Semana e Prêmio ABC 2026

Saiba como foram os eventos que aconteceram de 13 a 16 de maio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo
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Por Danielle de Noronha

A Semana ABC 2026 aconteceu entre os dias 13 e 15 de maio, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A edição contou com a presença de diversas empresas e profissionais envolvidos(as) com o universo do audiovisual, que debateram diferentes temas atuais da cinematografia. O evento alcançou um público presencial de mais de 3.500 pessoas, entre profissionais, estudantes e entusiastas, e ainda contou com mais de 8 mil visualizações das mesas de debate pelo YouTube da associação.

Duarnte a Semana ABC deste ano também aconteceu a Exposição de Equipamentos e Serviços com a presença das empresas e instituições Aputure, Arri, Atlas Lens Co., Barcelona, Canon, Dearkol, Delta, Eletro Cine & TV, Freshcam, Fuji Film, Godox, Hollyland, Hollywood Store, I9, Led Mais, Light Motion, Locall, Marc Films, MCI Store, Nanlux, NayMovie, Runner Films, Shoot Latam, Sindcine, Sony, Tilta, Velvet, Viddium, Vidiexco e ZEISS, que levaram para a Cinemateca as novidades do mercado e a possibilidade das pessoas presentes testarem e conhecerem mais sobre seus equipamentos e serviços.

DIA 13 DE MAIO

O primeiro dia da Semana ABC 2026, 13 de maio, iniciou às 10h30 com a apresentação da Fuji “A Nova Câmera GFX ETERNA 55”, com mediação do gerente da Fuji Latinoamerica, Esteban Umana. A mesa apresentou dois curtas-metragens filmados no Brasil com a GFX ETERNA 55, seguidos de sessão de perguntas e respostas com o especialista da Fujifilm e com os(as) diretores(as) de fotografia, associados(as) da ABC, Fabio Bardella, João Rubio, Julia Camargo, Mustapha Barat, ABC, Nicolas Viggiani e Victor Alencar, que tiveram a oportunidade de testar a câmera para a mesa.

Como explica Umana, além de apresentar as especificações técnicas da câmera, a ideia da mesa é que sejam compartilhadas as impressões dos(as) diretores(as) de fotografia sobre a experiência prática com a câmera. Nesse sentido, segundo Viggiani, “foi incrível trabalhar com a nova Eterna 55 e testar esse sensor tão grande, principalmente no modo Open Gate. Ele traz muitas possibilidades, não só em termos de lente, mas principalmente de trabalhar a verticalidade do sensor”. Nessa mesma linha, Camargo acredita que a câmera vai fazer com que o(a) brasileiro(a) não apenas consuma, mas crie mais nesse formato grande. “Pelo custo-benefício, em relação à câmera de cinema, ela é muito boa”, explica a diretora de fotografia.

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Todos os profissionais presentes na mesa compartilharam as suas percepções sobre a câmera e, para Bardella, “é muito legal ver a Fuji onde ela deve estar: na vanguarda do cinema. Quando você faz um sensor desse, uma câmera de cinema, o seu diálogo é em outro nível com os criadores. A Fuji tem que estar nesse lugar. É ela voltando para casa”.

Na sequência, às 14h, foi a vez da mesa “Narrativas e Aspectos Estéticos para um Audiovisual Diverso e Inclusivo”, mediada pelo diretor Joel Zito Araújo, que contou com as presenças de Juliano Gomes, professor do Curso de Cinema na FAAP e crítico da Revista Cinética, Patricia Yxapy, professora e cineasta Guarani, e da diretora de fotografia Thaynara Rezende, ABC, APAN, DAFB. A mesa buscou refletir como o caminho para um audiovisual mais inclusivo promove também uma diversidade de pontos de vista, de estéticas e de formas de pensar o ofício das imagens e dos sons. A partir da ideia de que “a arte não imita a vida, mas a arte acompanha a vida. A arte acompanha as inquietações sociais e culturais”, como destacou Joel Zito em sua fala na abertura, compreende-se que “toda imagem parte de um ponto de vista”, como pontou Thaynara Rezende.

