Clássico do diretor paulistano Luiz Sergio Person (1936-1976), “São Paulo Sociedade Anônima” (1965) é restaurado em 4K e volta aos cinemas brasileiros pela Sessão Vitrine Petrobras a partir do dia 26 de fevereiro, marcando os 60 anos de lançamento do filme.
A restauração do longa em ultra alta definição foi realizada em parceria entre a Lauper Films (criada por Person e Glauco Laurelli em 1966), a Cinemateca Brasileira e a Cineteca di Bologna, na Itália, com o apoio da Film Foundation (organização fundada por diretores como Martin Scorsese e Steven Spielberg, e dedicada à preservação de filmes) e da Hobson Lucas Family Foundation (do cineasta George Lucas e sua esposa, a empresária Mellody Hobson).

Ambientado na cidade de São Paulo dos anos 1950 e 1960, o título acompanha o jovem Carlos (Walmor Chagas), funcionário da indústria automobilística que se vê dividido entre as promessas de ascensão social e o vazio de uma vida mecanizada.
A arte do novo cartaz retrata o espírito inquieto e moderno da obra. Em destaque, está o protagonista, personagem complexo e imerso na paisagem industrial da metrópole que o molda e consome.
O filme retrata as profundas transformações sociais, econômicas e culturais vividas pela capital paulista no auge da industrialização. O elenco traz, ainda, Darlene Glória, Ana Esmeralda e Eva Wilma. Tanto Walmor Chagas quanto Darlene Glória estrearam no cinema com esse trabalho.
“São Paulo Sociedade Anônima” consolidou Luiz Sergio Person como um dos principais autores do cinema nacional dos anos 1960 e permanece como uma das obras mais representativas da modernização estética e temática desse período.
O longa foi escolhido como representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (atual Melhor Filme Internacional) na 38ª edição do Oscar, em 1966, ainda que não tenha entrado na lista final dos indicados. Além disso, o clássico de Person aparece em várias listas de críticos entre os títulos mais relevantes da cinematografia nacional.
Sinopse:
“São Paulo Sociedade Anônima” é um marco do cinema brasileiro e um retrato intenso da metrópole em plena industrialização. A história acompanha Carlos, um jovem de classe média que, ao trabalhar na indústria automobilística, tenta dar sentido à própria vida em meio à engrenagem impessoal do progresso.
Narrado em primeira pessoa e estruturado em fragmentos de memória, o filme expõe o desencanto de uma geração que vê o crescimento econômico caminhar junto da alienação e do vazio existencial. São Paulo surge como personagem viva, moderna, caótica e desumanizadora, espelho de um país em transição. Com linguagem inovadora e crítica social aguda, a obra de Person permanece atual ao revelar o custo humano do capitalismo industrial.