Nota de pesar: Falecimento da diretora paulistana Joyce Prado

Joyceprado
A diretora, produtora e roteirista Joyce Prado (1987-2025). Foto: Divulgação

É com profundo pesar que a ABC recebe a notícia da morte da cineasta paulistana Joyce Prado (1987-2025), ocorrida nesta quarta-feira (10), aos 38 anos. Além de diretora, Joyce atuava como produtora, fotógrafa e roteirista de cinema e audiovisual.

Formada em Rádio e TV pela Universidade Belas Artes, tornou-se referência no audiovisual negro brasileiro, com uma filmografia que inclui obras dedicadas à história da população negra, à identidade, ancestralidade, espiritualidade e diáspora afro-brasileiras, e às narrativas em múltiplas linguagens.

Foi membra-fundadora da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e membra do DAFB (Coletivo de Mulheres e Dissidentes de Gênero do Departamento de Fotografia do Audiovisual Brasileiro). Entre seus trabalhos mais conhecidos, está o longa “Chico Rei Entre Nós”, que resgata a história do rei congolês escravizado no Brasil e sua luta pela liberdade. A obra recebeu o prêmio do público de Melhor Documentário Brasileiro na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em 2020, além de uma menção honrosa do júri.

A profissional também trabalhou nos curtas “Okán Mínimo” e “Fábula de Vó Ita” e nas séries “Nós, Mulheres”, “The Beat Diáspora”, “AM/FM”, “Cartas de Maio”, “Ancestralidades” e “Memórias em Bronze”. Fundou a Oxalá Produções e foi responsável, ainda, por dirigir videoclipes como “3 Marias”, “Banho de Folhas” e “Terra Aféfé”, além do álbum visual “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água” e do documentário musical “Memórias de Um Corpo no Mundo”. Colaborou com artistas como Luedji Luna e Margareth Menezes.

Nas redes sociais, a ministra da Cultura e cantora, Margareth Menezes, lamentou a morte da diretora e compartilhou imagens do videoclipe “Terra Aféfé”, dirigido por Joyce e lançado em 2022. A ministra destacou a contribuição de Joyce Prado para o audiovisual e seu papel como integrante do Conselho Superior do Cinema.

Nas palavras da APAN, “Joyce é uma força imensa que seguirá iluminando nossos caminhos. Ela segue sendo uma das principais referências para o audiovisual brasileiro e para o que somos e defendemos enquanto profissionais do audiovisual negro. Sua sagacidade, doçura, força, acolhimento e senso de justiça permanecem por aqui sendo uma bússola”.

A despedida da cineasta será realizada no Memorial Parque Jaraguá (Rua N. Sra. do Líbano, 635 – Vila Sulina, São Paulo), nesta sexta-feira (12/12), das 11h às 15h. Pede-se que as pessoas vão de branco ou levem flores brancas, em homenagem a Oxalá.

Em nome de todas as suas associadas e seus associados, a ABC manifesta suas mais sinceras condolências à família, às amigas e aos amigos de Joyce Prado. Sua obra permanece como legado, referência e inspiração para todos(as/es) nós e para as próximas gerações.

*Com informações do Alma Preta Jornalismo, da Mostra SP, do Cine Ninja e do Coletivo DAFB.

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