A questão da diversidade atravessa muitas camadas do fazer cinematográfico. É conteúdo, mas também é forma. Patricia Yxapy, por exemplo, trouxe para a mesa a perspectiva Guarani sobre o fazer estético: “A estética para a gente é o que a gente inclui nas nossas imagens. […] Na nossa estética, a gente traz caminhada, tempo, silêncio. Tudo isso para nós é estética”. Juliano Gomes, por sua vez, observou: “Os novos olhares, as novas perspectivas, elas estão aí e sempre estiveram. O que muda é o contexto que se produz para que a arte acompanhe a vida”. Para o professor, “é preciso que a gente tenha uma espécie de cômodo vazio para o que não tem identificação imediata”.

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Nesse sentido, o debate investigou exemplos e possibilidades do audiovisual como materialização plástica da diversificação dos pontos de vista ensejada na última década, promovendo a reflexão de que modo a movimentação pela desconcentração do olhar produz formas novas e repertórios que fogem aos padrões estabelecidos. Segundo Rezende, “Diversidade não pode ser apenas presença estética ou preenchimento de cota. Diversidade exige permanência, escuta e possibilidade real de criação”.

A programação seguiu com a apresentação da ARRI, às 16h30, sobre a ALEXA 35 Xtreme e outras novas tecnologias da empresa, com mediação de Mario Jannini, diretor técnico de serviço da ARRI Brasil, América Latina.

Com as presenças dos técnicos(as) de imagem digital (DIT) Felipe Albanit, Martín Alatrista Gutiérrez e Vanessa Alves, a mesa apresentou a evolução da ALEXA 35 em sua nova configuração ALEXA 35 Xtreme, uma plataforma que amplia significativamente as possibilidades de high speed ao combinar novas capacidades de processamento, maior eficiência operacional e integração com fluxos de trabalho contemporâneos. A apresentação destacou os detalhes técnicos da câmera, o novo codec ARRICORE e o modo Sensor Overdrive, além de demonstrar como esses recursos impactam a captura, o gerenciamento de dados e a finalização de imagem.

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Vanessa conta que para a mesa foram rodados mais de 250 clipes de testes comparativos e Felipe Albanit confirmou que tanto em ARRIRAW quanto no novo ARRICORE foram encontradas as mesmas respostas. “Sair do ARRIRAW e ir pro ARRICORE não altera o alcance dinâmico”, explica. Com projeções de material captado em alta velocidade, o encontro percorreu tecnicamente cada processo envolvido, da captação a pós, evidenciando as vantagens criativas e operacionais da ALEXA 35 Xtreme.

Por fim, às 18h30, foi a vez da masterclass da diretora de fotografia Evgenia Alexandrova, com mediação da diretora de fotografia e presidenta da ABC, Fernanda Tanaka, ABC. Diretora de Fotografia russa, radicada na França, Evgenia Alexandrova é formada em cinematografia pela escola Le Fémis e integrante da Associação Francesa de Diretores de Fotografia (AFC), tendo trabalhos realizados em vários países, como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Romênia, a Tunísia e o Brasil. Seu trabalho mais recente é o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar 2026.

Alexandrova abriu sua masterclass explicando que queria falar sobre um tema talvez mais filosófico do que técnico, “uma reflexão, uma conversa aberta sobre o que realmente está por trás da imagem”. Para ela, “a cinematografia não está apenas na técnica, mas na história de cada um, das experiências que viveu, dos lugares por onde passou, da infância, dos amigos, da cultura”. Apresentando processos criativos de algumas obras, como no O Agente Secreto, a diretora de fotografia refletiu sobre o que realmente define uma imagem humana. “Porque duas pessoas podem usar a mesma luz, a mesma câmera, as mesmas lentes, mas fazer duas imagens completamente diferentes”. Nesse sentido, para ela cada pessoa coloca um pouco de si em cada imagem que se produz. “É por isso que cada imagem é única”, conclui.

