O Museu do Ipiranga recebe, no dia 7 de março (sábado), às 15h, a pré-estreia do documentário “Mulheres Artistas, Subvertendo a Submissão”, novo filme da cineasta Tata Amaral, em parceria com a diretora de arte Vera Hamburger, ABC, AMPAS, que faz sua estreia na direção. A sessão integra a terceira edição do programa Cinema no Museu, tem classificação livre e entrada gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria a partir das 13h.
Com 52 minutos de duração, o documentário revisita a trajetória e a produção de artistas brasileiras do século 19 e do início do século 20, destacando três pioneiras que desafiaram as limitações impostas às mulheres no campo artístico: Abigail de Andrade (1864–1890), Julieta de França (1870–1951) e Georgina de Albuquerque (1885–1962).
Após a exibição, haverá uma conversa com José Roberto de França Arruda, sobrinho-bisneto de Julieta de França e responsável por trazer a público peças fundamentais da obra da artista; a historiadora da arte Ana Paula Cavalcanti Simioni, autora do livro “Profissão Artista: Pintoras e Escultoras Acadêmicas Brasileiras”, que inspirou o documentário; a atriz Claudia Schapira e o historiador Douglas Fasolato. A mediação ficará por conta de Liliane Braga, pós-doutoranda em História e Cultura Material no Museu do Ipiranga e autora do livro “Cinemas afro-diaspóricos em face de regimes racializados de representação” (Educ, 2026).

Segundo Tata Amaral e Vera Hamburger, o documentário lança luz sobre uma produção artística ainda pouco reconhecida: “O que mais nos espanta é que houve muitas mulheres artistas brasileiras desde o século 19. Elas tiveram reconhecimento, ganharam prêmios, expuseram fora do Brasil, mas acabaram silenciadas ao longo do tempo.”
O filme conta, ainda, com a participação especial da atriz Claudia Schapira, vencedora do Prêmio Shell de Teatro e do Troféu Mambembe.
Após a exibição no Museu do Ipiranga (localizado na Rua dos Patriotas, 100 – Ipiranga, São Paulo), o documentário vai estrear no canal Arte1 no mesmo dia, às 19h30.
As artistas
Natural de Belém (PA), Julieta de França foi escultora e professora, considerada uma das pioneiras da arte no Brasil. Tornou-se a primeira mulher a conquistar o maior prêmio concedido pela Escola Nacional de Belas Artes: uma bolsa de viagem ao exterior para residir em Paris por cinco anos. A artista deixou um álbum intitulado “Souvenir de ma carrière artistique” (“Lembranças de minha carreira artística”), que integra o acervo do Museu Paulista da USP. Com capa de couro e tecido, o volume reúne recortes de jornais relacionados à sua trajetória — exposições, críticas e encomendas públicas —, além de cartas, fotografias, diplomas e certificados.
Já a carioca Abigail de Andrade foi pintora e desenhista premiada com medalha de ouro no Salão Imperial de 1884, marco importante para a visibilidade feminina nas artes plásticas no país. Em 1889, participou da Exposição Universal de Paris.
A pintora, desenhista e professora paulista Georgina de Albuquerque, por sua vez, foi uma das primeiras mulheres a consolidar carreira artística no Brasil e no exterior, além de ter sido a primeira mulher a presidir a Academia de Belas Artes.
Uma produção da Tangerina Entretenimento, “Mulheres Artistas, Subvertendo a Submissão” conta com apoio do canal Arte 1 e apoio institucional da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Belém. O investimento é do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC).
Sobre Tata Amaral
Tata Amaral é uma influente cineasta brasileira, tendo conquistado mais cem premiações festivais no Brasil e no exterior. Seu filme de estreia, “Um Céu de Estrelas” (1996), é considerado um marco da Retomada do cinema brasileiro. Já “Hoje” (2013) conquistou os prêmios de melhor filme, roteiro, atriz, fotografia e direção de arte no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Tata assina, ainda, longas-metragens premiados como “Através da Janela” (2000), “Antônia” (2006) e “Sequestro Relâmpago” (2018), além das séries “Trago Comigo”, “Causando na Rua”, “As Protagonistas” e “Como Elas Fazem”.
Sobre Vera Hamburger
Vera Hamburger, ABC, AMPAS é arquiteta formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Atua como diretora de arte e cenógrafa desde 1985 em teatros, exposições e, principalmente, produções audiovisuais. Colaborou em filmes como “Castelo Rá-Tim-Bum, O Filme” (1999) e “Carandiru” (2003), e em séries como “Filhos do Carnaval” (HBO) e “Black Mirror – Striking Vipers” (Netflix). Multipremiada, os longas-metragens “Amor & Cia” (1998), “Kenoma” (1998) e “Hoje” (2013) lhe conferiram o Troféu Candango no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, enquanto “Cafundó” (2005) venceu o Kikito no Festival de Gramado. Dedicou-se a tratar do panorama cinematográfico brasileiro dos profissionais da arte no livro “Arte em Cena: a Direção de Arte no Cinema Brasileiro”, vencedor do Prêmio Jabuti.
Cinema no Museu
Lançado em 2025, o programa Cinema no Museu promove a exibição de filmes brasileiros seguida de conversas com realizadores(as), pesquisadores(as) e convidados(as), utilizando o audiovisual como ferramenta de reflexão sobre a história e a sociedade brasileiras.
Em sua edição inaugural, em abril do ano passado, o projeto exibiu o documentário “Tava, a Casa de Pedra” (2012), produzido por cineastas guarani e pela ONG Vídeo nas Aldeias, que aborda o pensamento indígena e a memória das Missões Jesuíticas Guarani. Já a segunda edição, realizada em novembro, mês da Consciência Negra, apresentou o filme “Todos os Mortos” (2020), de Caetano Gotardo e Marco Dutra, ampliando o debate sobre as heranças da escravidão e as tensões sociais no Brasil.
A cada edição, o programa busca articular cinema, história e patrimônio, estimulando novas leituras sobre o passado a partir da linguagem audiovisual.
Mais informações em https://museudoipiranga.org.br/cinema-no-museu-3a-edicao/ e @museudoipiranga.