírito Santo, por meio de suas secretarias, possui editais locais de financiamento (estaduais e alguns municipais) para a cultura e para o audiovisual. Para Taynã, “superadas algumas fragilidades de funcionamento (suspensão dos editais em algumas situações e atrasos no pagamento para os selecionados, por exemplo), acredito que pode haver alguma preservação da produção local diante do desmonte que estamos vivendo a nível nacional”.

O diretor de fotografia Yuri Maranhão. Foto: Eduardo Lubiazi

Chegando ao Sul do Brasil, o diretor de fotografia Yuri Maranhão conta que Curitiba (PR) é uma cidade ativa para o audiovisual brasileiro, apesar de ainda muito distante da demanda do eixo. “Aqui, além das produções locais, nas áreas de publicidade, cinema, animação e conteúdo, a cidade também produz para o mercado nacional. Nos últimos anos, entre 2018 e 2020, grandes produções aqueceram nosso mercado”, como é o caso das séries Irmandade (Netflix) e Insânia (Fox). “Outro setor que já há bastante tempo procura filmar por aqui é a publicidade. Vejo que a cidade é bem atrativa para viabilizar projetos com um custo de produção menor, comparado a São Paulo. Além do custo menor e a proximidade que viabiliza trazer qualquer equipamento em 6 ou 7 horas de estrada, Curitiba tem facilidade para gravação em lugares públicos e rápido deslocamento entre locações, é possível filmar com 2 ou 3 deslocamentos dentro em uma diária de 12/14 horas. Além disso, campanhas que envolvem crianças, ou menores de 16 anos, tem um tempo de processo com alvará mais ágil, em torno de 5 dias”, explica. Sua trajetória no audiovisual iniciou em 2005, tendo desenvolvido diferentes funções na área. Em 2014 começou a atuar como diretor de fotografia e no Prêmio ABC deste ano concorreu a três categorias, levando o prêmio de Melhor Direção de Fotografia para videoclipe por seu trabalho com a banda Marrakesh.

Por um lado, Yuri acredita que é muito importante que Curitiba tenha se tornado cada vez mais uma boa opção de produção para o mercado nacional. Por outro, pondera que como os grandes projetos ainda são esporádicos e muitos deles com verbas bem menores que as praticadas no eixo Rio-São Paulo, as equipes da cidade ficam mais limitadas ao crescimento e desenvolvimento em diversas áreas. “Um Gaffer não consegue fazer apenas a sua função. Normalmente, eles têm que acumular funções, carregar e descarregar o caminhão, baixar e subir refletor, passar cabeamento, etc. E isso se estende para outros departamentos também: o contra regra muitas vezes faz o trabalho que um efeitísta ou que o cenotécnico deveria fazer. Muitas áreas que são comuns nas grandes produções nós não temos por aqui, justamente pela falta de demanda mais contínua de produções. Para o nosso mercado continuar se desenvolvendo precisamos aumentar a demanda de projetos por aqui, e, sem dúvida, aprimorar o conhecimento de todos os departamentos”.

Por fim, Porto Alegre (RS) aparece como uma cidade que tem conseguido manter um certo ritmo de produção audiovisual. Para o diretor de fotografia e professor Bruno Polidoro, na última década, houve grande crescimento do mercado na cidade. “Além da intensa produção de publicidade, diversos editais possibilitaram a produção de uma boa quantidade de séries e longas. A maioria de baixo orçamento, mas que manteve o mercado aquecido e os profissionais trabalhando. Chegamos a ter mais de dois longas e uma série rodando ao mesmo tempo, gerando dificuldades de fechar equipe de câmera e elétrica. Assim, o mercado não é muito grande, mas bem desenvolvido. Por muitos anos o Rio Grande do Sul foi considerado o terceiro maior polo de produção audiovisual do País”.

Bruno Polidoro no set de Os Dragões (2020), direção de Gustavo Spolidoro

Bruno ainda menciona que existem duas grandes locadoras de luz, “que fornecem refletores de ótima qualidade e quantidade, como SkyPanels”, e que também há disponível uma boa quantidade de câmeras, como a Alexa Mini, com “kits de lentes honestos”. Segundo ele, existe uma diversidade de produção que fortalece o mercado da cidade: “A publicidade permite essa disposição de equipamentos de qualidade, enquanto o cinema e televisão desenvolvem conteúdos de qualidade, muitos deles exibidos em festivais internacionais como o de Berlim, e na Netflix. Também, temos três graduações em cinema em Porto Alegre, o que gera trabalho para diversos profissionais – que unem a vida acadêmica com a de produção, e gera uma mão de obra qualificada que entra todo ano no mercado. Assim, vemos uma grande integração de profissionais com carreiras mais consagradas atuando nos sets ao lado de seus alunos recém-formados”.