DIA 14 DE MAIO

O segundo dia da Semana ABC 2026, 14 de maio, iniciou às 10h com a masterclass do diretor e diretor de fotografia coreano Jang Kun-jae. Entre os temas, a apresentação abordou a influência da Korean Academy of Film Arts (KAFA) em sua formação, processos e métodos de produção em filmes independentes, experiências em coprodução internacional e, em especial, o histórico do cinema coreano recente.

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Jang abriu sua fala situando o contexto que fez com que o cinema na Coreia chegasse no momento atual e explicou que a KAFA, fundada em 1984, é frequentemente chamada de motor da inovação, um local onde jovens podem evoluir como cineastas, destacando diversas obras que tiveram protagonismo no cinema coreano contemporâneo. O diretor também abordou o momento de crise do cinema no país pós-pandemia: “As pessoas deixaram de ir aos cinemas e a gente teve um grande aumento de plataformas de streaming. A Coreia não tá conseguindo recuperar esse público”. Além disso, compartilhou as dificuldades do financiamento independente: “No filme Por que eu odeio a Coreia, fiquei sete anos buscando financiamento. “Na 14ª tentativa, eu fui aprovado”.

Graduado em Direção de Fotografia pela Korean Academy of Film Arts (KAFA), onde anos depois lecionou como professor, Jang Kun-jae possui Mestrado em Direção de Cinema pela Universidade Chung Ang e é atualmente é professor associado no Departamento de Cinema da Universidade Yong In. Já participou de mais de 45 produções, sendo que como diretor de fotografia e supervisor técnico, assinou aproximadamente 30 filmes independentes.

A próxima mesa, às 13h30, foi a apresentação da Tilta, que contou com a participação do diretor de fotografia Affonso Beato, ASC, ABC e de Saul Henrique, diretor de fotografia e desenvolvedor de marcas da Tilta.

Como explica Saul, a mesa iniciou com um comparativo de câmeras, que foi apresentado por Affonso Beato, a partir de testes realizados para analisar a latitude de 11 câmeras digitais. Na sequência, Saul apresentou o Tilta Khronos Ecosystem, desenvolvido para os iPhones, da Apple, e outras soluções da empresa, como os equipamentos para filmagens automotivas. A proposta foi apresentar diferentes cenários de produção, destacando como adaptar o equipamento para cada necessidade, seja em gravações dinâmicas, planos em movimento, seja em captações mais controladas.

A programação continuou com a mesa “O olhar Inquieto de Jorge Bodanzky: do Super 8 ao celular”, às 15h30, com mediação do diretor de fotografia Lauro Escorel, ABC. A mesa propôs uma reflexão sobre a trajetória e o método de criação de Jorge Bodanzky, tanto como diretor quanto como diretor de fotografia, tomando a câmera como instrumento de investigação do real, do território e dos conflitos sociais. Segundo Bodanzky, a câmera é uma continuação do seu corpo que deve estar sempre em movimento. “Eu acho que muito cedo eu descobri que a câmera era meu modo de enxergar o mundo”, explicou.

De trabalhos que vão do Super-8 até o celular, a conversa abordou como as transformações tecnológicas atravessam sua obra sem alterar um princípio central: o filmar como gesto ético, atento ao encontro com pessoas e paisagens. Sobre o uso de dispositivos móveis, Bodanzky conta que quando o celular teve qualidade suficiente, ele não o largou mais, pois o celular virou a extensão do seu corpo. “Ele está sempre à mão, é leve, é preciso”, contou o diretor. Porém, seu método de trabalho segue o mesmo: “essa experiência de ser rápido, equipamento leve, menos pessoas possíveis, é que eu uso até hoje”. Outra coisa que o dispositivo utilizado também não muda é a relação com as pessoas filmadas. Em suas palavras: “Eu sempre me preocupei muito em não interferir no ambiente. Eu não ponho as pessoas diante da câmera, eu ponho a câmera diante das pessoas”, diz. Para ele, “Hoje você tem condições de fazer o seu filme praticamente com nada. Usa o celular, monta no computador. O que vale é a tua ideia, aquilo que você quer contar”.

