Até 28 de junho, a CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe a exposição itinerante World Press Photo 2026, que apresenta os vencedores do 69º Concurso Anual realizado pela organização, com destaques do fotojornalismo mundial. Os ganhadores foram considerados os melhores entre as 57.376 imagens apresentadas por 3.747 fotógrafos de 141 países.
Em cartaz de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 11h às 18h, a mostra traz 42 projetos premiados que refletem temas urgentes da atualidade, como conflitos sociais e políticos, crise climática, poluição, mulheres em luta etc. Depois do Rio, a mostra seguirá para São Paulo (14/7), Curitiba (27/10) e Salvador (26/1/2027).
Entre os destaques, está a foto do ano “Separados pelo ICE”, de Carol Guzy, da agência ZUMA Press/iWitness, para o Miami Herald, feita em um dos poucos prédios federais dos Estados Unidos onde fotógrafos tiveram acesso.
No Brasil, dois profissionais foram premiados: Eduardo Anizelli e Priscila Ribeiro, com registros marcantes da violência policial e um retrato da crise habitacional no país, respectivamente.
Na categoria Individual da América do Sul, Priscila Ribeiro foi reconhecida pela imagem Um Território de Esperança (foto em destaque, no abre), que registra a cena de uma avó, Sandra Mara Siqueira, e seus netos, na cidade de Colombo (PR), na ocupação do Parque dos Lagos, que abriga 200 famílias. O projeto denuncia a situação de milhões de brasileiros que não têm acesso a moradias seguras, com um déficit nacional de 5,9 milhões de casas, o que força aproximadamente 16,4 milhões de pessoas a viverem em assentamentos informais sem acesso oficial a água, saneamento básico ou eletricidade.
Já na categoria Reportagem, o fotojornalista Eduardo Anizelli venceu com o projeto Aqueles Que Carregam os Mortos. Em dez imagens, Anizelli registra o resultado de uma enorme operação policial, realizada em outubro de 2025, contra uma das maiores organizações criminosas do país, realizada nas favelas do Complexo do Alemão e da Penha, no Rio. Mobilizando um número recorde de 2.500 policiais, entre civis e militares, a operação foi a mais letal da história brasileira. Das 122 pessoas mortas, a grande maioria era afro-brasileira. Após a operação, as autoridades não enviaram equipes forenses, obrigando a comunidade a arcar com o peso físico e emocional de carregar seus próprios mortos.
Os projetos expostos na CAIXA Cultural (R. do Passeio, 38 – Centro) transcendem a mera documentação, oferecendo um poderoso registro visual de conflitos globais que vão desde os Estados Unidos e a Ucrânia até o Nepal, o Paquistão e a Palestina. Mais do que registrar eventos, as imagens destacam o impacto da crise climática em vários países, ao mesmo tempo que joga luz sobre a ação cívica e a luta por direitos, por meio de imagens de protestos nos Estados Unidos e movimentos de mulheres na Guatemala e no Quênia.
Íntimas e muitas vezes comoventes, as obras revelam a fragilidade da vida humana, entre doenças, isolamento, luto e luta pela sobrevivência. Em paralelo, a mostra conta histórias de gerações mais jovens, como bailarinas na África do Sul, mulheres cavaleiras no Marrocos e famílias afetadas pela aplicação da lei de imigração nos EUA. Já os retratos ambientais aproximam os espectadores da natureza de forma realista e comovente.
Mais informações no site oficial e no Instagram @caixaculturalrj.