Para finalizar, e em consonância com as falas de outras(os) entrevistadas(os), o diretor de fotografia também acredita que o Brasil estava num caminho interessante para a descentralização, com fomento à produção, complementação de renda federal para editais municipais e estaduais, incentivo à criação de pontos de cultura e fortalecimento das salas de exibição. “Assim, o aumento da produção era alavancado também por uma formação essencial de público, ampliando o acesso a filmes e séries de realizadores locais. Sem fomento público visando a descentralização é complicado desatar esse nó. Assim, creio ser essencial reconstruir essas parcerias com os governos locais e o federal, para uma ampla distribuição de recursos para todas as etapas da cadeia produtiva. A criação de parcerias com as televisões públicas e locais também é um ponto a ser valorizado”, pondera Bruno.

Para ele, a descentralização pode se concretizar com essas parcerias, em estruturas já existentes, que podem ser alavancadas para a produção local. Outro ponto levantado diz respeito às novas plataformas de exibição que, na sua opinião, são essenciais, “pois ao chegar nos espectadores obras locais, ocorre uma sensibilização das empresas e gestores para nossas produções. As pessoas gostam de ser ver na tela, identificar os espaços, ruas que conhecem. Precisamos cativá-las”.

A representatividade e representação na tela são outras questões importantes, como também ressalta o diretor de fotografia e operador de steadicam Maoma Faria, que tem o seu trabalho desenvolvido tanto no eixo Rio-SP como na Bahia. Maoma iniciou o seu contato com o audiovisual muito cedo. “Sou filho do cinema! Pai cineasta e mãe produtora cultural, eu desde sempre andava pelos sets”. Maoma ressalta que a nível político, “em um País como o nosso onde praticamente não existe incentivo para o audiovisual, toda ajuda é bem-vinda!”. Porém, para ele, mais do que ajuda financeira, também é importante entender que um país com dimensão continental como o Brasil não pode ser visto e mostrado como se só existisse o Rio de janeiro e São Paulo. E, aqui, ele se refere a paisagens, personagens, sotaques, comidas, roupas, manifestações culturais, raças/etnias, cores, cidades, etc.

Ele utiliza o exemplo da série estadunidense CSI, que tem diferentes versões para os diferentes estados, que amplia o reconhecimento na tela de quem está assistindo. “Estão vendo lugares que elas conhecem, estão escutando seu sotaque! Aqui no Brasil, pelo menos a nível regional, se poderia fazer mais conteúdos que contassem a história e mostrasse esse povo. Com isso ajudaria a formar atores e técnicos e, depois, esse conteúdo poderia ser distribuído para nível nacional, ajudando também os brasileiros a conhecerem o Brasil”. Este ponto ainda remete para a questão de que grande parte da produção audiovisual nesses estados se concentra em suas capitais, sendo importante a construção de políticas públicas também internas, que tenham o objetivo de ampliar a produção para o interior dos estados, ampliando ainda mais a pluralidade de representação e representatividade no cinema e audiovisual brasileiros.

O diretor de fotografia e operador de steadicam Maoma Faria no set de Ghost of Lina Bo Bardi (2019), de Isaac Julien

Pandemia Covid-19

Somado a tudo isso, todas essas regiões ainda precisam lidar com a pandemia do Covid-19. Todas as falas das(os) entrevistadas(os) apontaram para a preocupação com o futuro, não só pela pandemia, mas também pela forma como os governos federal e locais vêm lidando com o cinema e audiovisual e profissionais da área. Como exemplo, Pedro Sotero explica que no Recife as estruturas sindicais para a classe audiovisual são muito frágeis e precisam ser organizadas e fortalecidas mais do que nunca, para poder de alguma forma amparar as(os) trabalhadoras(es). “O STIC-PE está se mobilizando e algumas iniciativas independentes estão surgindo, como o grupo de produção Resistência PE, coletivo de produtores e técnicos do audiovisual que estão fazendo uma campanha de arrecadação para ajudar os profissionais”, relata.