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Nesse dia, a Semana ABC 2026 ainda contou com a apresentação da Canon, “Filmando com Canon em Diversos Ambientes de Produção”, às 18h, com a participação do diretor de fotografia João Castelo Branco, ABC e do Francisco Rocha, analista de treinamento da Canon do Brasil.

Na mesa, João Castelo Branco compartilhou a experiência de uso das câmeras Canon EOS C400, Canon EOS C80, Canon EOS C50 e Canon EOS R5 Mark II, e das objetivas Canon CN-R, Canon Flex Zoom e as RF híbridas, em seus últimos trabalhos, realizados em produções com diferentes níveis de complexidade, exigências técnicas e janelas de exibição. “Eu queria falar um pouco da minha experiência de filmar com Canon, por que eu usei esses equipamentos e porque eu escolhi diferentes câmeras da própria Canon dentro de um projeto”, explicou. O diretor de fotografia destacou a consistência entre os modelos da marca: “Todas usam a mesma ciência de cor. Usam o Canon Log 2 e o Canon Cinema Gamut. As cores estão mapeadas nos mesmos lugares. Não tem nenhuma diferença de fato de cor. Cortam super bem um com o outro”. Francisco Rocha complementou: “Mesmo misturando imagens de câmeras C de cinema com as mirrorless híbridas, você não vai ter uma diferença muito grande de imagem”.

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Entre outros pontos, Castelo Branco também elogiou o ND interno da C400: “É muito legal você ter 10 stops de ND sem precisar colocar nenhum vidro na frente que altera a cor, que altera o look” e apresentou a nova C50 como “uma câmera compacta, pensada para um operador solo, para uma pessoa sozinha”. Sobre a qualidade dos arquivos, afirmou: “Tudo funcionando em 12 bits. Você consegue realmente uma flexibilidade muito grande de pós-produção”.

Para finalizar o segundo dia, aconteceu a mesa “Direção de arte, entre o visível e o invisível”, às 20h, com mediação da diretora de arte Carol Tanajura. Com participação dos(as) diretores(as) de arte Dayse Barreto e Thales Junqueira e da crítica de cinema, curadora e roteirista Lorenna Montenegro, a mesa buscou refletir sobre qual o papel, a contribuição e a importância da direção de arte na construção das obras audiovisuais.

Partindo do visível e do invisível, o objetivo da mesa foi refletir tanto sobre a imagem (campo e extracampo) quanto sobre a complexidade do trabalho das equipes de arte, cujas metodologias e processos são, muitas vezes, desconhecidas. “A direção de arte não só recria, não só reconstrói, mas ela também cria, ela cocria mundos imagéticos, mundos artísticos, mundos narrativos no cinema”, afirmou Lorena Montenegro. “Ela não é simplesmente decoração. É o todo, é a concepção”.

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Thales Junqueira contextualizou a invisibilidade histórica da função: “A direção de arte, como a gente conhece hoje, é algo relativamente recente. A ideia do que seja direção de arte é ainda menos cristalina para o público e até mesmo para profissionais de cinema”. Para ele: “A pessoa vê um mundo fantástico com dragões e acha que isso tem direção de arte. O filme naturalista parece que não existe. E existe. E são grandes trabalhos”. Nesse sentido, para Dayse Barreto, o(a) diretor(a) de arte é um arqueólogo. “Eu nunca vejo um espaço sem que olhe para ele e pense na sua complexidade ou na sua potência”.

15 DE MAIO

O terceiro e último dia da Semana ABC 2026, 15 de maio, começou às 10h com a mesa “Ouvindo a Cena: Uso do som ambiente e efeitos sonoros, analisando como a paisagem sonora é utilizada para construir a atmosfera dos filmes”, mediada pelo supervisor de som Carlos Ronconi. O supervisor de som explica que o tripé da trilha sonora é formado pelos diálogos, que dão a inteligibilidade da cena, pela música, que traz emoção, e pelos efeitos de ambiente, que dão a “realidade”. Nesse sentido, os sons ambientes são compreendidos como os responsáveis por fazer-nos mergulhar na ilusão e no universo construídos pelo cinema e pelo audiovisual.

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Com as presenças da diretora Lina Chamie, da supervisora e técnica de som direto Olivia Hernández e do supervisor de som e mixador Pedro Lima, a mesa discutiu casos em que o som ambiente cria imersão, como em floresta, cidades, comunidades tradicionais e espaços industriais, além de temas que refletem sobre como os efeitos sonoros dialogam com a narrativa visual, a importância de um design de som que valoriza e respeita particularidades culturais e territoriais e as diferenças entre som regravado, som construído e som captado em locação.

Em continuidade, às 14h, a Semana ABC 2026 recebeu a palestra da Godox, “Nós Recriamos o Sol”, realizada por Davi Valente, diretor de fotografia e embaixador Godox. A palestra apresentou o Godox PaletteLab, motor de cor multiespectral com 9 diodos capaz de gerar mais de 280 trilhões de combinações cromáticas com precisão e fidelidade sem precedentes na indústria.

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Segundo Davi Valente, “a Palette Lab não é uma linha de produto, é uma tecnologia de cor”, que tem “o objetivo era ter o melhor motor de cor do mundo”. Ele destacou a proximidade com o espectro do sol e do tungstênio e detalhou que em sua composição tem “nove diodos para compor o branco: violeta, azul, ciano, verde, verde com fósforo, âmbar com fósforo, vermelho mais alaranjado, vermelho e vermelho profundo”. Nesse sentido, a palestra explorou os fundamentos técnicos e criativos por trás dessa inovação, do espectro luminoso à reprodução fiel da luz do dia, da precisão de tons de pele à cobertura de 92% do espaço de cor REC.2020. “Eu nunca vi na minha vida nenhum LED fazer isso”, afirmou Valente.

A próxima apresentação foi da Marc Films, intitulada “Mundo Arri Rental 65mm no Brasil”, às 16h, mediada por Aymê Segatti, diretora comercial MarcFilms. A mesa reuniu Allan Almeida, técnico de imagem digital (DIT), o diretor Diego Freitas, Mario Jannini, diretor técnico de serviço da ARRI Brasil, América Latina, e Nelson Marcondes, CEO da Marc Films, para discutir a relevância da chegada do universo ARRI 65mm ao cinema da América do Sul, abordando tanto seu impacto criativo quanto os principais aspectos técnicos para desmistificar o uso desse formato em nossas produções.

Nelson Marcondes conta que sempre teve o sonho de fechar uma parceria com a ARRI Rental e disponibilizar no Brasil essa estrutura. “Fomos a primeira locadora do mundo a fazer esse modelo B2B com a ARRI. Praticamente foi um projeto piloto que acabou virando o negócio principal da ARRI Rental”, complementa.

O diretor Diego Freitas, responsável pelo primeiro projeto brasileiro rodado com a Alexa 65, compartilhou sua experiência: “Era um sonho filmar com a Alexa 65, a câmera que fez filmes como Duna. Quando recebi a notícia que ela ia chegar ao Brasil, desmaiei”. Para o diretor, quando você tem um sensor tão grande, há uma tridimensionalidade na imagem muito maior. “A lente 35 mm na Alexa 65 é uma obra-prima. É difícil ficar feio”, diz. Allan Almeida detalhou os aspectos técnicos: “A Alexa 65 roda apenas em ARRIRAW. A base de diária era entre 2,5 e 3 TB. O projeto total deu 90 TB”. Ao falar sobre os sensores, Almeida acredita que “quando você coloca uma do lado da 65, a diferença é gritante”. 