Equipe de fotografia de Bacurau (2019). Foto: Vitor Jucá

Bruno Polidoro lembra também dos diversos grupos de trabalho, formados por diversas entidades do audiovisual, que estão se reunindo para discutir o retorno às filmagens. Como exemplo, no Rio Grande do Sul, “são diversas frentes de atuação, lideradas pela APTC – Associação de Profissionais e Técnicos Cinematográficos do RS, e pelo SIAV – Sindicato da Indústria Audiovisual do RS. Apesar de visões distintas muitas vezes, esses grupos de trabalho estão unindo profissionais de diversas áreas, cinema, publicidade, o que acredito gerará uma solidariedade entre os setores que deve fortalecer o mercado como um todo, mesmo depois da superação das dificuldades geradas pela pandemia”. Além disso, Zé Paulo ainda acrescenta que as novas mídias não apenas podem ajudar na descentralização, mas deverão exercer uma função social ainda mais importante quando a pandemia acabar. “Haverá muito a inventar. A nossa atividade terá muito a fazer em favor da sociedade humana e do mundo”, diz.

Com o intuito de auxiliar as(os) profissionais da área cultural, muito prejudicadas(os) pela pandemia, no dia 13 de agosto, finalmente, o governo federal sancionou a Lei Aldir Blanc (14.017/2020), que pretende liberar, a partir deste mês, R$ 3 bilhões para os estados, municípios e o Distrito Federal que “poderão ser destinados a manutenção de espaços culturais, pagamento de três parcelas de uma renda emergencial a trabalhadores do setor que tiveram suas atividades interrompidas, e instrumentos como editais e chamadas públicas”, segundo informações disponíveis no site do governo. O setor cultural ainda questiona as exigências para regulamentação da lei, que pode prejudicar diversas(os) artistas que necessitam do benefício. Além disso, como lembra André Carvalheira, o setor também precisa de ações que tragam segurança e investimentos em políticas culturais a longo prazo.

Luciana Oliveira durante a filmagem do fashion film Preta Boho para o Gira Sol Brechó. Foto: Ana Vieira

Luciana Oliveira conta que desde que surgiu a possibilidade da Lei Aldir Blanc, o Fórum de Sergipe iniciou um movimento para entender como a lei funciona e o que poderia ser feito para que ela realmente possa ser implantada na esfera estadual e municipal de modo que contemple o audiovisual de maneira satisfatória: “Iniciamos o estudo, construímos uma minuta que já foi protocolada como proposta no Estado e que em breve deve também ser discutida a versão municipal com o coletivo e também protocolada na esfera municipal. Será a primeira vez que Sergipe receberá tamanho investimento específico para a cultura. Parece ser muito, pois jamais recebemos o valor de 25 milhões para ser investido na cultura antes, apesar de ainda ser pouco para o tamanho do cenário artístico que possuímos em Sergipe em suas diversas áreas, para além do audiovisual”.

No caso sergipano, Luciana diz que sua principal preocupação é que o investimento não seja bem administrado pelo setor público, tendo em vista o histórico apresentado nos últimos anos. “Por isso, insisto na importância de estarmos atentos, participando das discussões públicas, cobrando dos setores responsáveis ação e escuta dos artistas, para entender qual a nossa demanda. Por outro lado, também nutro uma esperança de que possamos com esse movimento da Lei Aldir Blanc abrir caminhos para fortalecer nossa luta e finalmente provocar e pressionar um debate maior sobre a implantação de uma política pública cultural em Sergipe, real, que contemple todas as áreas das artes e que possa fazer com que a economia cultural gire. Um ponto muito positivo é perceber como alguns movimentos de diferentes áreas das artes se organizaram e se uniram para lutar em coro, como é o caso do Festival Live as Mãos, composto por músicos sergipanos que vêm unindo forças com o Fórum Permanente do Audiovisual Sergipe. Acredito na coletividade, em tempos sombrios não vamos a nenhum lugar sem a coletividade, sem se aquilombar”.

Além disso, outra notícia que pode trazer um respiro ao setor, depois de tantas derrotas, é que o senado e o congresso votaram contra o veto total (VET 62/2019) do presidente Jair Bolsonaro ao Projeto de Lei (PL) 5.815/2019, que prorroga os incentivos ao cinema. Conforme informações da Agência Senado, “a proposta estende até 2024 o prazo para utilização do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine), que concede isenções para a instalação de cinemas em cidades menores” e “prorroga os incentivos fiscais da Lei do Audiovisual (Lei 8.685, de 1993), que permitem pessoas físicas e jurídicas deduzir do Imposto de Renda valores que financiaram projetos de produção cinematográfica e audiovisual aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine)”.