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Marcondes ainda reforçou que a Alexa 65 tem o mesmo preço no Brasil hoje do que uma Alexa 35 ou uma Alexa Mini LF. “A gente desmistificou a possibilidade de filmar em 65 mm qualquer filme no Brasil” E anunciou: “Ainda este ano, vamos trazer uma Alexa 65 para ficar fixa no país”.

Por fim, a programação da Semana ABC deste ano encerrou com a mesa “O Cinema na Velocidade da Luz: Criar e Produzir com IA”, mediada pelo executivo de VFX no Amazon MGM Studios, Sandro Di Segni.

A partir da premissa que a inteligência artificial está transformando o audiovisual muito além da pós-produção, a mesa discutiu sobre as ferramentas de geração de imagem e vídeo que atuam também no desenvolvimento de roteiros, na pré-visualização à integração com VFX e possibilitam novas lógicas de produção. Tecnologias como GenAI e a automação criativa começam a redefinir como projetos são concebidos, desenvolvidos e executados. Para isso, a conversa contou com a participação da produtora Camila Groch, do diretor e artista de IA, Diego Martins, da supervisora de VFX, Mariana Rocha, e do especialista em IA, Thiago Porto, que compartilharam diferentes experiências com o uso de IA.

Por exemplo, Diego Martins contou sobre sua experiência na criação de pitch decks para séries e filmes. “A ideia é dar uma outra forma para você sair um pouco à frente”, explicou. Para demonstrar essa questão, citou o caso da série Pensamentos Intrusivos: “Numa série de baixo orçamento, feito de maneira convencional, seria impossível. Foi como usar a IA como um recurso criativo”. Mariana Rocha compartilhou que nomeou sua IA de Luna: “Ela já me entrega uma lista com todas as telas do roteiro. A gente faz uma decupagem de VFX por IA, mas é assistida. Eu entendo como um meio, não como um fim. A história é mais importante”, pontua.

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Para isso, Thiago Porto explica que o melhor jeito de utilizar a IA é customizando e personalizando modelos e, com esse propósito, apresentou uma ferramenta open-source, criada por ele. “A gente disponibilizou de graça para incentivar a personalização das IAs”, diz. Porto demonstrou aplicações que manteve a identidade, a qualidade, a pele e a textura. “Isso as IAs de plataformas não vão conseguir entregar”, concluiu. Di Segni observou: “O futuro da IA vem numa era de agentes e automação. Muito do trabalho chato não vai existir mais, mas o trabalho legal ainda vai estar lá e vai ser nosso”.

Clique aqui para conhecer a programação completa e assistir às mesas na íntegra.

A Semana ABC é uma realização da ABC – Associação Brasileira de Cinematografia e da Cinemateca Brasileira. Patrocínio: Aputure, ARRI, Canon, Fuji Film, Godox, I9, Kapta Filmes, Light Motion, Locall, Marc Films, MCI Store, Spcine e Tilta. Apoio: Atlas Lens Co., Barcelona, Blackmagic, Boson Post, Dearkol, Delta, DOT, Electrica, Eletro Cine & TV, Freshcam, Hollyland, Led Mais, Lumen, Nanlux, O2 Pós, Runner Films, Shoot Latam, Sindcine, Sony, Trevisans, Velvet, Viddium, Vidiexco e ZEISS.

PRÊMIO ABC 2026

A Cerimônia de entrega do Prêmio ABC 2026 aconteceu neste sábado, 16 de maio, na Cinemateca Brasileira, com apresentação da atriz Maeve Jinkings.

Os filmes ”Homem com H” e “3 Obás de Xangô” foram os maiores vencedores da noite nas categorias para longa-metragem. “Homem com H” venceu em três categorias para ficção: Melhor Montagem para Germano de Oliveira, edt., Melhor Som para Ana Luiza Penna, Armando Torres Jr., ABC e Martin Grignaschi, e Melhor Figurino, entregue à Gabriella Marra, categoria que estreia nesta edição da premiação. Já “3 Obás de Xangô” levou dois prêmios das categorias para documentário: André Finotti recebeu o prêmio de Melhor Montagem e André Finotti, Dudu Caribe, Guto Peixinho, Marcos Azambuja e Priscila Alves levaram o de Melhor Som.

Nas demais categorias para longa-metragem, Pierre de Kerchove, ABC recebeu o prêmio de Melhor Direção de Fotografia Ficção por “Manas”, Carine Wallauer levou o prêmio de Melhor Direção de Fotografia Documentário por seu trabalho em “Copan” e Thales Junqueira ficou com o de Melhor Direção de Arte Ficção por “O Agente Secreto”.

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A primeira temporada da série “Pssica” também se destacou com dois prêmios: Melhor Direção de Fotografia Série de TV Ficção, para Glauco Firpo e Janice D’Avila, ABC (episódio 1), e Melhor Som Série de TV Ficção para Alan Zilli, Armando Torres Jr., ABC e Evandro Lima (episódio 3). Já o estreante prêmio de Melhor Direção de Arte Série de TV Ficção foi entregue a Claudio Amaral Peixoto por “Ângela Diniz – Assassinada e Condenada” (1ª temporada, episódio 4). Também estreante nesta edição, a categoria Melhor Direção de Fotografia Série de TV Não Ficção premiou Henrique Mourão por “Maravilhas da Natureza” (1ª temporada, episódio 1).

Além disso, nas demais categorias para direção de fotografia, foram premiados o curta-metragem “A Caverna” (Elisa Ratts), o videoclipe “IRADOH – 3 Atos de Irmandade: A Música, o Crime e a Justiça.”, de Hodari (Roberto Riva), o filme publicitário “Dia da Mulher | Pesquise Meu Corpo” (Milena Seta) e o filme estudantil da ECA/USP “Memórias de Nitrato” (Gabriel Vignola). Por fim, aconteceu a estreia de mais uma categoria: Melhor Direção de Arte para Filme Publicitário, que consagrou Martino Piccinini por “Globo 100 anos”.

Durante a cerimônia também foram anunciados as sócias e os sócios que receberam o direito de assinar com a sigla ABC: as diretoras de fotografia Carol Quintanilha, ABC, Hellen Braga, ABC, Luísa Dalé, ABC e Rita Albano, ABC, os diretores de fotografia Bacco Andrade, ABC, Edu Rabin, ABC, Glauco Firpo, ABC, Hamilton Oliveira, ABC, Henrique Mourão, ABC, Julio Costantini, ABC e Leonardo Feliciano, ABC, as diretoras de arte Carol Tanajura, ABC, Larissa Cambauva, ABC e Marines Mencio, ABC, os diretores de arte Fábio Goldfarb, ABC, Fernando Zuccolotto, ABC, Rafael Blas, ABC e William Valduga, ABC, o colorista Alexandre Cristófaro, ABC, os editores e supervisores de som Daniel Turini, ABC e Mariano Alvarez, ABC, o editor/montador Pablo Ribeiro, ABC, a operadora de câmera Luz Guerra, ABC e o operador de câmera Rodrigo Reis, ABC e o 1º assistente de câmera Flávio Chacal Geromel, ABC. As e os profissionais do audiovisual que nos deixaram no último ano também foram rememorados na cerimônia.

Outro destaque da cerimônia foi a entrega do Prêmio ABC para o diretor de fotografia Edgar Moura, ABC, homenageado da noite por sua trajetória. A homenagem foi apresentada pelo diretor e roteirista José Joffily e pela diretora Tizuka Yamasaki e entregue a sua filha Antonia Moura. Além do Prêmio Especial VXF ABC, entregue por Sandro di Segni e Marcelo Siqueira (em vídeo), que consagrou Claudio Peralta e Luciana Fintelmam, por “Detetives do Prédio Azul 4”, na categoria Melhor Efeito Visual em Longa-Metragem, e Felipe Rebelo e Juan Diaz, por “O Senhor e a Serva”, na categoria Melhor Efeito Visual em Série de TV.