O diretor de fotografia Lázaro Santana

O papel da ABC na descentralização

Um dos grandes objetivos (e desafios) da ABC neste momento é descentralizar a sua atuação, se tornando cada vez mais a Associação Brasileira de Cinematografia e diversificando seu quadro de associadas(os). Para Lázaro Santana, uma dos caminhos é aproveitar a comunicação à distância para realizar palestras técnicas, apresentação de novos equipamentos e outras iniciativas, como as Lives ABC que estão sendo realizadas no perfil do Instagram da associação, que tenham o objetivo de dialogar com as(os) associadas(os) e profissionais que estão fora do eixo. “O processo de descentralização tem um papel extremamente importante na capacitação e atualização técnica dos seus associados, bem como o compartilhamento de experiências, fortalecendo cada vez mais a presença da ABC na evolução do mercado audiovisual”, pondera. Segundo Claudio Antônio, é fundamental que a ABC se aproxime das(os) sócias(os) e seus mercados para criar ações de interesse, bem como de coletivos e fóruns regionais, como sugere Luciana.

O diretor de fotografia Claudio Antônio no set de Expedição Nordeste (2018), produzida por Têm Dendê Produções

Bruno propõe a criação de eventos locais, como a Sessão ABC, como também versões online, como as que ocorreram durante o isolamento que exibiram os filmes Fotografação, de Lauro Escorel, e À Luz Delas, de Luana Farias e Nina Tedesco. “Creio também que seria bem importante uma mesa na Semana ABC com realizadores de regiões que não sejam do eixo Rio-São Paulo – só conversando sobre essa questão conseguiremos encontrar meios plausíveis para alavancar a produção em todos os rincões do País”, justifica. Para ele, com ações mais focadas mais profissionais de diferentes estados teriam interesse em se associar. “Também, uma forma de ampliar esse contato, é criar parcerias com os cursos de cinema das universidades daqui, auxiliando na formação dos estudantes e futuros profissionais”, finaliza.

Bruno Polidoro no set de A Primeira Morte de Joana (em finalização), de Cristiane Oliveira

Em consonância, Yuri Maranhão acredita que a ABC poderia buscar um sistema autossuficiente de troca de conhecimento, como a atual diretoria e alguns(mas) sócios(as) vêm desenvolvendo com a criação de GTs locais, como é o caso do GT Paraná, que organizou uma mesa na Semana ABC 2020, que acontecerá de forma virtual entre os dias 17 e 22 de outubro. “Encontrar pessoas nas cidades, fora do eixo Rio-SP, que topem ser representantes (produtores) de eventos ABC. Isso inclui: organizar com a diretoria quais sócios se dispõem a levar conhecimento para outras áreas, conectar esses profissionais com os representantes de cada cidade, encontrar pessoas interessadas em participar, estabelecer locais e data, levantar custos de operação, passagem, hotel, alimentação, estabelecer um número mínimo de participantes para cobrir os gastos. Acredito que a ABC teria sucesso se encontrasse uma forma de fazer isso”.

O diretor de fotografia Yuri Maranhão atua em Curitiba (PR). Foto: Ann Schwaner

Sem a intenção de esgotar o tema, a reportagem buscou trazer algumas narrativas e experiências que possam nos ajudar a conhecer mais sobre diferentes realidades do audiovisual brasileiro para que possamos pensar alternativas mais efetivas para sua descentralização. Nosso cinema e audiovisual só têm a ganhar com equipes e narrativas mais plurais e diversas. Para além das questões que tratamos neste texto, vale mencionar também que em todas as regiões ainda é preciso ampliar a diversidade em termos de gênero, raça e etnia, geração, etc. Temos uma longo caminho (coletivo) pela frente. Para finalizar, e como consequência desta reportagem, todas(os) as(os) entrevistadas(os) que participaram foram convidadas(os) a sugerir filmes que foram realizados em suas regiões nos últimos anos. A partir dos títulos enviados, uma vez por semana, a ABC divulgará no seu perfil do Instagram um desses filmes, buscando contribuir para que mais produções e profissionais fora do eixo sejam conhecidas(os).

Topo