Os prêmios foram entregues por Fernanda Tanaka, diretora de fotografia e presidenta da ABC, e Maria Dora Mourão, diretora geral da Cinemateca Brasileira, pela deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas do Brasil Sônia Guajajara, pela diretora de fotografia e presidenta da Associação de Profissionais Trans do Audiovisual Alice Muniz, pela diretora de fotografia e presidenta da Associação Mexicana de Cinematografia Diana Garay, pelos diretores Diego Freitas, Jorge Bodanzki e Joel Zito Araújo, pelas atrizes Clarissa Kiste e Tainá Müller, pelo ator Dionísio Neto, pelo diretor de fotografua Jacques Cheuiche, pela supervisora e técnica de som direto Olivia Hernandez, pela diretora de arte Dayse Barreto, pela diretora de fotografia Julia Camargo, pela professora de montagem da USP Silvia Hayashi e pela figurinista Verônica Julian, além de representantes das empresas Light Motion (José Garcia), Godox (Davi Valente), Delta (Yuri Nieto), Mark Filmes (Aymê Segati), RunnerFilmes (Stefano Duque), Barcelona Filmes (Marcelo Durst), Canon (Fabio Zuccaratto), Arri (Mário Jannini), Freshcam (Ivo Duram), Aputure (Leonardo Matos), i9 (Ana Vieira), MCI Store (Vinicius Lando), Nanlux (Camel Luo), Blackmagic (Fábio Angeline) e Tilta (Saul Henrique).

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Profissionais e trabalhos premiados

Melhor Direção de Fotografia Longa-Metragem Ficção
“Manas” – Pierre de Kerchove, ABC

Melhor Direção de Fotografia Longa-Metragem Documentário
“Copan” – Carine Wallauer

Melhor Direção de Fotografia Curta-Metragem
“A Caverna” – Elisa Ratts

Melhor Direção de Fotografia Série de TV Ficção
“Pssica – EP 1 – 1ª Temp” – Glauco Firpo e Janice D’Avila, ABC

Melhor Direção de Fotografia Série de TV Não Ficção
“Maravilhas da Natureza – EP 1 – 1ª Temp” – Henrique Mourão

Melhor Direção de Fotografia Videoclipe
“IRADOH – 3 Atos de Irmandade: A Música, o Crime e a Justiça” – Roberto Riva

Melhor Direção de Fotografia Filme Publicitário
“Dia da Mulher | Pesquise Meu Corpo” – Milena Seta

Melhor Direção de Fotografia Filme Estudantil
“Memórias de Nitrato” – Gabriel Vignola

Melhor Direção de Arte Longa-Metragem Ficção
“O Agente Secreto” – Thales Junqueira

Melhor Direção de Arte Série de TV Ficção
“Ângela Diniz – Assassinada e Condenada – EP 4 – 1ª Temp” – Claudio Amaral Peixoto

Melhor Direção de Arte Filme Publicitário
“Globo 100 Anos” – Martino Piccinini

Melhor Figurino Longa-Metragem Ficção
“Homem com H” – Gabriella Marra

Melhor Montagem Longa-Metragem Ficção
“Homem com H” – Germano de Oliveira, edt.

Melhor Montagem Longa-metragem Documentário
“3 Obás de Xangô” – André Finotti

Melhor Som Longa-Metragem Ficção
“Homem Com H” – Ana Luiza Penna, Armando Torres Jr., ABC e Martin Grignaschi

Melhor Som Longa-metragem Documentário
“3 Obás De Xangô” – André Finotti, Dudu Caribe, Guto Peixinho, Marcos Azambuja e Priscila Alves

Melhor Som Série de TV Ficção
“Pssica – EP 3 – 1ª Temp” – Alan Zilli, Armando Torres Jr., ABC e Evandro Lima

Assista à cerimônia de entrega do Prêmio ABC 2026:

Fotos Semana ABC 2026: Elizabeth Ferreira
Fotos Prêmio ABC 2026: Edu Tarran

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